Pesquisa Quaest mostra Lula sem vantagem em relação a Flávio no 2º turno

A nova pesquisa Quaest para a eleição presidencial de 2026 colocou o cenário eleitoral diante de uma disputa mais apertada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). Divulgado em 14 de agosto, o levantamento mostra Lula com 38% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Flávio aparece com 31%, reduzindo a diferença entre os dois de nove para sete pontos percentuais em relação à rodada anterior. Embora o presidente permaneça na liderança, a aproximação do senador chama atenção porque ocorre justamente na reta final antes do início oficial da campanha eleitoral.
O dado que mais repercutiu, entretanto, está no cenário de segundo turno. De acordo com a pesquisa, Lula registra 43% das intenções de voto, contra 40% de Flávio Bolsonaro, resultado que configura empate técnico devido à margem de erro de dois pontos percentuais. Dessa maneira, a pesquisa Quaest presidencial agosto mostra uma eleição potencialmente competitiva entre os dois nomes que atualmente concentram a maior parcela das preferências do eleitorado. A diferença nominal de três pontos não permite afirmar, isoladamente, que um dos candidatos esteja matematicamente à frente fora da margem de erro.
A pesquisa foi realizada presencialmente entre os dias 10 e 13 de agosto, com 2.004 eleitores em diferentes regiões do país. O levantamento foi contratado pela TV Globo, possui nível de confiança de 95% e foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-06773/2026. Portanto, os números devem ser interpretados dentro dos critérios estatísticos da pesquisa e não como uma previsão do resultado das urnas. Ainda assim, a evolução observada em relação às rodadas anteriores ajuda a identificar movimentos no eleitorado e mostra que a distância entre Lula e Flávio diminuiu nas últimas semanas.
Quaest presidencial agosto mostra aproximação entre Lula e Flávio Bolsonaro
No primeiro turno, Lula continua liderando a corrida presidencial, mas apresentou uma pequena oscilação negativa. O presidente passou de 39% para 38%, enquanto Flávio Bolsonaro avançou de 30% para 31%, fazendo com que a diferença entre os dois caísse de nove para sete pontos percentuais. Como a margem de erro é de dois pontos, as alterações registradas entre as duas pesquisas não devem ser interpretadas automaticamente como mudanças consolidadas de tendência. Ainda assim, a aproximação entre os principais candidatos passa a ter importância política justamente no momento em que a campanha eleitoral começa oficialmente.
Os demais nomes aparecem bem atrás na simulação de primeiro turno. Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão) registram 4% cada, enquanto Romeu Zema (Novo) aparece com 2% e Augusto Cury (Avante) alcança 2%. Brancos, nulos e eleitores que afirmam não pretender votar somam 8%, enquanto 10% ainda se declararam indecisos. Esse conjunto de eleitores representa uma parcela relevante do cenário e poderá ser disputado pelas campanhas durante o período eleitoral, especialmente porque a propaganda e os debates tendem a ampliar a exposição dos candidatos.
Onde Lula e Flávio Bolsonaro têm maior apoio
A distribuição regional e social dos votos também revela diferenças importantes entre os dois principais concorrentes. Lula mantém uma vantagem expressiva no Nordeste, onde alcança 57% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Flávio apresenta desempenho mais favorável no Sul e chega a empatar com o presidente no Sudeste. Essa divisão regional demonstra que a disputa presidencial não está distribuída de maneira uniforme pelo território brasileiro e que diferentes grupos apresentam comportamentos eleitorais distintos.
Entre os segmentos sociais, Lula aparece com vantagem entre eleitores que recebem até dois salários mínimos, pessoas negras, católicos e cidadãos com menor nível de escolaridade. Flávio Bolsonaro, por sua vez, apresenta desempenho superior entre eleitores evangélicos, pessoas com ensino superior e aqueles com renda acima de cinco salários mínimos. Entre jovens de 16 a 34 anos e eleitores idosos, os dois candidatos apresentam resultados semelhantes. Assim, a disputa tende a ser influenciada não apenas pela preferência partidária, mas também por fatores econômicos, religiosos, regionais e sociais.
Segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro fica mais apertado
A principal mudança apresentada pela pesquisa está no segundo turno. Na rodada anterior, Lula tinha 44% contra 39% de Flávio Bolsonaro. Agora, o presidente aparece com 43%, enquanto o senador alcança 40%. Dessa forma, Lula perdeu um ponto e Flávio ganhou um, fazendo com que a distância nominal passasse de cinco para três pontos percentuais. Considerando a margem de erro de dois pontos, os números configuram empate técnico, situação que não havia sido registrada dessa forma desde junho, segundo Felipe Nunes, CEO da Quaest.
O resultado ganha relevância porque pesquisas anteriores apresentavam uma vantagem mais confortável para Lula em um eventual confronto direto. Em julho, por exemplo, a Genial/Quaest mostrava o presidente com 45% contra 37% de Flávio no segundo turno. Naquele levantamento, realizado antes da nova rodada de agosto, a diferença era de oito pontos percentuais. A sequência dos números indica que a vantagem de Lula foi reduzida ao longo das últimas pesquisas, embora os levantamentos tenham sido realizados em períodos diferentes e estejam sujeitos às respectivas margens de erro.
A pesquisa divulgada em agosto também precisa ser observada em conjunto com outros levantamentos recentes. A CNT/MDA, divulgada poucos dias antes, apontou Lula com 42,4% no primeiro turno contra 28,7% de Flávio e, no segundo turno, registrou 48% para o presidente e 39,1% para o senador. Portanto, embora exista uma tendência de aproximação entre os dois nomes, os resultados variam de acordo com a metodologia, o período de entrevistas e a composição da amostra. Por isso, uma única pesquisa não deve ser utilizada para afirmar que o resultado da eleição já está definido ou que determinado candidato vencerá.
Eleição de 2026 entra em nova fase com campanha oficial
A divulgação da Quaest ocorre às vésperas do início oficial da campanha eleitoral de 2026, previsto para 16 de agosto. A partir desse momento, os candidatos poderão ampliar suas atividades de campanha dentro das regras estabelecidas pela legislação eleitoral, enquanto a exposição pública dos principais concorrentes tende a aumentar. No caso de Lula e Flávio Bolsonaro, a disputa também envolve duas bases políticas bastante consolidadas e grupos de eleitores que apresentam posições diferentes sobre economia, segurança pública, relação entre os Poderes e políticas sociais.
Nesse contexto, a redução da diferença no segundo turno pode fazer com que cada ponto percentual passe a ser disputado com maior intensidade. Lula busca consolidar sua candidatura à reeleição, enquanto Flávio Bolsonaro tenta ampliar a transferência do eleitorado identificado com o bolsonarismo para sua própria candidatura. Como a pesquisa mostra diferenças relevantes por região, renda, religião e escolaridade, esses segmentos deverão ser considerados estratégicos pelas campanhas durante os próximos meses. A disputa, portanto, ainda está sujeita a mudanças conforme novos fatos políticos e econômicos forem apresentados aos eleitores.
O que a pesquisa Quaest indica neste momento
O levantamento da Quaest não aponta um vencedor antecipado, mas apresenta um cenário de maior equilíbrio entre Lula e Flávio Bolsonaro. No primeiro turno, o presidente mantém uma vantagem de sete pontos, enquanto no segundo turno a diferença nominal cai para três pontos e passa a ser considerada empate técnico. Além disso, a existência de 10% de eleitores indecisos no primeiro turno demonstra que uma parcela significativa do eleitorado ainda não definiu sua escolha, o que pode alterar a configuração da disputa durante a campanha.
Por isso, a Quaest presidencial agosto deve ser analisada como um retrato do momento, e não como uma projeção definitiva do resultado eleitoral. A campanha oficial ainda está começando, novos candidatos poderão ganhar ou perder espaço, e acontecimentos políticos, econômicos e sociais podem modificar as preferências dos eleitores. Dessa forma, os números divulgados em 14 de agosto mostram que Lula permanece na liderança, mas também revelam que Flávio Bolsonaro conseguiu reduzir a distância e chegou a um cenário de empate técnico no segundo turno, tornando a eleição presidencial de 2026 ainda mais competitiva.



