Moraes pede manifestação da PGR sobre Smart TV, livros e pastor a Bolsonaro. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), voltou a ocupar o centro do debate político e jurídico nacional ao determinar, nesta sexta-feira (9), que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste, no prazo de até cinco dias, sobre uma série de pedidos apresentados pela defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A decisão, embora técnica, gerou ampla repercussão, sobretudo porque envolve temas sensíveis como condições de custódia, direitos do preso, assistência religiosa e acesso à informação.
Logo de início, Moraes pede manifestação da PGR sobre solicitações que incluem o direito ao uso de uma Smart TV na cela, a participação no programa de remição de pena por leitura e a autorização para receber acompanhamento religioso de um bispo e de um pastor. Além disso, o ministro também determinou que o Ministério Público se manifeste sobre um pedido paralelo feito pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que solicitou uma vistoria institucional na cela onde Bolsonaro está custodiado.
Nesse contexto, a decisão não antecipa qualquer deferimento ou indeferimento dos pedidos, mas, ainda assim, abre espaço para um debate mais amplo sobre direitos fundamentais, limites do sistema prisional e o papel das instituições em casos de grande repercussão política.
Entenda o pedido de Moraes e o papel da PGR
Antes de tudo, é importante destacar que Moraes pede manifestação da PGR como parte do rito processual padrão. Em casos que envolvem medidas relativas à execução penal ou às condições de custódia, o STF costuma ouvir previamente o Ministério Público, que atua como fiscal da lei.
Assim, ao encaminhar os pedidos da defesa para análise da Procuradoria-Geral da República, Moraes busca garantir que qualquer decisão futura esteja amparada por parecer técnico e jurídico. Dessa forma, o procedimento reforça o princípio do contraditório e da legalidade, especialmente em um processo que desperta atenção nacional e internacional.
Ao mesmo tempo, a manifestação da PGR será decisiva para orientar o entendimento do ministro, uma vez que poderá apoiar integralmente, rejeitar ou sugerir ajustes aos pedidos formulados pelos advogados do ex-presidente.

Pedido de remição de pena por leitura
Entre as solicitações apresentadas pela defesa, uma das que mais chamaram atenção foi a inclusão de Bolsonaro no programa de remição de pena por leitura. Nesse sentido, Moraes pede manifestação da PGR sobre a aplicação de um mecanismo já regulamentado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e amplamente adotado em unidades prisionais de todo o país.
De acordo com as regras do programa, cada livro lido pode resultar na redução de até quatro dias da pena, desde que o preso elabore um relatório ou resenha sobre a obra, posteriormente avaliada por uma comissão da unidade prisional. Além disso, o regulamento permite a leitura de até 12 livros por ano, o que pode gerar uma remição total de até 48 dias anuais.
A defesa argumenta que o benefício não é privilégio, mas um direito assegurado a qualquer custodiado que cumpra os critérios estabelecidos. Ainda conforme os advogados, a participação no programa contribui para a ressocialização, o estímulo intelectual e a preservação da dignidade humana, princípios consagrados na Constituição Federal.
Por outro lado, caberá à PGR avaliar se há impedimentos jurídicos ou práticos para a aplicação do programa no caso específico do ex-presidente, considerando o regime de custódia, a unidade prisional e as normas internas da Polícia Federal.
Solicitação de Smart TV na cela
Outro ponto central que motivou a decisão em que Moraes pede manifestação da PGR é o pedido para que Bolsonaro tenha acesso a uma Smart TV. Segundo a defesa, o objetivo não é entretenimento irrestrito, mas sim o acesso à programação jornalística e informativa.
De acordo com os advogados, o contato com notícias e informações atualizadas representa um instrumento legítimo de preservação do vínculo do custodiado com a realidade social, política e institucional do país. Além disso, sustentam que o acesso à informação é um direito fundamental, que não deve ser suprimido de forma desproporcional, mesmo no contexto da prisão.
Entretanto, o tema é controverso. Críticos do pedido argumentam que a concessão de uma Smart TV poderia ser interpretada como tratamento diferenciado, especialmente em comparação às condições enfrentadas pela maioria da população carcerária brasileira. Por isso, a manifestação da PGR será essencial para delimitar os critérios e avaliar a compatibilidade do pedido com a legislação vigente e com o princípio da isonomia.
Assistência religiosa: bispo e pastor
Além disso, Moraes pede manifestação da PGR sobre a solicitação de assistência religiosa, especificamente a autorização para visitas regulares de um bispo e de um pastor. A defesa sustenta que Bolsonaro já recebia acompanhamento religioso semanal durante o período em que esteve em prisão domiciliar, o que, segundo eles, fazia parte de sua rotina espiritual.
Com a mudança para o regime de custódia atual, os advogados afirmam que esse acompanhamento se tornou inviável devido às restrições próprias do ambiente prisional. Dessa forma, o pedido busca restabelecer o direito à liberdade religiosa, garantido pela Constituição, independentemente da condição jurídica do indivíduo.
Vale destacar que a assistência religiosa em estabelecimentos prisionais é prevista em lei e, em tese, deve ser assegurada a todos os detentos. No entanto, a forma, a frequência e os responsáveis pelas visitas costumam ser regulados por normas internas de cada unidade, o que reforça a necessidade de análise técnica por parte da PGR.
Pedido de vistoria na cela feito por Damares Alves
Paralelamente aos pedidos da defesa, a senadora Damares Alves protocolou um requerimento solicitando uma vistoria institucional na cela onde Bolsonaro está custodiado, na Superintendência da Polícia Federal. Diante disso, Moraes pede manifestação da PGR também sobre essa solicitação.
A parlamentar, que preside a Comissão de Direitos Humanos do Senado, justificou o pedido com base em um episódio recente envolvendo uma queda sofrida por Bolsonaro dentro da cela, que teria causado um ferimento na cabeça. Segundo Damares, a vistoria se faz necessária para verificar as condições físicas do local, bem como eventuais riscos à integridade do custodiado.
Nesse ponto, o debate ganha contornos ainda mais sensíveis, pois envolve a atuação do Poder Legislativo em um espaço sob responsabilidade do Judiciário e da Polícia Federal. Assim, a análise da PGR deverá considerar não apenas aspectos humanitários, mas também os limites institucionais e a separação entre os poderes.
Repercussão política e jurídica
Como era de se esperar, a decisão em que Moraes pede manifestação da PGR repercutiu intensamente no meio político. Aliados de Bolsonaro defendem que os pedidos são legítimos e compatíveis com direitos assegurados a qualquer preso. Para eles, negar tais solicitações seria uma violação de garantias fundamentais.
Por outro lado, críticos afirmam que o ex-presidente não deve receber benefícios que não estejam amplamente disponíveis à população carcerária em geral. Segundo esse grupo, qualquer concessão diferenciada pode reforçar a percepção de privilégios e aprofundar a desconfiança nas instituições.
No campo jurídico, especialistas destacam que o despacho de Moraes, por si só, não representa favorecimento, mas apenas o cumprimento do devido processo legal. Ou seja, ao ouvir a PGR, o ministro reforça a necessidade de decisões fundamentadas e tecnicamente embasadas.
O que pode acontecer a partir de agora
A partir da manifestação da PGR, o ministro Alexandre de Moraes deverá analisar os pareceres e decidir se acolhe, rejeita ou concede parcialmente os pedidos. Portanto, Moraes pede manifestação da PGR justamente para subsidiar essa decisão final.
Caso os pedidos sejam deferidos, Bolsonaro poderá ter acesso ao programa de remição por leitura, à Smart TV e à assistência religiosa, desde que respeitadas as normas da unidade prisional. Caso contrário, a defesa ainda poderá recorrer ou apresentar novos argumentos.
Independentemente do desfecho, o caso estabelece mais um precedente relevante sobre a aplicação de direitos fundamentais no contexto da execução penal, especialmente quando envolve figuras públicas de alta projeção.
Conclusão
Em síntese, a decisão em que Moraes pede manifestação da PGR sobre Smart TV, livros e pastor a Bolsonaro não resolve imediatamente as demandas apresentadas, mas inaugura uma etapa decisiva do processo. Ao acionar a Procuradoria-Geral da República, o STF busca respaldo técnico para lidar com um tema que combina direito penal, garantias constitucionais e forte impacto político.
Enquanto isso, o país acompanha atentamente cada desdobramento, ciente de que o caso ultrapassa a figura do ex-presidente e lança luz sobre como o sistema de Justiça brasileiro lida com direitos, deveres e limites no cumprimento da lei.
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