Presidentes da Câmara e do Senado não vão a ato do 8 de Janeiro no Planalto e ampliam debate político. Os Presidentes da Câmara e do Senado decidiram não comparecer à cerimônia em defesa da democracia marcada para o dia 8 de janeiro, no Palácio do Planalto. O evento, organizado pelo governo federal, tem como objetivo relembrar e condenar os ataques às sedes dos Três Poderes ocorridos em 8 de janeiro de 2023. No entanto, a ausência das principais lideranças do Congresso Nacional reacende discussões sobre o clima político em Brasília e sobre o nível de engajamento institucional na preservação da memória democrática.
Desde já, a decisão dos Presidentes da Câmara e do Senado chama atenção não apenas pelo simbolismo da data, mas também pelo contexto político em que ocorre. Afinal, trata-se de uma cerimônia com forte carga institucional, cujo foco é reforçar o compromisso das autoridades com o Estado Democrático de Direito. Ainda assim, tanto o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), quanto o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), optaram por não estar presentes.
Contexto político e aumento da tensão institucional
Antes de tudo, é importante destacar que o clima político em Brasília vem se mostrando mais sensível nos últimos dias. Isso porque há uma expectativa crescente de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vete o projeto aprovado pelo Congresso Nacional que concede anistia a envolvidos nos atos considerados golpistas. Nesse sentido, a ausência dos Presidentes da Câmara e do Senado passou a ser interpretada por analistas como um possível reflexo desse ambiente de tensão.
Ainda que o Palácio do Planalto negue oficialmente qualquer crise institucional, o fato é que a relação entre Executivo e Legislativo atravessa um momento de cautela. Por conseguinte, cada gesto, cada ausência e cada declaração pública acabam sendo observados com lupa por parlamentares, juristas e pela opinião pública.

Governo nega crise, mas cenário inspira cautela
Apesar das especulações, o presidente Lula tem reiterado que não há ruptura ou crise institucional com o Congresso. Segundo ele, o diálogo com o Senado permanece aberto, especialmente com Davi Alcolumbre. Entretanto, mesmo com essas declarações, a decisão dos Presidentes da Câmara e do Senado de não participar do ato no Planalto alimenta narrativas de distanciamento político.
Além disso, a ausência de Hugo Motta segue uma linha já adotada anteriormente. Assim como Arthur Lira (PP-AL), seu antecessor na presidência da Câmara, Motta também optou por não comparecer às cerimônias realizadas em anos anteriores. Dessa forma, a postura acaba se consolidando como uma prática recorrente na Câmara dos Deputados.
Justificativas oficiais dos Presidentes da Câmara e do Senado
Em entrevista à imprensa, Hugo Motta afirmou que compromissos “pessoais e políticos” na Paraíba inviabilizam sua presença no evento. Contudo, fez questão de destacar que mantém uma relação institucional respeitosa e estável com o governo federal. Ainda assim, a justificativa não foi suficiente para encerrar as críticas.
Enquanto isso, no Senado, a decisão de Davi Alcolumbre também gerou questionamentos. Embora Lula afirme manter diálogo constante com o senador, a ausência do presidente da Casa Alta em um evento dessa magnitude reforça a percepção de que o Congresso, como instituição, tem adotado uma postura mais discreta em relação às cerimônias do 8 de Janeiro.
Congresso não organiza ato próprio em 2026
Diferentemente do Supremo Tribunal Federal e do Palácio do Planalto, o Congresso Nacional optou por não organizar uma solenidade própria para marcar a data em 2026. Essa escolha, por sua vez, também contribui para o debate sobre o grau de envolvimento do Legislativo na preservação simbólica da democracia.
Vale lembrar que o primeiro ato oficial em defesa da democracia promovido pelo Congresso ocorreu apenas em 2024, no Salão Negro do próprio Parlamento. Naquela ocasião, Arthur Lira era esperado, mas acabou não comparecendo, alegando problemas de saúde de um familiar. Como resultado, o evento foi considerado esvaziado politicamente por diversos observadores.
Presença isolada e críticas ao esvaziamento
Na cerimônia de 2024, apenas o então presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), esteve presente entre as principais lideranças do Legislativo. Consequentemente, surgiram críticas de que o Congresso estaria se distanciando do debate público sobre os ataques de 8 de janeiro.
Esse histórico ajuda a compreender por que a ausência atual dos Presidentes da Câmara e do Senado não foi recebida com surpresa, mas sim com preocupação. Afinal, a repetição do gesto reforça a impressão de que o Legislativo prefere manter distância institucional desse tipo de evento simbólico.
Congresso foi o primeiro alvo dos ataques
É fundamental recordar que o Congresso Nacional foi o primeiro prédio invadido durante os ataques de 8 de janeiro de 2023. Ainda que o STF e o Palácio do Planalto também tenham sofrido depredações, foi o Parlamento que enfrentou a destruição inicial.
Somente na Câmara dos Deputados, mais de 400 computadores foram destruídos. Além disso, televisores, telefones, móveis e obras de arte históricas foram vandalizados. Portanto, o impacto material e simbólico sobre o Legislativo foi profundo.
Danos históricos e prejuízos milionários
Segundo levantamento da Polícia Federal em parceria com pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), ao menos 186 obras de arte foram danificadas durante os ataques, distribuídas entre Câmara e Senado. Trata-se de um prejuízo não apenas financeiro, mas também cultural e histórico.
Quando somados os danos ao Congresso, ao STF e ao Palácio do Planalto, o valor das obras afetadas chega a aproximadamente R$ 20 milhões. Já os prejuízos materiais, incluindo equipamentos e estruturas físicas, são estimados em cerca de R$ 12 milhões. Diante desses números, a ausência dos Presidentes da Câmara e do Senado em um ato de memória democrática ganha ainda mais peso simbólico.
Impacto político da ausência institucional dos Presidentes da Câmara e do Senado
Por outro lado, aliados dos presidentes do Legislativo argumentam que a defesa da democracia não se resume à participação em cerimônias. Segundo essa visão, o compromisso institucional se manifesta por meio da atuação legislativa, do respeito à Constituição e do funcionamento regular das instituições.
Ainda assim, críticos sustentam que a presença em atos simbólicos é fundamental para reafirmar valores democráticos, especialmente após episódios de ruptura institucional. Portanto, a decisão dos Presidentes da Câmara e do Senado segue sendo interpretada de maneiras distintas, a depender do posicionamento político de cada grupo.
O peso simbólico do 8 de Janeiro
Sem dúvida, o 8 de janeiro tornou-se uma data de forte carga simbólica no calendário político brasileiro. Assim, eventos organizados para marcar o episódio assumem um papel pedagógico e institucional relevante. Nesse contexto, a ausência das principais lideranças do Congresso tende a ser vista como um sinal político, ainda que oficialmente negado.
Além disso, a postura do Legislativo contrasta com a do Judiciário, que tem se mostrado mais engajado na defesa pública da democracia e na responsabilização dos envolvidos nos ataques.
Considerações finais
Em conclusão, a decisão dos Presidentes da Câmara e do Senado de não participar do ato do 8 de Janeiro no Palácio do Planalto reforça um debate mais amplo sobre o papel das instituições na preservação da memória democrática. Embora o governo negue a existência de uma crise institucional, o gesto amplia questionamentos sobre alinhamento político, simbolismo e responsabilidade histórica.
Assim, enquanto o Executivo e o Judiciário buscam dar visibilidade à data, o Legislativo segue adotando uma postura mais reservada. Resta saber se, nos próximos anos, essa estratégia será mantida ou se haverá uma reaproximação institucional em torno de eventos que simbolizam a defesa da democracia brasileira.
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