Lula afirma que STF “não está dando a mínima” para pressão de Trump, entenda

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não parece muito preocupado com a pressão que vem lá de fora, mais precisamente dos Estados Unidos, onde Donald Trump — de novo ele — estaria tentando puxar os fios pra livrar Jair Bolsonaro (PL) de uma possível condenação. Segundo Lula, essa tentativa de “forçar” uma anistia ao ex-presidente brasileiro não vai colar, e muito menos vai interferir no que o Supremo Tribunal Federal (STF) tá fazendo aqui no Brasil.
Na visão do presidente, o STF está completamente alheio ao que Trump fala ou deixa de falar. “A nossa Suprema Corte não tá nem aí pro que diz o Trump. E nem tem que tá. Assim como a Suprema Corte dos Estados Unidos também não vai se importar se eu fizer alguma crítica a eles”, disparou Lula durante uma entrevista que concedeu à agência Reuters nesta quarta-feira (6 de agosto). A fala foi direta, sem rodeios, como já virou costume nas declarações dele.
Ele também fez questão de frisar que o julgamento de Bolsonaro tá sendo feito com base nos autos e nas delações de quem trabalhou junto com o ex-presidente. “Não tem nada inventado, não”, afirmou, numa tentativa de afastar qualquer narrativa de perseguição política.
Só que Lula foi além. Acusou Bolsonaro de ter se comportado como um ditador, principalmente após perder as eleições de 2022. Segundo ele, o ex-presidente não tava emocionalmente preparado pra encarar uma derrota. “Ele queria se manter no poder a qualquer custo”, disse Lula, numa crítica que vem ganhando força nos bastidores políticos nos últimos meses — especialmente depois que documentos e vídeos começaram a circular mostrando articulações nada democráticas do entorno bolsonarista.
E aí veio a parte mais forte da entrevista. Lula sugeriu que tanto Bolsonaro quanto o filho dele, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), deveriam ser julgados por incentivar sanções dos Estados Unidos contra o Brasil. “O que eles tão fazendo é grave. Estão prejudicando a economia brasileira, os trabalhadores, o país como um todo”, reclamou. E foi além: “Eles deveriam responder por isso, sim. Deveriam ser condenados como traidores da pátria”, cravou.
Esse tipo de acusação tem um peso enorme, principalmente num cenário político ainda turbulento, com investigações rolando e a temperatura das redes sociais sempre nas alturas. Vale lembrar que o ex-presidente Bolsonaro já é réu em um processo que apura uma suposta tentativa de golpe de Estado — uma das acusações mais pesadas desde a redemocratização do país. E esse novo capítulo, envolvendo uma possível interferência internacional, adiciona lenha à fogueira.
A fala de Lula, claro, dividiu opiniões. Tem gente que acha que ele foi direto demais, outros dizem que ele está apenas defendendo a soberania do Brasil. Mas o fato é que a tensão entre os dois lados segue firme. E com os Estados Unidos no meio da história, tudo tende a ficar ainda mais complicado.
Enquanto isso, o STF segue seu caminho, com as togas pesadas e olhos fixos nos autos. Pelo menos por enquanto, parece que ninguém por lá está se deixando levar por ruídos externos — nem mesmo por um certo ex-presidente americano que adora um megafone.




