Pesquisa Quaest mostra que boa parte dos bolsonaristas acredita que Lula vencerá as eleições

A pesquisa Quaest mostra que 55% dos eleitores brasileiros preveem uma vitória de Luiz Inácio Lula da Silva na eleição presidencial de 2026, enquanto 28% acreditam que Flávio Bolsonaro será o vencedor. O levantamento, apresentado em um recorte exclusivo obtido pela coluna da jornalista Daniela Lima, do UOL, revela um cenário no qual a percepção sobre o resultado das urnas ainda favorece o atual presidente. A diferença de 27 pontos percentuais entre os dois principais nomes chama atenção porque ocorre em uma disputa que vem apresentando mudanças nas últimas pesquisas de intenção de voto.
O dado mais curioso aparece quando o eleitorado é dividido de acordo com sua preferência política. Mesmo entre os eleitores identificados com Jair Bolsonaro, uma parcela significativa não acredita que Flávio Bolsonaro consiga vencer a eleição presidencial. Segundo os números divulgados pela coluna, 24% dos bolsonaristas preveem uma vitória de Lula, o que representa aproximadamente um em cada quatro eleitores desse grupo.
A pesquisa também mostra que a percepção de vitória não está necessariamente limitada ao candidato que o eleitor declara apoiar. Entre aqueles que preferem Lula, 84% acreditam que o petista vencerá a eleição, enquanto 8% apontam Flávio Bolsonaro como favorito. No cenário geral, 3% mencionaram outros candidatos como possíveis vencedores e 14% não souberam ou não quiseram responder, indicando que ainda existe uma parcela do eleitorado sem uma previsão definida para o resultado de outubro.
Quaest mostra vantagem de Lula na percepção dos eleitores
A percepção sobre quem vencerá uma eleição é diferente da intenção de voto, porque mede a expectativa do eleitor diante do cenário político e não necessariamente a escolha que ele pretende fazer na urna. Por isso, os números da Quaest ajudam a entender como a disputa presidencial está sendo enxergada pela população neste momento. Mesmo com o avanço de Flávio Bolsonaro em levantamentos recentes de intenção de voto, Lula permanece à frente quando os entrevistados são questionados sobre quem acreditam que será o vencedor.
O resultado também pode ser interpretado como um indicador de percepção de força eleitoral. Quando uma parcela expressiva do eleitorado acredita que determinado candidato vencerá, essa avaliação pode refletir a percepção sobre a estrutura política, a capacidade de mobilização e o desempenho observado durante a campanha. Entretanto, essa expectativa não representa uma previsão matemática do resultado e pode mudar conforme novos acontecimentos políticos, debates, alianças e movimentos dos candidatos.
Um em cada quatro bolsonaristas aposta em vitória de Lula
O resultado que mais chama atenção no levantamento é justamente o comportamento dos eleitores bolsonaristas. De acordo com a pesquisa apresentada pela coluna de Daniela Lima, 24% daqueles que se identificam com Jair Bolsonaro não acreditam que Flávio Bolsonaro será o próximo presidente. Na prática, isso significa que cerca de um em cada quatro eleitores desse grupo aponta Lula como favorito, mesmo estando politicamente associado ao campo que apoia o candidato do PL.
Esse número pode ser relevante para a estratégia eleitoral de Flávio Bolsonaro porque mostra que o apoio político a Jair Bolsonaro não se transforma automaticamente em confiança na vitória de seu filho. A existência de uma parcela de bolsonaristas que prevê a vitória de Lula pode indicar que parte desse eleitorado reconhece dificuldades na disputa ou considera o atual presidente mais competitivo. Ainda assim, o dado não significa necessariamente que esses eleitores votarão em Lula, já que a pergunta feita pela pesquisa trata da expectativa de vitória e não da intenção de voto.
Lula lidera expectativa em diferentes regiões do Brasil
A pesquisa também apresenta diferenças regionais na percepção sobre o resultado da eleição. No Nordeste, região historicamente importante para o desempenho eleitoral de Lula, a aposta na vitória do presidente chega a 68%. O índice representa a maior taxa registrada entre as regiões mencionadas no levantamento e demonstra a forte percepção de favoritismo do petista entre os eleitores nordestinos.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, apresenta sua melhor marca na região Sul, onde 41% dos entrevistados acreditam que ele vencerá a eleição. Mesmo nesse território, porém, Lula aparece numericamente à frente, com 45% das previsões de vitória. A diferença é menor do que em outras regiões e mostra que a percepção sobre a disputa varia conforme o local do país, embora o petista mantenha vantagem no levantamento nacional.
Percepção de vitória pode influenciar a corrida presidencial
A expectativa dos eleitores é um indicador que pode ajudar a compreender o ambiente político durante uma campanha. Um candidato percebido como favorito pode conseguir transmitir uma imagem de maior competitividade, enquanto um concorrente visto como menos provável de vencer pode enfrentar dificuldades para convencer eleitores indecisos de que sua candidatura possui condições reais de chegar ao Palácio do Planalto. Por isso, esse tipo de dado costuma ser observado por campanhas e especialistas durante o período eleitoral.
Ao mesmo tempo, a pesquisa não deve ser confundida com uma previsão definitiva do resultado das urnas. A eleição presidencial de 2026 ainda está em andamento, e mudanças no cenário podem alterar a percepção do eleitorado até outubro. Além disso, a própria pesquisa Genial/Quaest mais recente mostra que Flávio Bolsonaro avançou de 28% para 30% nas intenções de voto de primeiro turno, enquanto Lula oscilou de 40% para 39%, indicando que a disputa permanece sujeita a alterações.
O levantamento divulgado pela coluna de Daniela Lima revela, portanto, um cenário que merece atenção: Lula é apontado como vencedor por 55% dos entrevistados, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 28% das previsões. O dado mais significativo está entre os bolsonaristas, grupo no qual 24% acreditam que Lula será o vencedor, mostrando que nem todos os eleitores ligados ao ex-presidente enxergam uma vitória de Flávio como provável. Dessa forma, a pesquisa acrescenta uma nova dimensão à corrida presidencial, ao mostrar não apenas quem os eleitores pretendem apoiar, mas também quem eles acreditam que terá condições de vencer a eleição.




