8 de janeiro, nunca mais, diz Fachin. A frase curta, direta e carregada de simbolismo marcou o discurso do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, durante a cerimônia que relembrou os três anos dos ataques antidemocráticos ocorridos em Brasília, em 8 de janeiro de 2023. O pronunciamento não apenas resgatou a memória de um dos episódios mais graves da história recente do país, como também reforçou o compromisso das instituições com a defesa da democracia e do Estado de Direito.
Desde o início de sua fala, Fachin deixou claro que o episódio não deve ser relativizado, esquecido ou normalizado. Pelo contrário, segundo ele, trata-se de um marco negativo que precisa servir como alerta permanente para a sociedade brasileira. Assim, ao afirmar que “oito de janeiro, nunca mais”, o presidente do STF buscou sintetizar o entendimento da Corte sobre a gravidade dos atos que culminaram na invasão e depredação das sedes dos Três Poderes.
Um discurso em tom de alerta institucional
Primeiramente, é importante destacar o contexto em que a declaração foi feita. O evento promovido pelo Supremo marcou os três anos dos ataques ocorridos em 2023, quando manifestantes radicais invadiram o Palácio do Planalto, o Congresso Nacional e o próprio STF, causando destruição, prejuízos ao patrimônio público e uma ruptura simbólica com a ordem democrática.
Nesse sentido, Fachin enfatizou que o discurso não foi isolado, mas refletiu uma posição uníssona das instituições. “O que estamos a dizer aqui uníssono é que 8 de janeiro nunca mais”, declarou o ministro, ressaltando que o episódio não pode se repetir sob nenhuma circunstância.
Além disso, o presidente da Corte reforçou que a democracia não é um conceito abstrato, mas um sistema que exige proteção constante. Portanto, segundo Fachin, qualquer ataque às instituições deve ser tratado com a máxima seriedade, dentro dos limites da Constituição e do devido processo legal.

Responsabilização como pilar da democracia
Ao longo de sua fala, Fachin destacou repetidamente a importância da responsabilização dos envolvidos nos atos antidemocráticos. De acordo com o ministro, todas as etapas do processo judicial seguiram rigorosamente os princípios da ampla defesa e do contraditório.
“Reitero a nossa compreensão segundo a qual atos foram praticados, responsabilidades foram apuradas, provas foram produzidas à luz da ampla defesa e os responsáveis foram sancionados num conjunto de julgamentos”, afirmou.
Dessa forma, 8 de janeiro, nunca mais, diz Fachin também se transforma em um recado claro de que não haverá impunidade para quem atenta contra o regime democrático. Segundo ele, a punição não teve caráter de vingança, mas sim de reafirmação do Estado de Direito.
O papel do ministro Alexandre de Moraes
Outro ponto central do discurso foi o reconhecimento ao trabalho conduzido pelo ministro Alexandre de Moraes, relator dos processos relacionados aos ataques. Fachin ressaltou que os julgamentos foram conduzidos pela Primeira Turma do STF e respeitaram os parâmetros legais estabelecidos pela Constituição.
“Sob a relatoria do ministro Moraes e levados a efeito pela Primeira Turma, fazendo jus à concepção segundo a qual quem atenta à democracia deve responder pelo atentado que fez”, declarou Fachin.
Assim, o presidente do STF reforçou que a atuação do Judiciário não foi política, mas institucional. Em outras palavras, as decisões tomadas buscaram preservar o funcionamento das instituições e garantir que episódios semelhantes não voltem a ocorrer.
Os números das condenações
Três anos após os ataques, os dados apresentados pelo STF demonstram a dimensão do trabalho realizado. Até o final do último ano, mais de 810 pessoas foram condenadas por envolvimento direto ou indireto nos atos de 8 de janeiro de 2023. Além disso, 14 pessoas foram absolvidas, e dezenas ainda permanecem foragidas.
Segundo informações da Primeira Turma do STF, responsável por esses julgamentos, do total de condenados:
- 395 pessoas receberam penas por crimes considerados mais graves, como tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado;
- 415 pessoas foram condenadas por crimes menos severos, como incitação, associação criminosa e danos ao patrimônio público.
Esses números, portanto, reforçam a fala de Fachin de que a responsabilização foi feita de forma individualizada, considerando a conduta específica de cada acusado.
A memória como ferramenta de prevenção
Além da responsabilização penal, Fachin destacou a importância da memória institucional. Para ele, relembrar o 8 de janeiro não é apenas um exercício histórico, mas uma forma de prevenir novos ataques.
Nesse contexto, 8 de janeiro, nunca mais, diz Fachin também funciona como um compromisso coletivo. Segundo o ministro, esquecer os acontecimentos seria abrir espaço para que narrativas distorcidas se consolidem, enfraquecendo a democracia.
Portanto, manter viva a memória do episódio é essencial para fortalecer a educação cívica, o respeito às instituições e a confiança no sistema democrático.
Democracia sob constante vigilância
Outro ponto abordado no discurso foi a fragilidade da democracia diante de discursos extremistas. Fachin alertou que o regime democrático não se sustenta sozinho e depende da atuação responsável de autoridades, instituições e cidadãos.
Nesse sentido, ele afirmou que a liberdade de expressão não pode ser confundida com o direito de atacar o Estado Democrático de Direito. Assim, segundo o presidente do STF, críticas são legítimas, mas a violência e a tentativa de ruptura institucional jamais serão toleradas.
Impactos políticos e institucionais
Naturalmente, a declaração de Fachin repercutiu fortemente no meio político e jurídico. Para analistas, a fala reafirma a posição do STF como guardião da Constituição e envia um recado claro a grupos que ainda questionam as decisões judiciais relacionadas ao 8 de janeiro.
Além disso, o discurso também fortalece a narrativa de que o Brasil atravessou uma crise institucional, mas respondeu dentro das regras democráticas. Isso, por sua vez, contribui para a imagem do país no cenário internacional.
Considerações finais
Em síntese, 8 de janeiro, nunca mais, diz Fachin não é apenas uma frase de efeito, mas uma diretriz institucional. Ao relembrar os ataques de 2023, o presidente do STF reafirmou que a democracia brasileira foi testada, mas resistiu.
Portanto, o episódio permanece como um alerta permanente sobre os riscos do extremismo e a importância da defesa intransigente do Estado de Direito. Mais do que punir, o objetivo das instituições, segundo Fachin, é garantir que episódios semelhantes jamais se repitam.
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