Defesa de Bolsonaro recorre e volta a movimentar o cenário político e jurídico nacional ao apresentar um novo recurso ao Supremo Tribunal Federal (STF). Nesta segunda-feira (12), os advogados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) protocolaram um pedido formal para que o plenário da Suprema Corte reavalie a condenação já transitada em julgado que impôs ao ex-chefe do Executivo uma pena de 27 anos e três meses de prisão.
Embora o caso já tenha sido oficialmente encerrado do ponto de vista processual, a estratégia da defesa demonstra que o embate jurídico ainda está longe de perder relevância política e institucional. Afinal, trata-se de uma das condenações mais emblemáticas da história recente do país, envolvendo um ex-presidente da República e acusações ligadas a ataques diretos ao Estado Democrático de Direito.
Novo recurso reacende debate no Supremo
Antes de tudo, é importante destacar que o recurso apresentado pela defesa de Bolsonaro é classificado como um agravo regimental. Esse tipo de instrumento jurídico, em linhas gerais, é utilizado para contestar decisões monocráticas — ou seja, tomadas individualmente por um ministro — e solicitar que o colegiado do tribunal reexamine a matéria.
Nesse caso específico, os advogados pedem que o ministro Alexandre de Moraes, relator da ação penal, reconsidere sua decisão anterior “em juízo de retratação”. Caso isso não ocorra, a defesa solicita que o recurso seja submetido ao plenário do STF, permitindo que todos os ministros se manifestem sobre o pedido.
Dessa forma, ainda que o processo já tenha transitado em julgado, a defesa aposta em uma interpretação alternativa do regimento interno do Supremo para tentar reabrir a discussão.

Recurso semelhante já havia sido negado
Entretanto, é fundamental lembrar que essa não é a primeira tentativa dos advogados de Bolsonaro de levar o caso ao plenário. Em dezembro, um pedido com conteúdo semelhante foi analisado e rejeitado por Alexandre de Moraes. Na ocasião, o ministro afirmou de forma categórica que o tipo de recurso apresentado não era cabível, uma vez que a ação penal já havia sido concluída.
Mesmo assim, a defesa insiste no argumento de que houve cerceamento do direito de defesa e que o julgamento deveria ter ocorrido desde o início no plenário, e não em uma das turmas do Supremo.
Assim, ao reapresentar o pedido, os advogados buscam criar uma nova oportunidade de debate interno na Corte, apostando em divergências entre os ministros e em possíveis mudanças de entendimento.
Condenação já transitou em julgado
Um dos pontos centrais do debate é o fato de que a condenação de Jair Bolsonaro transitou em julgado em 25 de novembro. Em termos jurídicos, isso significa que todos os recursos possíveis foram apresentados, analisados e rejeitados, encerrando definitivamente a ação penal.
A partir dessa data, portanto, Bolsonaro passou a cumprir a pena imposta pelo STF, o que torna ainda mais controversa a tentativa de reabrir o processo. Para especialistas em direito constitucional, esse detalhe reforça a tese de que o recurso tem poucas chances de prosperar.
Por outro lado, a defesa sustenta que a existência de um voto vencido relevante — no caso, do ministro Luiz Fux — justificaria uma reavaliação do julgamento pelo plenário da Corte.
O papel do voto vencido de Luiz Fux
Grande parte da argumentação dos advogados de Bolsonaro se apoia no voto vencido do ministro Luiz Fux. Durante o julgamento que resultou na condenação, Fux se posicionou pela absolvição do ex-presidente, entendendo que não havia provas suficientes para sustentar as acusações.
Além disso, após proferir seu voto, Luiz Fux deixou a Primeira Turma do STF, o que, segundo a defesa, reforçaria a necessidade de que o plenário analisasse a divergência apresentada.
Dessa maneira, os advogados afirmam que a existência de um voto dissidente tão relevante deveria, por si só, justificar a anulação da ação penal ou, ao menos, sua reapreciação pelo conjunto dos ministros.
Crimes atribuídos ao ex-presidente
A condenação de Jair Bolsonaro envolve uma série de crimes considerados graves e de forte impacto institucional. Entre eles, estão:
- Pertencimento a organização criminosa
- Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito
- Tentativa de golpe de Estado
- Dano qualificado com violência e grave ameaça contra o patrimônio da União
- Deterioração de patrimônio tombado
Segundo a decisão do STF, as condutas atribuídas ao ex-presidente extrapolaram o debate político e configuraram ações concretas contra a ordem constitucional.
Por outro lado, a defesa sustenta que Bolsonaro não participou diretamente de atos violentos, não comandou ações de depredação e tampouco teria dado ordens explícitas para a prática dos crimes pelos quais foi condenado.
Estratégia jurídica e impacto político
Ainda que as chances jurídicas do recurso sejam consideradas limitadas por grande parte dos analistas, o movimento da defesa tem um claro impacto político. Ao insistir na revisão da condenação, Bolsonaro e seus aliados mantêm o tema em evidência, reforçando a narrativa de que o ex-presidente seria vítima de perseguição judicial.
Além disso, o recurso ajuda a mobilizar a base política do ex-presidente, mantendo seus apoiadores engajados e atentos aos desdobramentos no Supremo Tribunal Federal.
Nesse sentido, mesmo uma eventual nova negativa por parte do STF pode ser explorada politicamente, alimentando discursos e debates nas redes sociais e no Congresso Nacional.
Possíveis desdobramentos no STF
Do ponto de vista processual, o primeiro passo será a análise do pedido pelo ministro Alexandre de Moraes. Caso ele mantenha sua posição anterior, o recurso poderá, ou não, ser encaminhado ao plenário, dependendo da interpretação do regimento interno.
Se o caso chegar ao plenário, todos os ministros terão a oportunidade de se manifestar, o que poderia gerar novos votos, debates públicos e forte repercussão nacional. No entanto, se o pedido for novamente rejeitado de forma monocrática, a condenação permanece intacta.
Enquanto isso, o STF segue sob os holofotes, uma vez que decisões envolvendo ex-presidentes costumam produzir efeitos que vão muito além do campo jurídico.
Repercussão e expectativa da sociedade
Por fim, a sociedade acompanha com atenção cada novo capítulo do caso. Para alguns, o recurso representa o exercício legítimo do direito de defesa. Para outros, trata-se de uma tentativa de prolongar um processo já encerrado, com objetivos mais políticos do que jurídicos.
De todo modo, a Defesa de Bolsonaro recorre e pede que o plenário do STF reveja a condenação, mantendo viva uma discussão que toca em temas sensíveis como democracia, separação de Poderes e limites da atuação judicial.
Assim, independentemente do desfecho, o episódio reforça a centralidade do Supremo Tribunal Federal no atual cenário político brasileiro e evidencia como decisões judiciais podem influenciar profundamente o debate público nacional.
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