Michelle faltou a anúncio de vice para fazer comida, diz Damares

A ausência da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro no evento que oficializou o deputado Alfredo Gaspar como candidato a vice na chapa de Flávio Bolsonaro para a Presidência chamou a atenção e rapidamente se tornou um dos assuntos mais comentados nos bastidores políticos. Embora a expectativa fosse de que ela participasse do anúncio realizado na sede do Partido Liberal (PL), em Brasília, Michelle permaneceu em casa. A explicação foi apresentada pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que afirmou que a ex-primeira-dama estava dedicada aos cuidados com o marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro, preparando sua alimentação no momento em que a cerimônia acontecia. Segundo a parlamentar, não há qualquer problema na relação entre Michelle e Flávio, apesar das especulações surgidas nas últimas semanas.
De acordo com Damares Alves, a equipe chegou a tentar convencer Michelle a comparecer ao evento, mas ela preferiu permanecer em casa para acompanhar Jair Bolsonaro. A senadora ressaltou ainda que a rotina da família tem sido marcada por cuidados pessoais, afirmando que o ex-presidente não conta com cozinheira nem cuidador exclusivo, apenas com alguém responsável pelos animais de estimação da residência. A equipe da ex-primeira-dama confirmou a informação e acrescentou que Michelle ainda enfrenta os efeitos de uma forte crise de enxaqueca iniciada na semana anterior. O mesmo motivo já havia sido utilizado para justificar sua ausência na convenção do PL no Distrito Federal, ocasião em que ela foi oficializada como candidata ao Senado.
Apesar das explicações apresentadas, a ausência reacendeu o interesse em torno da relação entre Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro. O distanciamento entre os dois ganhou repercussão no fim de junho, quando a ex-primeira-dama publicou um vídeo nas redes sociais relatando que teria sido tratada de forma desrespeitosa pelo enteado. A manifestação provocou grande repercussão política e levou Flávio Bolsonaro a se pronunciar semanas depois, fazendo um pedido público de desculpas. Michelle afirmou que aceitou o gesto, mas, desde então, ambos ainda não voltaram a aparecer juntos em compromissos públicos, alimentando interpretações sobre a retomada da convivência entre eles.
Nos bastidores da campanha presidencial, o episódio também influenciou as estratégias para a composição da chapa. Pessoas ligadas ao grupo político afirmam que a equipe de Flávio Bolsonaro intensificou a busca por uma mulher para ocupar a vaga de vice, entendendo que essa escolha poderia ampliar o diálogo com diferentes segmentos do eleitorado. Entre os nomes avaliados esteve o da ex-presidente da Caixa Econômica Federal, Daniella Marques. No entanto, as conversas não avançaram porque o Republicanos optou por não formalizar uma aliança com o PL. Situação semelhante ocorreu nas tentativas de aproximação com a senadora Tereza Cristina, cujo partido também não autorizou a composição eleitoral.
Com as alternativas reduzidas, outras lideranças femininas passaram a ser analisadas pela campanha. Integrantes do PL relataram que a vereadora de Fortaleza Priscila Costa esteve entre os nomes considerados para integrar a chapa presidencial. Entretanto, segundo Damares Alves, a parlamentar não poderia assumir essa responsabilidade neste momento em razão de compromissos familiares relacionados aos cuidados com quatro crianças. Diante desse cenário, a definição acabou recaindo sobre o deputado Alfredo Gaspar, encerrando um período de negociações marcado por consultas a diferentes partidos e lideranças políticas.
Mesmo com a confirmação do candidato a vice, a ausência de Michelle Bolsonaro continuou sendo um dos principais temas debatidos após o evento, principalmente em razão do histórico recente envolvendo sua relação com Flávio Bolsonaro. Enquanto aliados reforçam que a decisão de permanecer em casa teve motivações pessoais e relacionadas à saúde, observadores acompanham os próximos compromissos públicos para verificar se a ex-primeira-dama e o senador voltarão a dividir o mesmo palco durante a campanha. O episódio demonstra como aspectos familiares e políticos podem caminhar lado a lado em períodos eleitorais, despertando interesse não apenas pelas decisões partidárias, mas também pelos bastidores que cercam as principais lideranças nacionais.



