Petrolíferas adotam postura evasiva em reunião com Trump sobre Venezuela após um encontro de alto nível entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e executivos das maiores empresas de energia do setor. Durante essa reunião crucial, realizada nesta sexta-feira (9) na Casa Branca, o que se viu foi uma clara demonstração de cautela e hesitação por parte das companhias petrolíferas, apesar dos esforços de Washington para incentivar investimentos massivos no país sul-americano.
Apesar de serem convidadas pelo governo norte-americano para discutir planos de exploração e produção de petróleo na Venezuela, as empresas presentes deixaram claro que ainda não estão prontas para comprometer capitais significativos ou assumir projetos de longo prazo sob as condições atuais. Além disso, os representantes do setor deixaram transparecer que estão avaliando cuidadosamente os riscos financeiros, jurídicos e políticos antes de qualquer tomada de decisão concreta.
Um encontro marcado por cautela
Em primeiro lugar, as declarações iniciais dos CEOs das principais petrolíferas sinalizaram relutância em firmar compromissos imediatos com o governo venezuelano ou com a Casa Branca. Assim, o CEO da ExxonMobil, Darren Woods, frisou que a Venezuela é atualmente “inviável para investimentos”, citando incertezas legais, instabilidade política e falta de garantias jurídicas e de segurança necessárias para justificar vultosos investimentos no país.
De maneira semelhante, o CEO da ConocoPhillips, Ryan Lance, adotou um tom reservado, não prometendo qualquer plano de expansão ou retorno à Venezuela nesse momento. Além disso, um executivo sênior da Chevron, única das grandes petrolíferas americanas ainda ativa no país, concentrou sua participação em explicitar as operações corriqueiras já em curso, em vez de anunciar novas iniciativas.

Segurança e garantias como pré-condições
Em segundo lugar, um dos pontos centrais da postura evasiva adotada pelas petrolíferas foi a exigência de garantias claras de segurança para possíveis operações na Venezuela. Nesta reunião, executivos expressaram que, sem garantias concretas e mecanismos firmes que protejam seus ativos e funcionários, é praticamente inviável comprometer investimentos da ordem bilionária que o governo americano está propondo.
Em resposta, Donald Trump afirmou que os Estados Unidos estariam preparados para fornecer “proteção” e “segurança total” às empresas interessadas, assegurando que Washington também trabalharia em cooperação com o governo venezuelano para criar um ambiente mais propício à exploração petrolífera. No entanto, ele não detalhou como essas garantias seriam formalizadas ou quais instrumentos legais seriam utilizados para proteger capital estrangeiro, o que manteve os líderes empresariais em posição de espera.
Interesse “enorme”, mas sem compromissos
Além disso, após a reunião, o secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, declarou que existe um “interesse enorme” das petrolíferas em explorar o mercado venezuelano. Ao mesmo tempo, porém, ele deixou claro que nenhuma promessa concreta foi firmada durante o encontro. Wright afirmou que, mesmo entre as companhias já presentes na Venezuela, como a Chevron, há “potencial para aumento de produção”, mas sem garantias sobre aportes financeiros imediatos ou planos formais de expansão.
Esse interesse declarado, porém, não se traduziu em anúncios de investimentos específicos durante a reunião, ressaltando a cautela de empresas que, historicamente, tiveram confrontos com governos venezuelanos e viram ativos serem expropriados durante décadas passadas. Essa postura reflete a memória coletiva de perdas e a necessidade de condições sólidas antes de que compromissos bilionários possam ser assumidos.
A promessa dos US$ 100 bilhões
Por outro lado, no início do encontro, Trump enfatizou a intenção de que as empresas petrolíferas invistam pelo menos US$ 100 bilhões dos seus próprios recursos para desenvolver a infraestrutura petrolífera venezuelana, que foi severamente degradada após anos de má administração, sanções e quedas na produção.
Contudo, grande parte do setor recebeu tal promessa com ceticismo, já que o país enfrenta desafios profundos que vão além da simples necessidade de capital — como insegurança jurídica, disputas sobre direitos de exploração e um ambiente político ainda incerto. Além disso, muitas dessas companhias ainda enfrentam litígios relacionados a ativos confiscados em décadas anteriores, o que adiciona mais camadas de complexidade à decisão de retornar ao país.
Histórico de cautela e desafios para investidores
Não obstante o discurso político e econômico de Trump, as petrolíferas têm boas razões para adotar uma posição conservadora. A Venezuela possui vastas reservas de petróleo, mas sua infraestrutura está profundamente danificada e o retorno ao mercado global demanda reformas estruturais significativas, além de estabilidade jurídica e política duradoura — sem as quais qualquer investimento de grande escala poderia se tornar altamente arriscado.
Por exemplo, a ExxonMobil só retornaria ao país se houvesse reformas substanciais no quadro legal e comercial, segundo relatado por fontes especializadas em energia, que lembram que a empresa considerou Venezuela “impossível de investir” sem mudanças significativas nas regras contratuais.
O papel da Chevron e possíveis caminhos futuros
Ao passo que muitas empresas permaneceram evasivas, a Chevron mantém presença ativa na Venezuela e expressou, por meio de representantes, que vê potencial para aumentar sua produção em até 50% nos próximos 18 a 24 meses, desde que sejam obtidas permissões e aprovações necessárias tanto nos EUA quanto em solo venezuelano.
Essa disposição cautelosa sinalizada pela Chevron não representa um compromisso financeiro imediato, mas mostra que, em tese, existe um caminho para ampliar operações caso os riscos sejam mitigados de maneira satisfatória para todas as partes envolvidas — governos e empresas.
Geopolítica e energia: um tabuleiro complexo
Adicionalmente, essa reunião e a postura evasiva das petrolíferas refletem um contexto geopolítico mais amplo. A estratégia americana para a Venezuela busca não apenas revitalizar um setor energético essencial, mas também reduzir a influência de potências como China e Rússia no contexto global de energia, e ao mesmo tempo aumentar a segurança energética interna.
Porém, tal estratégia cria desafios adicionais: as empresas precisam ponderar não apenas questões de retorno econômico, mas também riscos relacionados à estabilidade política da Venezuela, ao legado de ativos confiscados e a possíveis repercussões legais internacionais que podem influenciar seus conselhos de administração e investidores.
Conclusão: entre risco e oportunidade
Em conclusão, Petrolíferas adotam postura evasiva em reunião com Trump sobre Venezuela porque o cenário atual ainda não oferece segurança e previsibilidade suficientes para justificar decisões de investimento de longo prazo. Enquanto os Estados Unidos tentam atrair capital privado para revitalizar um dos maiores potenciais petrolíferos do mundo, as companhias permanecem cautelosas, aguardando garantias mais concretas e sinais claros de estabilidade jurídica e política antes de se comprometerem com aportes bilionários.
Assim, embora o encontro tenha sido marcado por grandes promessas políticas e discursos de incentivo, o resultado prático até agora é um cenário de avaliação contínua por parte das petrolíferas, sem compromissos firmes ou anúncios de investimentos imediatos.
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