MST articula brigada para defender chavismo na Venezuela, em uma nova etapa de engajamento político e mobilização internacional que tem chamado a atenção de observadores, políticos, militantes sociais e setores da sociedade civil. O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) anunciou sua intenção de formar grupos de apoiadores que, segundo a própria organização, seriam enviados ao país vizinho para “contribuir com a defesa da soberania venezuelana” diante de uma possível ofensiva militar dos Estados Unidos e de pressões externas sobre o regime chavista liderado por Nicolás Maduro.
Embora essa não seja a primeira vez que o movimento se envolve com questões que ultrapassam as fronteiras brasileiras, a atual articulação representa um aumento considerável na expressão pública de solidariedade ao governo venezuelano e em prol da política chavista, reforçando laços históricos e ampliando o escopo de atuação internacional do MST.
Origem e contexto da brigada
O MST já mantém, há mais de duas décadas, presença na Venezuela por meio de programas cooperativos com foco na agricultura familiar, produção de alimentos orgânicos e apoio às comunidades rurais que integram o projeto sociopolítico chavista. Desse modo, a articulação de uma brigada internacional insere-se não apenas na tradição de cooperação técnica, mas também em um posicionamento político mais explícito, voltado à defesa ativa da soberania venezuelana.
Assim sendo, a proposta de MST articula brigada para defender chavismo não se limita à cooperação rural ou agrícola, mas se estende à promoção de um conjunto de ações que visam fortalecer as comunas venezuelanas, apoiar movimentos sociais locais e contrapor narrativas críticas à administração de Nicolás Maduro.

Objetivos declarados da mobilização
Segundo documentos e comunicados do próprio movimento, a brigada teria como principal meta atuar em solidariedade com o povo venezuelano, apoiando a defesa da soberania do país e o fortalecimento das organizações comunitárias — conhecidas como comunas — que são pilares da estrutura social e política bolivariana. Para o MST, tais ações reforçam a cooperação internacionalista entre movimentos sociais de orientação similar.
Por outro lado, em meio ao anúncio, o movimento também apresentou um plano de comunicação e mobilização que inclui a criação de um boletim diário chamado “Venezuela em Foco”, que, segundo seus coordenadores, teria a missão de difundir informações verificadas sobre a conjuntura da Venezuela e combater o que consideram desinformação e narrativas tendenciosas da grande mídia internacional.
Mobilizações e calendário de ações
Além da brigada, o MST divulgou um calendário de mobilizações previstas para o mês de janeiro, reforçando sua estratégia de MST articula brigada para defender chavismo por meio de ações coordenadas. Entre essas atividades, destacam-se vários eventos públicos de debate e mobilização:
- 17 de janeiro: Plenária Nacional de Mobilização com o tema “Liberdade para Maduro e Cília, já! Fora Trump da América Latina!”.
- 19 a 23 de janeiro: Plenárias estaduais em diferentes regiões do Brasil, com foco em engajar bases locais para o movimento.
- 20 de janeiro: “Dia de conscientização nas redes, nos meios de comunicação e nos territórios das organizações”, engajando militantes a disseminar a campanha “Fora Trump da América Latina”.
- 28 de janeiro: Programado como o “Dia Continental de Mobilização — Liberdade para Maduro e Cília, já! Fora Trump da América Latina”, uma data em que movimentos sociais em cidades latino-americanas buscam sincronizar manifestações.
Portanto, o movimento não apenas articula uma brigada com intenções de ir à Venezuela, mas também desenvolve uma série de medidas para organizar um campo de solidariedade e pressão política em nível internacional.
Crítica, apoio e posicionamentos políticos
A articulação da brigada e o calendário de ações propostas pelo MST ampliam um debate já existente sobre a atuação de movimentos sociais brasileiros em temas geopolíticos. De um lado, integrantes e apoiadores defendem que essa mobilização representa solidariedade entre povos, cooperação entre movimentos populares e resistência a políticas consideradas imperialistas ou intervencionistas por parte dos Estados Unidos.
Por outro lado, críticos da iniciativa destacam que a atuação política externa de grupos como o MST pode gerar tensões diplomáticas, sobretudo em um momento em que a Venezuela vive uma fase de forte embate com o governo norte-americano liderado por Donald Trump, cuja retórica e ações contra o regime chavista têm sido denunciadas pelo movimento como imperialistas.
MST e o chavismo: uma relação histórica
A relação entre o MST e o chavismo não é isolada nem recente. Nos últimos anos, o movimento participou de eventos na Venezuela, celebrou conquistas do regime e emitiu declarações de apoio a Maduro em diversas ocasiões, como em sua reeleição. Esse apoio anterior já havia sido registrado quando representantes do movimento e de outras organizações brasileiras manifestaram solidariedade ao regime bolivariano nas redes sociais e em pronunciamentos públicos.
Dessa maneira, a articulação da brigada ocorre em um contexto de profunda interação política e social entre o MST e setores do governo venezuelano, o que reforça a ideia de que as relações extrapolam a assistência técnica e chegam à expressão de compromisso ideológico e estratégico.
Desafios logísticos e repercussões diplomáticas
Entretanto, MST articula brigada para defender chavismo implica, necessariamente, desafios logísticos, legais e diplomáticos que não podem ser ignorados. A movimentação de cidadãos entre países para fins de apoio político precisa respeitar a legislação de imigração, as normas internacionais e os limites de atuação de grupos não estatais em território estrangeiro.
Também cresce o debate sobre quais seriam as consequências dessa articulação para as relações entre Brasil, Venezuela e Estados Unidos, considerando o atual cenário geopolítico tenso. Especialistas em relações internacionais alertam que iniciativas de movimentos sociais podem ser interpretadas de formas diversas pelas partes envolvidas e que isso possivelmente terá impactos nos posicionamentos oficiais de governos e organismos internacionais.
Conclusão
Em suma, MST articula brigada para defender chavismo na Venezuela se apresenta como um conjunto de ações estratégicas que mesclam solidariedade internacional, posicionamento político explícito e mobilização social coordenada. Ao mesmo tempo, a iniciativa levanta questões importantes sobre a atuação de movimentos sociais em arenas geopolíticas, os limites da solidariedade internacional e os efeitos dessas mobilizações no jogo diplomático entre países.
À medida que as ações previstas no calendário se desenrolam, e conforme as reações internas e externas se consolidam, a articulação do MST poderá se tornar um ponto de referência nas discussões que tratam das inter-relações entre movimentos sociais, política internacional e conflitos ideológicos contemporâneos.











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