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PL do RJ sugerem estratégia para Douglas Ruas levar Eduardo Paes para o segundo turno

O PL do Rio de Janeiro avalia repetir nas eleições de 2026 uma estratégia que marcou a disputa pelo governo estadual em 2018, quando Wilson Witzel conseguiu avançar para o segundo turno e derrotou Eduardo Paes. A ideia defendida por lideranças do partido é apostar em Douglas Ruas, presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, para tentar levar a eleição a uma nova fase e impedir que Paes confirme o favoritismo apontado em levantamentos anteriores. A movimentação mostra que a corrida pelo Palácio Guanabara deverá ser marcada por uma disputa intensa pela vaga no segundo turno.

A comparação com Witzel não ocorre por acaso. Em 2018, o então ex-juiz federal iniciou a campanha com baixa intenção de votos, mas conseguiu crescer durante a eleição e terminou o primeiro turno em segundo lugar, deixando Paes na terceira colocação. Na etapa seguinte, Witzel ampliou sua vantagem e foi eleito governador do Rio, em uma das maiores reviravoltas daquela disputa. Agora, o PL pretende utilizar aquela experiência como referência para construir uma campanha capaz de mudar o cenário eleitoral de 2026.

O desafio, entretanto, é considerável. Eduardo Paes chega à disputa com uma trajetória política conhecida no estado, enquanto Douglas Ruas tenta transformar sua atuação como deputado estadual e presidente da Alerj em uma candidatura competitiva para o Executivo fluminense. Nesse cenário, a estratégia do PL deverá depender de uma combinação de exposição eleitoral, posicionamento político e capacidade de atrair eleitores que hoje estão distribuídos entre diferentes candidatos. A disputa também ganhou novas características após a entrada de Anthony Garotinho no jogo eleitoral e a recente decisão de Witzel de desistir de sua própria pré-candidatura.

PL do Rio aposta na estratégia de Witzel

A estratégia defendida por setores do PL consiste, principalmente, em transformar a eleição em uma disputa de segundo turno. Para isso, Douglas Ruas precisa ampliar sua presença entre os eleitores e reduzir a distância para Paes, que aparece em posição de destaque em pesquisas divulgadas ao longo do processo eleitoral. A avaliação dentro do partido é que uma campanha mais competitiva poderá modificar o cenário quando os eleitores perceberem quais nomes têm chances reais de avançar.

A experiência de 2018 é utilizada como argumento para sustentar essa aposta. Naquele ano, Witzel era pouco conhecido fora de determinados segmentos do eleitorado e conseguiu crescer durante a campanha, beneficiando-se de uma conjuntura política favorável à renovação e da fragmentação dos votos. Dessa maneira, o PL acredita que uma candidatura inicialmente menos competitiva pode ganhar espaço se conseguir estabelecer uma mensagem clara e ocupar o campo político que pretende representar.

Douglas Ruas surge como aposta do PL

Douglas Ruas ocupa atualmente a presidência da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro e tem atuação política diretamente ligada ao cenário estadual. A escolha de seu nome representa uma tentativa do PL de apresentar um candidato com experiência institucional e conhecimento da máquina pública fluminense. Ao mesmo tempo, sua candidatura ainda precisa alcançar um eleitorado muito maior do que aquele normalmente mobilizado em uma disputa para deputado estadual.

O caminho para o crescimento deverá passar pela construção de uma identidade própria. Ruas terá de se apresentar aos eleitores como alternativa a Paes e aos demais concorrentes, enquanto o PL busca associar a campanha às pautas defendidas pelo campo conservador. A tarefa será ainda mais complexa porque diferentes nomes da direita e da centro-direita também disputam espaço no estado, o que pode dificultar a concentração de votos em uma única candidatura.

Eduardo Paes continua como principal alvo

Eduardo Paes é o principal adversário que o PL pretende enfrentar nessa estratégia. O ex-prefeito do Rio de Janeiro deixou a administração municipal para disputar o governo estadual e já possui experiência em eleições majoritárias, incluindo a própria disputa de 2018, quando acabou fora do segundo turno. Agora, sua candidatura volta a colocá-lo no centro da corrida pelo Palácio Guanabara.

A estratégia do PL também deverá explorar a associação entre Paes e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O ex-prefeito passou a adotar uma postura mais explícita em relação à disputa nacional e declarou que considera importante a vitória de Lula no Rio de Janeiro. Para os adversários, essa aproximação pode ser utilizada como instrumento eleitoral, especialmente em uma disputa estadual na qual a polarização entre lulismo e bolsonarismo tende a influenciar parte significativa do eleitorado.

Garotinho muda o cenário eleitoral

A entrada de Anthony Garotinho na disputa acrescentou outro elemento de imprevisibilidade à eleição. O ex-governador do Rio voltou ao cenário eleitoral e passou a disputar espaço no mesmo campo político que reúne diferentes candidatos de direita e centro-direita. Sua presença pode dificultar a concentração de votos em Douglas Ruas e, ao mesmo tempo, alterar as projeções sobre quem terá condições de chegar ao segundo turno.

A própria movimentação de Wilson Witzel também passou a fazer parte desse novo cenário. No início de agosto, Witzel desistiu de sua pré-candidatura ao governo e declarou apoio a Anthony Garotinho, argumentando que a união do campo de centro-direita poderia aumentar as chances de colocar um candidato no segundo turno. A decisão é particularmente simbólica porque o PL pretende justamente utilizar a experiência eleitoral de Witzel como inspiração para sua estratégia em 2026.

Disputa pelo segundo turno será decisiva

A principal meta do PL, portanto, não precisa necessariamente ser a liderança no primeiro turno. A prioridade estratégica é garantir que Douglas Ruas esteja entre os dois candidatos mais votados. A partir daí, uma nova eleição começaria, e os votos dos candidatos eliminados poderiam ser disputados por todas as forças políticas que permanecerem na corrida. Foi justamente esse tipo de dinâmica que permitiu a Witzel derrotar Paes em 2018, apesar de ter começado aquela campanha em uma posição muito distante da liderança.

O cenário de 2026, porém, apresenta diferenças importantes em relação àquele de oito anos atrás. Paes já é um político amplamente conhecido no estado, enquanto Ruas precisa ampliar sua notoriedade rapidamente. Além disso, a presença de Garotinho e de outros candidatos pode fragmentar ainda mais o eleitorado. Por isso, a tentativa de repetir a estratégia de Witzel dependerá de uma combinação difícil: crescimento rápido, redução da fragmentação dos votos e capacidade de transformar a eleição em um confronto direto contra Paes.

Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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