Atlas/Bloomberg divulga pesquisa sobre percepção dos brasileiros a respeito das tarifas dos EUA

Atlas/Bloomberg divulga pesquisa sobre percepção dos brasileiros a respeito das tarifas dos EUA. Atlas/Bloomberg: pesquisa aponta divisão de opiniões sobre responsabilidade por tarifas dos EUA ao Brasil
Uma pesquisa divulgada pela AtlasIntel em parceria com a Bloomberg indica como os brasileiros avaliam as responsabilidades pelo aumento das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. O levantamento mostra que os entrevistados estão divididos quanto à origem da crise comercial, com percentuais próximos entre aqueles que atribuem maior responsabilidade à família Bolsonaro e os que responsabilizam o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os dados refletem o debate público em torno das recentes medidas adotadas por Washington e do impacto diplomático e econômico provocado pela decisão.
Levantamento aponta percepções dos entrevistados
De acordo com a pesquisa, 45,4% dos participantes afirmaram considerar que a família Bolsonaro é a principal responsável pelo atual cenário envolvendo as tarifas americanas. Em seguida, 41,5% atribuíram a responsabilidade ao governo federal liderado por Luiz Inácio Lula da Silva. Outros 8,5% avaliaram que ambos possuem responsabilidade equivalente pela situação, enquanto 2,5% responderam que nenhum dos dois grupos é responsável. Além disso, 2,1% dos entrevistados declararam não saber ou preferiram não responder.
O levantamento também investigou a percepção dos brasileiros sobre a capacidade de influência da família Bolsonaro nas decisões adotadas pelo governo dos Estados Unidos. Segundo os resultados, 32,3% acreditam que existe grande influência, enquanto 21,9% consideram haver alguma influência. Por outro lado, 31,6% afirmaram não enxergar qualquer influência nas decisões de Washington relacionadas ao Brasil. Outros 12,5% avaliaram que essa influência seria pequena, e 1,8% não apresentaram resposta.
Como a pesquisa foi realizada
Segundo a AtlasIntel, o estudo ouviu 5.021 pessoas entre os dias 22 e 27 de julho por meio de recrutamento digital aleatório, metodologia utilizada pela empresa em diferentes levantamentos de opinião pública. A margem de erro informada é de um ponto percentual para mais ou para menos, considerando um nível de confiança de 95%. Os resultados representam um retrato das percepções dos entrevistados durante o período da coleta de dados e não indicam conclusões sobre fatos ou responsabilidades jurídicas.
Entenda o contexto das novas tarifas
As novas tarifas impostas pelos Estados Unidos fazem parte de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). O procedimento foi aberto com base na Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana, instrumento utilizado pelo governo americano para avaliar práticas comerciais consideradas prejudiciais aos interesses do país. Após a conclusão da análise, foi anunciada uma nova sobretaxa de 25% sobre determinados produtos brasileiros, percentual que passou a ser aplicado em conjunto com tarifas anteriormente existentes.
A investigação teve início após o anúncio de medidas comerciais feito pelo governo americano em 2025. Durante o processo, foram analisadas diversas políticas públicas brasileiras relacionadas ao comércio internacional, incluindo regras sobre serviços digitais, sistemas de pagamento eletrônico, proteção à propriedade intelectual, acesso do etanol norte-americano ao mercado brasileiro, regimes tarifários concedidos a parceiros comerciais e políticas ambientais. Segundo o USTR, o conjunto dessas práticas motivou a adoção das medidas tarifárias anunciadas.
Pontos analisados pelo governo dos Estados Unidos
Entre os temas destacados pelo órgão americano estão o funcionamento do sistema de pagamentos Pix, apontado como um fator que, na avaliação das autoridades dos Estados Unidos, poderia favorecer operadores nacionais em relação a empresas estrangeiras. Também foram mencionadas questões envolvendo barreiras comerciais ao etanol produzido nos Estados Unidos e acordos tarifários preferenciais firmados pelo Brasil com determinados parceiros internacionais. O governo americano declarou que busca condições consideradas equivalentes para empresas de ambos os países nas relações comerciais.
Outro aspecto abordado durante a investigação foi a política ambiental brasileira. Segundo o USTR, embora exista legislação voltada ao combate ao desmatamento ilegal, haveria preocupação quanto à efetividade da aplicação dessas normas. Esse tema foi incluído entre os elementos considerados durante a análise das relações comerciais entre os dois países.
Produtos excluídos e próximos passos
Apesar da ampliação das tarifas, alguns produtos brasileiros permaneceram fora da nova rodada de sobretaxas. Entre eles estão o café e a carne bovina, além de diversos outros itens considerados estratégicos para a economia norte-americana ou cuja oferta internacional é limitada. Também foram previstas exceções para determinados produtos farmacêuticos, componentes utilizados pela indústria aeronáutica, pescados, couros, ferro-gusa, hidróxido de alumínio e mel orgânico, entre outros.
O governo dos Estados Unidos informou ainda que pretende ampliar as negociações comerciais com o Brasil com base no princípio da reciprocidade e espera obter acesso a condições semelhantes às concedidas pelo país a outros parceiros comerciais. Ao mesmo tempo, autoridades americanas indicaram que novas medidas poderão ser avaliadas caso não haja avanços nas discussões. Enquanto isso, o tema continua sendo acompanhado pelos setores produtivos, pelo governo brasileiro e por analistas das relações internacionais, diante dos possíveis impactos sobre o comércio bilateral e a economia dos dois países.




