Flávio Bolsonaro, segundo a UFRJ, nunca estudou lá e não tem graduação em Direito

As informações sobre a formação acadêmica de Flávio Bolsonaro passaram a gerar questionamentos nesta quarta-feira, 12 de agosto, depois que páginas oficiais ligadas ao senador registraram uma pós-graduação em Ciências Políticas que, segundo a Universidade Federal do Rio de Janeiro, não foi realizada por ele. A informação aparecia tanto no perfil mantido pelo Senado quanto na página da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, onde Flávio exerceu quatro mandatos como deputado estadual. No caso da Alerj, o registro era ainda mais específico e apontava a UFRJ como instituição responsável pela formação. Procurada, a universidade informou que não encontrou qualquer registro de Flávio Nantes Bolsonaro como aluno em seu sistema acadêmico.
A situação ganhou repercussão porque Flávio é atualmente candidato do PL à Presidência da República e sua trajetória profissional passou a ser analisada com maior atenção no início da campanha eleitoral. A assessoria do senador afirmou que houve um erro ou equívoco nas informações divulgadas e apresentou uma relação diferente de sua formação acadêmica. Segundo a campanha, Flávio é graduado em Direito pela Universidade Cândido Mendes, possui especialização em Políticas Públicas pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro, o Iuperj, e concluiu MBA em Empreendedorismo pela Fundação Getulio Vargas. Esses três cursos foram acompanhados de documentos apresentados pela assessoria, enquanto não foi apresentada comprovação da suposta pós-graduação em Ciências Políticas na UFRJ.
O episódio chama atenção, sobretudo, porque a informação incorreta não estava restrita a uma biografia produzida por terceiros. Ela também havia sido reproduzida em páginas institucionais relacionadas à trajetória política do senador. O perfil da Alerj, por exemplo, apresentava oficialmente a pós-graduação em Ciências Políticas pela UFRJ. No Senado, uma biografia publicada em 2019 também informava que Flávio era pós-graduado em Ciências Políticas, além de mencionar especializações em Políticas Públicas e Empreendedorismo. Dessa maneira, a discussão passou a envolver não apenas a origem da informação, mas também a necessidade de esclarecer como um dado acadêmico sem confirmação pela universidade acabou sendo repetido durante anos em canais oficiais.
Páginas oficiais de Flávio Bolsonaro entram no centro da polêmica
A Universidade Federal do Rio de Janeiro foi consultada sobre a suposta formação e informou que seu Sistema Integrado de Gestão Acadêmica, conhecido como SIGA, não identificou Flávio Nantes Bolsonaro entre os alunos da instituição. A universidade também esclareceu que encontrou no sistema o registro de Eduardo Bolsonaro, irmão do senador, que cursou Direito na UFRJ. A distinção é relevante porque informações sobre os dois irmãos podem ter contribuído para confusões em registros ou biografias reproduzidas ao longo do tempo. Um professor que atuou no Departamento de Ciência Política da UFRJ também afirmou que Flávio não frequentou cursos da área na universidade.
A versão apresentada pela campanha é de que a informação teria sido incluída por “erros ou equívocos”, possivelmente reproduzidos de páginas como a Wikipédia. A equipe de Flávio ressaltou que a formação correta do candidato é aquela apresentada nos documentos enviados à imprensa. Depois da repercussão, a referência à UFRJ passou a ser retirada de alguns canais, enquanto um perfil no LinkedIn mantido pela assessoria, que também mencionava a suposta pós-graduação, foi retirado do ar. Assim, a campanha tenta delimitar o episódio como um erro de informação curricular, sem reconhecer que Flávio tenha frequentado o curso citado.
Formação acadêmica de Flávio Bolsonaro é revisada antes da eleição
A correção do currículo ocorre em um momento especialmente sensível para Flávio Bolsonaro. Como candidato à Presidência, o senador terá sua trajetória profissional e política submetida a uma avaliação muito mais ampla do eleitorado. Formação acadêmica, experiência profissional, atuação parlamentar e propostas de governo passam a fazer parte da imagem que cada campanha tenta construir. Por isso, informações divulgadas em biografias oficiais podem adquirir importância eleitoral, principalmente quando apresentam qualificações que ajudam a reforçar determinada narrativa sobre preparo para ocupar o cargo de presidente da República. Neste caso, a referência à Ciência Política pela UFRJ acabou sendo questionada justamente por uma das instituições citadas como responsável pela formação.
Apesar da retirada da informação, o caso ainda deverá produzir repercussões porque o dado permaneceu registrado em diferentes momentos e plataformas. O Senado, inclusive, publicou em 2019 uma biografia que descrevia Flávio como bacharel em Direito e pós-graduado em Ciências Políticas. A página da Alerj também apresentava a formação pela UFRJ. Portanto, a questão que permanece é como essa informação chegou aos registros institucionais e por que foi mantida durante tanto tempo. A explicação de que houve um equívoco poderá encerrar a controvérsia do ponto de vista da campanha, mas a origem do erro e sua reprodução em documentos oficiais ainda são aspectos que naturalmente despertam interesse.
O episódio também precisa ser analisado sem transformar uma inconsistência curricular em uma conclusão sobre toda a trajetória acadêmica do candidato. A campanha apresentou diplomas referentes a Direito, Políticas Públicas e Empreendedorismo, e esses são os cursos que atualmente são apontados como sua formação correta. Portanto, a ausência de registro na UFRJ não significa que Flávio não tenha formação superior ou especializações, mas demonstra que a pós-graduação em Ciências Políticas atribuída à universidade não foi confirmada pela própria instituição. A diferença é importante para que o debate eleitoral seja conduzido com base em informações verificáveis e não em acusações que extrapolem os fatos conhecidos.
Com a campanha presidencial avançando, a correção das informações curriculares deverá ser acompanhada de perto pelos adversários e pelos eleitores. Flávio Bolsonaro tenta consolidar sua candidatura como principal representante do grupo político de Jair Bolsonaro e precisará apresentar uma imagem de preparo para disputar a Presidência. Nesse contexto, qualquer divergência em informações oficiais pode ser utilizada politicamente, principalmente em uma eleição marcada por forte polarização. Ao mesmo tempo, a campanha terá a oportunidade de esclarecer a origem do dado e manter os perfis públicos atualizados com a documentação correspondente. Assim, o caso da suposta pós-graduação na UFRJ deverá permanecer como um episódio relevante da fase inicial da campanha de Flávio, sobretudo porque a informação foi divulgada em canais institucionais e posteriormente contestada pela própria universidade citada.



