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Líder das Farc na Colômbia pede união de guerrilha para enfrentar EUA

Líder das Farc na Colômbia pede união de guerrilha para enfrentar EUA

Welesson Oliveira 2 semanas ago 0 46

Nos últimos dias, uma declaração de grande repercussão voltou a colocar no centro do debate público regional as dinâmicas da insurgência armada na América do Sul. Isso porque o líder das Farc na Colômbia pede união de guerrilha para enfrentar EUA, em uma mensagem em vídeo que, além de chamar aliados históricos, acende um alerta sobre possíveis mudanças nos rumos dos conflitos internos colombianos e das relações entre grupos rebeldes e potências estrangeiras.

Com efeito, a fala de Nestor Gregorio Vera, mais conhecido como “Iván Mordisco”, não é apenas um grito contra o intervencionismo estrangeiro, mas também um claro convite à reorganização das forças dissidentes que atuam no país. A seguir, explicamos com detalhes o contexto, as motivações, as implicações e os próximos passos possíveis dessa mobilização.

Quem é Iván Mordisco e qual é a sua proposta

A conversa central dessa notícia gira em torno de Nestor Gregorio Vera, o homem que lidera hoje a maior das facções dissidentes das antigas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Sabidamente, após o acordo de paz que o governo colombiano assinou com as Farc em 2016, uma parte significativa dos combatentes optou por desarmar e se integrar à vida civil. No entanto, outra fração — considerada dissidente — manteve operações militares e criminosas, incluindo tráfico de drogas e extração ilegal de ouro.

Assim, em um vídeo recente considerado autêntico pelo próprio grupo a que pertence, o líder das Farc na Colômbia pede união de guerrilha para enfrentar EUA ao afirmar que “a sombra da águia intervencionista paira sobre todos igualmente”.

Líder das Farc na Colômbia pede união de guerrilha para enfrentar EUA
Líder das Farc na Colômbia pede união de guerrilha para enfrentar EUA

O contexto geopolítico que motivou o chamado

Além disso, a convocatória de Vera aparece em um momento em que as tensões na região estão particularmente elevadas. Isso se deve, em parte, à incursão militar dos Estados Unidos na Venezuela que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro, em uma ação que Washington classificou como combate ao crime organizado e ao narcotráfico — enquanto críticos definem como intervenção direta na política de um país soberano.

Nesse cenário, os líderes rebeldes perceberam um risco político e um possível agravamento da presença americana na América Latina, o que, para eles, justificaria uma resposta articulada. Assim, o líder das Farc na Colômbia pede união de guerrilha para enfrentar EUA, em algo que vai além de simples retórica, transformando-se em um apelo explícito por coordenação regional.

O vídeo e a mensagem de união

No vídeo, Vera surge com traje militar e cercado por homens fortemente armados, reforçando a simbologia de resistência. Ele conclamou não apenas seu grupo, mas também aliados históricos como o Exército de Libertação Nacional (ELN), a Segunda Marquetalia e a Junta Coordenadora do Exército Bolivariano — todas organizações com origens ou vínculos com as Farc.

“Pedimos que deixem de lado essas diferenças”, disse ele, enfatizando que as antigas rivalidades dentro das organizações rebeldes devem ser superadas em favor de uma frente única contra o que chama de “intervencionismo imperialista”.

No entanto, nem todos os grupos dissidentes foram incluídos no apelo. Uma das principais facções dissidentes, conhecida como Estado-Maior Central, separou-se da liderança de Vera em 2024 e, portanto, não participou diretamente dessa convocação.

A dimensão numérica e o alcance da proposta

Importante destacar que, juntos, os grupos aos quais Vera propôs a união somam mais de 11 mil combatentes, segundo fontes de segurança.

Embora esse número seja apenas uma estimativa aproximada diante da clandestinidade que cerca as operações guerrilheiras, ele serve para ilustrar que não se trata de uma minoria isolada, mas sim de um conjunto expressivo de forças armadas informais que atuam tanto no território colombiano quanto em áreas de fronteira, especialmente nas regiões ricas em produção de coca e mineração ilegal.

A relação com o Governo colombiano e a política interna

Por outro lado, a posição do líder das Farc na Colômbia pede união de guerrilha para enfrentar EUA também coloca em foco a delicada situação política interna na Colômbia. O presidente Gustavo Petro, que foi membro de grupos guerrilheiros no passado, chegou ao poder prometendo paz e reconciliação após décadas de conflito armado.

No entanto, a atual escalada de tensões com os Estados Unidos — que incluem acusações feitas por Trump, como a de que Petro teria permitido um fluxo de cocaína em direção ao mercado americano, sem provas claras — levou a uma situação em que o governo colombiano se vê pressionado por múltiplas frentes.

Além disso, uma reunião entre Petro e o presidente dos EUA, marcada para fevereiro em Washington, sugere que será necessário aprofundar o diálogo diplomático para evitar uma escalada maior.

Reações oficiais às ameaças e à convocação

Enquanto isso, o ministro da Defesa da Colômbia reagiu ao vídeo convocatório de Vera com ceticismo. Segundo ele, o apelo à união pode refletir mais uma tentativa de sobrevivência da liderança guerrilheira, que enfrenta pressões constantes das forças de segurança estatais, do que um plano realmente concreto e coeso.

De qualquer forma, a repercussão entre especialistas em segurança regional é ampla, com muitos alertando que essa chamada à unidade pode estimular a cooperação entre diferentes facções — ainda que por motivações pragmáticas, como proteger territórios, rotas de tráfico e atividades ilegais comuns.

A ligação com atividades criminosas

Igualmente importante é reconhecer que, embora muitos desses grupos se autodenominem forças insurgentes ou revolucionárias, suas atividades no terreno incluem, em grande parte, crimes como tráfico de drogas e mineração ilegal de ouro, atividades que financiam a sua logística e combatentes.

Essa realidade complica ainda mais a análise da proposta de união, pois ela cruza as fronteiras entre insurgência ideológica, criminalidade organizada e interesses econômicos ilícitos, gerando uma mistura que desafia respostas simples por parte das autoridades colombianas, regionais e internacionais.

As implicações regionais

Além disso, o chamado do líder dissidente não acontece de forma isolada. A operação que retirou Maduro do poder na Venezuela e as reações de outros grupos armados, como o ELN, que também se dizem prontos para resistir ao que consideram “violação da soberania”, formam um quadro em que diversos setores armados na região observam atentamente as ações dos Estados Unidos.

Esse tipo de resposta pode contribuir para um ciclo de tensões que extrapola as fronteiras colombianas e afeta diretamente a estabilidade regional, influenciando o futuro da política interna de países vizinhos e a forma como insurgências, governos e potências externas interagem.

Possíveis cenários futuros

Dado esse contexto tumultuado, o que está em jogo é mais do que uma simples contestação de política externa. O líder das Farc na Colômbia pede união de guerrilha para enfrentar EUA pode ser interpretado tanto como uma resposta retórica a ameaças percebidas quanto como um sinal de que certas facções rebeldes buscam reforçar sua coesão diante de pressões militares, legais e diplomáticas crescentes.

Para muitos analistas, a situação exige reação coordenada do Estado colombiano e de parceiros internacionais para evitar uma escalada ainda maior, que poderia incluir confrontos armados mais intensos, deslocamentos populacionais e impactos diretos sobre a segurança pública nas zonas rurais e urbanas afetadas por atividades guerrilheiras e tráfico de drogas.

Conclusão

Em suma, o apelo de Nestor Gregorio Vera, mais conhecido como Iván Mordisco, representa um ponto de inflexão importante no complexo tabuleiro geopolítico da América Latina. Ao convocar diferentes grupos rebeldes para se unirem contra o que classificam como intervenção americana, Vera não apenas tenta fortalecer uma frente insurgente, mas também sinaliza para o mundo que existem forças na região que rejeitam a influência externa e estão dispostas a coordenar estratégias de resposta.

Esse episódio, além de revelar tensões profundas entre grupos armados e potências estrangeiras, coloca em relevo a necessidade de soluções políticas duradouras que considerem tanto as causas estruturais do conflito quanto os riscos de escalada militar e criminal que continuam a desafiar a paz duramente conquistada em décadas passadas.

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Escrito Por

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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