Secretários pressionam Lula por nome técnico para substituir Ricardo Lewandowski no Ministério da Justiça e Segurança Pública, em um movimento que ganhou força logo após a confirmação da saída do ex-ministro. A vacância no comando da pasta estratégica abriu uma corrida silenciosa — porém intensa — nos bastidores de Brasília, envolvendo governadores, secretários estaduais, lideranças partidárias e o próprio Palácio do Planalto.
Desde então, a sucessão de Lewandowski deixou de ser apenas uma decisão administrativa e passou a ser vista como uma escolha política central para o governo Lula, especialmente em um ano pré-eleitoral, no qual a segurança pública deve ocupar papel de destaque no debate nacional.
Pressão dos estados entra em cena
Logo após o anúncio da saída de Lewandowski, o Conselho de Secretários de Segurança Pública (Consesp), que reúne representantes dos 27 estados e do Distrito Federal, intensificou articulações junto ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O objetivo, segundo integrantes do colegiado, é garantir que o próximo titular da pasta tenha perfil técnico, experiência prática na área e capacidade real de diálogo com os governos estaduais.
Nesse contexto, Secretários pressionam Lula por nome que vá além de critérios exclusivamente políticos. A avaliação predominante entre os gestores estaduais é de que a segurança pública exige decisões baseadas em dados, integração operacional e articulação federativa — pontos que, na visão deles, ficaram aquém do esperado na gestão de Lewandowski.

Dois nomes ganham força entre os secretários
Atualmente, dois nomes são defendidos formalmente pelo Consesp e já chegaram ao conhecimento do presidente da República.
O primeiro é Chico Lucas, atual secretário de Segurança Pública do Piauí. O segundo é Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, que também é visto com bons olhos dentro do Palácio do Planalto.
Ambos representam, segundo os secretários, perfis técnicos capazes de conduzir a pasta em um momento sensível para o país.
Chico Lucas: perfil técnico com experiência nos estados
No caso de Chico Lucas, os secretários argumentam que ele reúne características raras para o cargo. Formado em Direito, Lucas construiu carreira como policial rodoviário federal, foi procurador do Estado e presidiu a Ordem dos Advogados do Brasil no Piauí.
Além disso, Secretários pressionam Lula por nome que compreenda, simultaneamente, os aspectos jurídicos e operacionais da segurança pública — algo que, segundo eles, Chico Lucas representa de forma equilibrada.
Durante sua gestão no Piauí, o estado apresentou queda significativa nos índices de crimes violentos e patrimoniais, resultado atribuído a políticas integradas, investimentos em inteligência e diálogo com as forças policiais.
Outro ponto destacado é o fato de Chico Lucas ser filiado ao PT, o que facilitaria sua adaptação à lógica política do governo Lula, sem abrir mão do caráter técnico exigido pela função.
Críticas veladas à gestão Lewandowski
Embora os secretários evitem críticas públicas diretas a Ricardo Lewandowski, nos bastidores há uma avaliação clara de que a interlocução entre o Ministério da Justiça e os estados foi limitada durante sua gestão.
Segundo relatos, faltou maior escuta ativa das demandas regionais, especialmente em temas como financiamento da segurança, enfrentamento ao crime organizado e políticas de inteligência integradas.
Por isso, Secretários pressionam Lula por nome que tenha trânsito natural com os governos estaduais, conheça a realidade local e seja capaz de transformar decisões federais em ações concretas nos territórios.
Andrei Rodrigues: aposta no combate ao crime organizado
O segundo nome defendido pelo Consesp é o de Andrei Rodrigues, atual diretor-geral da Polícia Federal. A escolha se baseia, sobretudo, no histórico de atuação da PF no enfrentamento ao crime organizado, lavagem de dinheiro e corrupção.
Rodrigues é visto como um quadro técnico sólido, com experiência administrativa e perfil institucional. Além disso, ele mantém relação de confiança com o presidente Lula, tendo sido responsável pela segurança do então candidato durante a campanha presidencial de 2022.
Antes disso, Andrei Rodrigues também ocupou cargos de liderança durante grandes eventos, como os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, o que reforça sua imagem de gestor preparado para situações complexas.
Segurança pública como bandeira eleitoral
Outro fator que explica por que Secretários pressionam Lula por nome técnico é o peso político da segurança pública nas eleições. Integrantes do governo reconhecem que o tema deve ser uma das principais bandeiras da campanha de reeleição do presidente.
Nesse sentido, uma escolha acertada para o Ministério da Justiça e Segurança Pública pode ajudar Lula a responder críticas da oposição e demonstrar compromisso com o combate à criminalidade.
Além disso, a indicação de um nome técnico poderia sinalizar ao eleitorado que o governo busca soluções práticas, e não apenas discursos ideológicos.
Debate sobre recriação do Ministério da Segurança Pública
Paralelamente à discussão sobre o sucessor de Lewandowski, voltou ao centro do debate a possibilidade de desmembrar o atual Ministério da Justiça e Segurança Pública.
No último sábado (10), o Consesp divulgou uma nota pública defendendo a recriação do Ministério da Segurança Pública, separado da Justiça. Segundo o colegiado, o momento seria “oportuno e estratégico” para essa divisão.
De acordo com os secretários, Secretários pressionam Lula por nome técnico também porque acreditam que a complexidade da segurança pública exige dedicação exclusiva, estrutura própria e liderança especializada.
Condição imposta por Lula
O próprio presidente Lula já sinalizou, em reuniões internas, que pretende recriar o Ministério da Segurança Pública. No entanto, ele condicionou a mudança à aprovação da chamada PEC da Segurança no Congresso Nacional.
A proposta busca redefinir competências federativas, ampliar a cooperação entre União, estados e municípios e criar novos instrumentos de financiamento para a área.
Lewandowski, inclusive, deixou o cargo poucos dias depois de se despedir oficialmente da equipe, abrindo espaço para que essa reconfiguração administrativa volte à pauta.
Um terceiro nome no radar do Planalto
Apesar da pressão dos secretários, o Palácio do Planalto também avalia outros nomes. Entre eles, ganhou força o jurista Wellington César Lima e Silva, que já ocupou o Ministério da Justiça em 2016, durante o governo Dilma Rousseff.
Na atual gestão Lula 3, Wellington César atuou como secretário de Assuntos Jurídicos da Casa Civil, um cargo estratégico que mantém contato direto com o presidente da República.
Sua experiência institucional e bom trânsito político fazem dele uma alternativa considerada viável, especialmente caso Lula opte por uma solução mais jurídica do que operacional.
Dilema entre técnica e política
O cenário revela um dilema clássico do governo: equilibrar critérios técnicos com necessidades políticas. Enquanto Secretários pressionam Lula por nome com perfil operacional, setores do PT e aliados avaliam o impacto da escolha no Congresso, na base aliada e no debate eleitoral.
A decisão final caberá exclusivamente ao presidente, que costuma ponderar múltiplos fatores antes de anunciar mudanças ministeriais.
Conclusão: escolha estratégica com impacto nacional
Em resumo, Secretários pressionam Lula por nome técnico para substituir Lewandowski porque enxergam na segurança pública um dos principais desafios do país — e também um dos maiores riscos políticos para o governo.
A definição do novo ministro, ou mesmo a recriação de uma pasta específica para segurança, terá impacto direto na relação federativa, na percepção pública do governo e no desempenho eleitoral de Lula.
Mais do que uma simples troca de comando, trata-se de uma decisão estratégica que pode definir o rumo da política de segurança pública nos próximos anos.
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