Tarcísio afirma que Sabesp sofre com sucateamento histórico e explica aumento das reclamações

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, afirmou que a Sabesp sofre com sucateamento há anos, em meio ao crescimento das reclamações de consumidores e aos questionamentos sobre a segurança das obras realizadas pela companhia. A declaração foi concedida durante entrevista à CNN Brasil na quarta-feira, 12 de agosto. Segundo o governador, os problemas seriam resultado de uma combinação entre períodos de pouca chuva, pressão sobre o sistema de abastecimento e envelhecimento da rede. Além disso, Tarcísio, que concorre à reeleição pelo Republicanos, garantiu que essas dificuldades foram incluídas no plano de investimentos da empresa. Entretanto, a afirmação ocorre em um momento politicamente sensível, pois a Sabesp foi privatizada durante sua gestão e, agora, enfrenta cobranças relacionadas à qualidade dos serviços prestados.
Tarcísio afirma que Sabesp sofre com rede antiga
Ao explicar a situação, Tarcísio destacou que parte da infraestrutura de distribuição de água e coleta de esgoto está em funcionamento há muitos anos. Redes antigas podem apresentar maior incidência de vazamentos, rompimentos e interrupções, especialmente quando são submetidas a alterações de pressão. Além disso, períodos de estiagem exigem ajustes operacionais que podem afetar o abastecimento. Apesar disso, o termo “sucateamento” representa uma avaliação política apresentada pelo governador e não uma conclusão técnica independente. Para que essa classificação seja confirmada, seria necessário analisar indicadores sobre idade das tubulações, perdas de água, frequência dos reparos e histórico de investimentos. Portanto, a declaração deve ser compreendida dentro do debate sobre a gestão anterior e o modelo adotado depois da desestatização.
Reclamações contra a Sabesp aumentaram em São Paulo
A fala do governador foi apresentada depois do crescimento das queixas registradas no Programa de Proteção e Defesa do Consumidor de São Paulo. Segundo informações divulgadas pela imprensa, o número de reclamações envolvendo a Sabesp aumentou mais de quatro vezes. Entre os problemas relatados por usuários estão interrupções no fornecimento, vazamentos, demora nos reparos, cobranças contestadas e dificuldades nos canais de atendimento. Tarcísio afirmou que determinadas flexibilidades concedidas anteriormente a alguns clientes deixaram de existir após a mudança de governança. Segundo ele, as reclamações deverão diminuir gradualmente. Contudo, como o abastecimento de água é um serviço essencial, o aumento das queixas exige fiscalização dos órgãos reguladores e das entidades de defesa do consumidor.
Governo relaciona reclamações ao aumento das obras
Por outro lado, a secretária estadual de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende, atribuiu parte das reclamações à intensificação das obras de expansão do saneamento. De acordo com essa justificativa, intervenções simultâneas em diferentes localidades podem provocar bloqueios de vias, interrupções temporárias, escavações e transtornos para moradores e comerciantes. Entretanto, a realização de mais obras não afasta a obrigação de garantir segurança, comunicação e qualidade. As intervenções devem ser previamente informadas, os protocolos técnicos precisam ser respeitados e eventuais danos devem ser reparados. Consequentemente, a expansão da rede precisa avançar junto com a eficiência operacional. Caso contrário, projetos destinados a melhorar o saneamento poderão gerar novos conflitos e ampliar a insatisfação dos consumidores.
Ministério Público investiga obras realizadas pela Sabesp
Os questionamentos aumentaram depois de acidentes relacionados às intervenções da companhia. O Ministério Público de São Paulo abriu um inquérito para verificar os protocolos de segurança adotados em obras com escavações. A apuração foi iniciada após uma explosão ocorrida no Jaguaré, na Zona Oeste da capital paulista, durante uma intervenção que atingiu uma tubulação de gás. O episódio causou danos a imóveis e afetou moradores. Dessa forma, deverá ser investigado se as medidas preventivas eram suficientes e se existia comunicação adequada entre as empresas responsáveis pelas redes subterrâneas. A abertura do inquérito, porém, não significa que a responsabilidade da Sabesp tenha sido definitivamente comprovada. Ainda assim, a investigação demonstra que a ampliação das obras precisa ser acompanhada por fiscalização técnica rigorosa.
Privatização da Sabesp prevê universalização até 2029
A privatização da Sabesp foi autorizada pela Lei estadual nº 17.853, de dezembro de 2023, e concluída em julho de 2024. O processo reduziu a participação do Estado e transferiu o controle da companhia à iniciativa privada. Entre os compromissos estabelecidos estão a antecipação da universalização do saneamento para dezembro de 2029, a redução tarifária e a melhoria da qualidade dos serviços. Além disso, foram previstos mecanismos de acompanhamento anual das metas e medidas destinadas à redução das perdas de água. Segundo o governo paulista, aproximadamente R$ 70 bilhões deverão ser investidos até 2029. Contudo, o sucesso da privatização não poderá ser avaliado somente pelo volume de recursos anunciado. Abastecimento, tratamento de esgoto, segurança das obras e satisfação dos consumidores também precisarão ser considerados.
Sabesp registra lucro, mas consumidores cobram melhorias
Apesar das reclamações, a Sabesp informou lucro líquido de aproximadamente R$ 1,46 bilhão no segundo trimestre de 2026. O resultado demonstra capacidade financeira e, ao mesmo tempo, aumenta a cobrança para que os recursos sejam transformados em melhorias percebidas pelos usuários. Conforme informações divulgadas pelo governo estadual, novas ligações de água e esgoto foram realizadas depois da privatização, enquanto algumas metas contratuais iniciais foram superadas. Entretanto, os números apresentados pela própria administração devem ser comparados com dados da agência reguladora, registros do Procon-SP e avaliações independentes. Afinal, bons resultados financeiros ajudam a sustentar investimentos, mas não substituem a continuidade do abastecimento, a segurança das intervenções e a eficiência do atendimento.
Tarcísio afirma que Sabesp sofre, mas gestão será cobrada
Em conclusão, quando Tarcísio afirma que Sabesp sofre com sucateamento histórico, o governador atribui parte dos problemas atuais a deficiências acumuladas antes da privatização. Entretanto, como a mudança do controle da companhia foi defendida e conduzida por sua administração, caberá ao governo demonstrar que o novo modelo consegue superar essas falhas. O aumento das reclamações, os acidentes em obras e a investigação do Ministério Público revelam desafios operacionais relevantes. Por outro lado, os investimentos anunciados e a ampliação das redes indicam capacidade para enfrentar os problemas. Portanto, a avaliação definitiva dependerá de resultados concretos: menos interrupções, redução de vazamentos, atendimento eficiente, obras seguras e cumprimento das metas de universalização.



