Como Dino e Mendonça dividem as investigações sobre o filme “Dark Horse” e por que o caso está no STF
As investigações envolvendo o financiamento do filme “Dark Horse”, produção inspirada na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), passaram a ocupar espaço no centro das discussões jurídicas e políticas em Brasília. Isso porque duas frentes distintas de apuração foram abertas pela Polícia Federal, cada uma autorizada por um ministro diferente do Supremo Tribunal Federal (STF). Embora ambas tenham como objetivo esclarecer a origem dos recursos utilizados na produção cinematográfica, elas surgiram de fatos distintos e seguem caminhos processuais independentes. Dessa maneira, Como Dino e Mendonça dividem as investigações tornou-se uma das principais dúvidas sobre o caso, especialmente após a defesa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) solicitar que todos os procedimentos fossem reunidos sob a relatoria do ministro André Mendonça. Enquanto o pedido ainda aguarda análise do presidente do STF, ministro Edson Fachin, as duas investigações continuam sendo conduzidas paralelamente.
Como Dino e Mendonça dividem as investigações em apurações com origens diferentes
Embora tenham o mesmo objeto de interesse — o financiamento do filme “Dark Horse” —, as duas investigações nasceram em contextos completamente diferentes. De um lado, o ministro Flávio Dino já conduzia processos relacionados à fiscalização da aplicação de emendas parlamentares, especialmente aquelas destinadas a entidades privadas e organizações sociais. Foi justamente durante esse conjunto de investigações que surgiram questionamentos envolvendo recursos públicos destinados ao Instituto Conhecer Brasil, presidido por Karina da Gama, que também está ligada à produtora responsável pela cinebiografia ainda inédita de Jair Bolsonaro. Assim, o foco da investigação autorizada por Dino não era originalmente o filme. Entretanto, após um pedido apresentado pelos deputados federais Tabata Amaral (PSB-SP) e Henrique Vieira (PSOL-RJ), o tema passou a integrar o inquérito já existente, ampliando o escopo das apurações sobre a destinação de verbas públicas.
Investigação conduzida por André Mendonça tem foco diferente
Enquanto isso, a investigação autorizada pelo ministro André Mendonça possui origem distinta. Nesse caso, o procedimento surgiu durante as apurações relacionadas ao chamado caso Banco Master, que envolve suspeitas de irregularidades financeiras atribuídas ao empresário Daniel Vorcaro, controlador da instituição financeira. Durante o andamento desse inquérito, informações encaminhadas aos investigadores levantaram a hipótese de que recursos supostamente vinculados ao empresário poderiam ter sido utilizados para financiar a produção do filme “Dark Horse”. Posteriormente, após manifestação favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR), foi autorizada a abertura de uma investigação específica para verificar essa possibilidade. Dessa forma, a Polícia Federal passou a analisar se houve movimentações financeiras que possam estabelecer eventual ligação entre recursos ligados ao empresário e o custeio da produção cinematográfica.
Diferenças entre os objetos das duas investigações
Apesar de tratarem do mesmo filme, as duas apurações possuem objetos jurídicos distintos. No procedimento relatado por Flávio Dino, busca-se esclarecer se recursos oriundos de emendas parlamentares foram destinados de maneira compatível com a legislação vigente e se houve eventual utilização inadequada dessas verbas públicas. Entre os valores sob análise estão aproximadamente R$ 2 milhões destinados ao Instituto Conhecer Brasil, entidade que passou a ser examinada em razão da conexão existente com a produtora do filme. Já na investigação conduzida por André Mendonça, o foco concentra-se na possível origem privada dos recursos utilizados na produção, especialmente quanto à hipótese de eventual participação financeira relacionada ao empresário Daniel Vorcaro. Em consequência disso, embora as diligências possam alcançar fatos semelhantes, os fundamentos jurídicos analisados permanecem diferentes.
Defesa de Flávio Bolsonaro pede unificação das investigações
Diante da existência de duas frentes simultâneas de investigação, a defesa do senador Flávio Bolsonaro apresentou pedido ao presidente do STF para que ambos os procedimentos fossem reunidos sob uma única relatoria. Segundo os advogados, a investigação relacionada às emendas parlamentares teria incorporado o tema do filme apenas porque um pedido específico foi protocolado pelos parlamentares Tabata Amaral e Henrique Vieira dentro de um processo que já estava sob responsabilidade de Flávio Dino. Por esse motivo, a defesa sustenta que não haveria prevenção suficiente para manter o caso dividido entre dois gabinetes. Além disso, os advogados argumentam que a concentração dos procedimentos evitaria a realização de diligências repetidas, reduziria o risco de decisões divergentes e proporcionaria maior uniformidade à condução processual.
Papel do STF e da Polícia Federal na condução do caso
No sistema jurídico brasileiro, investigações que envolvem autoridades com foro por prerrogativa de função ou fatos relacionados a processos sob competência do Supremo Tribunal Federal costumam ser supervisionadas por ministros da Corte. Nesse contexto, a Polícia Federal realiza as diligências investigativas, enquanto medidas mais sensíveis, como quebras de sigilo, buscas ou outras providências cautelares, dependem de autorização judicial quando exigidas pela legislação. Paralelamente, a Procuradoria-Geral da República acompanha os procedimentos e se manifesta sempre que necessário. Dessa maneira, tanto a investigação conduzida por Flávio Dino quanto aquela autorizada por André Mendonça seguem o rito processual previsto para inquéritos sob supervisão do STF, preservando a autonomia de cada relatoria enquanto não houver decisão diferente por parte da Presidência da Corte.
Caso segue em andamento e decisão sobre a relatoria ainda é aguardada
Até o momento, não houve decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal sobre o pedido apresentado pela defesa de Flávio Bolsonaro para unificar as investigações. Assim, os dois procedimentos continuam sendo conduzidos separadamente pela Polícia Federal, cada um analisando aspectos distintos relacionados ao financiamento do filme “Dark Horse”. Enquanto uma investigação busca esclarecer a regularidade da aplicação de recursos provenientes de emendas parlamentares, a outra procura verificar a eventual existência de repasses financeiros ligados ao empresário investigado no caso Banco Master. Portanto, Como Dino e Mendonça dividem as investigações permanece sendo um dos principais pontos jurídicos do caso, cuja evolução dependerá tanto do andamento das diligências quanto das futuras decisões que vierem a ser proferidas pelo Supremo Tribunal Federal.











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