Família de Jair Bolsonaro terá 5 nomes disputando as eleições deste ano

Sem Jair, família Bolsonaro terá cinco nomes diretamente envolvidos na disputa eleitoral de 2026. Com o ex-presidente inelegível e Eduardo Bolsonaro também impedido de concorrer, o sobrenome mais conhecido da direita brasileira será levado às urnas por outros integrantes do grupo familiar, que estarão distribuídos em diferentes disputas. Flávio Bolsonaro será candidato à Presidência da República, enquanto Michelle Bolsonaro tentará uma vaga no Senado pelo Distrito Federal. Carlos Bolsonaro disputará o Senado por Santa Catarina, Jair Renan buscará uma cadeira na Câmara dos Deputados pelo mesmo estado e Rogéria Bolsonaro, mãe de Flávio, será candidata a deputada federal pelo Rio de Janeiro.
A movimentação mostra que o grupo pretende preservar uma presença ampla no cenário político mesmo diante da ausência de Jair Bolsonaro da disputa presidencial. Ao todo, os cinco nomes pertencem ao Partido Liberal e estarão envolvidos em diferentes frentes eleitorais. Dessa forma, a estratégia não fica concentrada apenas na candidatura de Flávio, que foi escolhido para representar o bolsonarismo na corrida pelo Palácio do Planalto. A família também busca manter cadeiras no Congresso e ampliar sua influência em estados considerados importantes para o campo político ligado ao ex-presidente.
O cenário de 2026 é diferente daquele observado em eleições anteriores porque Jair Bolsonaro, que durante anos foi o principal nome eleitoral do grupo, não poderá disputar novamente a Presidência. O ex-presidente foi declarado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral em 2023 e posteriormente condenado pelo Supremo Tribunal Federal no processo relacionado à trama golpista. Eduardo Bolsonaro também ficou fora da corrida eleitoral após ser declarado inelegível. Assim, a disputa deste ano passou a funcionar como um teste para medir até que ponto o sobrenome Bolsonaro mantém capacidade de mobilização sem a presença do principal líder da família nas urnas.
Sem Jair, família Bolsonaro aposta em Flávio para a Presidência
A principal aposta do grupo para 2026 é Flávio Bolsonaro. Senador pelo Rio de Janeiro, ele foi escolhido pelo PL para disputar a Presidência e passou a ocupar o espaço deixado pelo pai na corrida eleitoral. A candidatura coloca Flávio diante de uma tarefa complexa: transformar a identificação do eleitorado com Jair Bolsonaro em apoio eleitoral próprio. Embora o sobrenome tenha forte peso político, a campanha presidencial exigirá que Flávio construa uma imagem capaz de ultrapassar a condição de herdeiro político e apresente propostas para diferentes segmentos do eleitorado. A pesquisa Quaest divulgada em 5 de agosto mostrava Lula com 44% das intenções de voto em um eventual segundo turno contra Flávio, que aparecia com 39%, reduzindo a diferença em relação ao levantamento anterior.
A escolha de Flávio também representa uma mudança importante na organização política da família. Durante a ascensão do bolsonarismo, Jair concentrava grande parte da atenção nacional e funcionava como principal referência eleitoral do grupo. Agora, sua ausência faz com que os demais integrantes tenham de assumir responsabilidades diferentes. Flávio aparece como o principal nome da família na disputa nacional, enquanto Michelle, Carlos, Jair Renan e Rogéria terão de buscar votos em eleições proporcionais ou para o Senado. Assim, o desempenho de cada um poderá ser utilizado como indicador da força eleitoral do sobrenome Bolsonaro em diferentes regiões do país.
Michelle, Carlos e Jair Renan ampliam presença no Congresso
Michelle Bolsonaro surge como outro nome de grande relevância na estratégia eleitoral de 2026. Ex-primeira-dama, ela decidiu disputar uma vaga no Senado pelo Distrito Federal, movimento que poderá colocá-la em uma disputa nacional de grande visibilidade. Sua candidatura também amplia o espaço político da família fora do núcleo formado pelos filhos de Jair Bolsonaro. A ex-primeira-dama construiu uma base própria durante os anos em que ocupou posição de destaque ao lado do ex-presidente e passou a ser considerada uma das figuras com maior capacidade de comunicação com setores conservadores e evangélicos.
Carlos Bolsonaro, por sua vez, tentará chegar ao Senado por Santa Catarina depois de sete mandatos consecutivos como vereador do Rio de Janeiro. Para disputar a eleição no estado catarinense, ele deixou o Republicanos e passou a integrar o PL de Santa Catarina. A escolha do estado não ocorreu por acaso, já que Santa Catarina é considerado um dos principais redutos eleitorais do bolsonarismo. Jair Renan também disputará uma eleição nacional pela primeira vez, deixando o cargo de vereador de Balneário Camboriú para tentar uma vaga na Câmara dos Deputados. O resultado das duas candidaturas será acompanhado de perto porque poderá indicar a capacidade do grupo de manter força política em Santa Catarina.
Rogéria completa grupo da família Bolsonaro nas urnas
A lista dos cinco nomes é completada por Rogéria Bolsonaro, mãe de Flávio e ex-esposa de Jair Bolsonaro. Ela disputará uma vaga na Câmara dos Deputados pelo Rio de Janeiro, estado onde a família construiu parte importante de sua trajetória política. A candidatura adiciona uma característica diferente à estratégia eleitoral, pois coloca na disputa uma integrante que esteve ligada ao início da carreira política de Jair e à formação do núcleo familiar que posteriormente ganhou projeção nacional. Sua entrada na eleição também mostra que a presença do sobrenome Bolsonaro não ficará restrita aos candidatos que já ocupam cargos de destaque.
Com isso, a família Bolsonaro terá candidatos à Presidência, ao Senado e à Câmara dos Deputados em diferentes estados. O grupo ainda conta com uma pessoa próxima da família, Carlos Eduardo Torres, irmão de criação de Michelle Bolsonaro, que disputará uma vaga de deputado distrital no Distrito Federal. Embora não faça parte da contagem dos cinco integrantes da família mencionados na reportagem, sua candidatura amplia a presença do círculo bolsonarista nas eleições. Portanto, o pleito de 2026 será importante para medir a força do grupo sem Jair Bolsonaro na cédula. Caso Flávio consiga avançar na disputa presidencial e os demais candidatos conquistem mandatos, o sobrenome poderá continuar exercendo influência relevante no Congresso e na política nacional.



