Romário deixa PL e anuncia apoio a Paes na disputa pelo governo do Rio

Após cinco anos de filiação, o senador Romário decidiu encerrar sua trajetória no Partido Liberal (PL). O pedido formal de desfiliação foi apresentado nesta sexta-feira, marcando uma nova etapa na carreira política do ex-jogador. Em declaração, o parlamentar afirmou que a decisão foi construída ao longo dos últimos meses e representa o fim de um ciclo. Segundo Romário, a saída ocorre de maneira tranquila, sem conflitos pessoais ou rompimentos com os integrantes da legenda. O senador também informou que, neste momento, pretende permanecer sem partido e que não existem negociações em andamento para uma nova filiação. A mudança, porém, acontece em um período de movimentações importantes no cenário político do Rio de Janeiro e já produz reflexos sobre as eleições estaduais.
A decisão ganhou ainda mais destaque depois que Romário declarou apoio à candidatura de Eduardo Paes, do PSD, ao governo do Rio de Janeiro. O posicionamento coloca o senador em uma direção diferente daquela adotada pelo PL, que terá Douglas Rua como candidato ao Palácio Guanabara. Ao explicar sua escolha, Romário afirmou que levou em consideração a situação atual do estado e os desafios que estarão diante do próximo governador. O senador ressaltou que não precisa concordar integralmente com Paes para apoiá-lo e destacou que sua avaliação está relacionada, principalmente, ao futuro do Rio. Para Romário, o prefeito reúne condições para conduzir o estado e buscar soluções para questões que, segundo ele, permanecem sem resposta há anos.
Em sua manifestação pública, o senador procurou deixar claro que sua decisão não representa uma ruptura pessoal com o antigo partido. Romário afirmou ter respeito pelo PL e pelas pessoas com quem conviveu durante os anos de filiação. A saída, segundo ele, foi pensada com tranquilidade e está relacionada à necessidade de seguir um novo caminho político. O parlamentar também reforçou que seu mandato no Senado continua sendo sua principal prioridade. Ele foi eleito em 2022 e permanecerá no cargo até 1º de fevereiro de 2031. Ao justificar a importância de manter o foco no mandato, Romário afirmou que sua responsabilidade com o Rio de Janeiro e com os eleitores está acima de qualquer escolha partidária e continuará orientando sua atuação no Congresso Nacional.
Nos bastidores, a movimentação também é observada como parte de uma estratégia política de longo prazo. Uma pessoa ligada ao senador afirmou ao UOL que a mudança pode estar relacionada às eleições de 2030, quando Romário deverá buscar a reeleição para o Senado. O PSD aparece como uma das possibilidades de futuro destino partidário, embora pessoas próximas ao parlamentar neguem oficialmente a existência de conversas com integrantes da legenda comandada nacionalmente por Gilberto Kassab. Por enquanto, portanto, Romário deve seguir sem partido, enquanto avalia os próximos passos. A definição sobre uma eventual nova filiação poderá ganhar importância à medida que o calendário eleitoral se aproximar e as alianças no Rio de Janeiro começarem a ser estruturadas.
A saída do PL ocorre meses depois de outra mudança relevante na rotina parlamentar de Romário. Em abril, o senador reassumiu sua cadeira no Senado após permanecer quatro meses afastado. Durante o período de licença, iniciado em dezembro, a vaga foi ocupada por Bruno Bonetti, também do PL-RJ. Bonetti é ligado à família Bolsonaro e esteve entre os parlamentares que apoiaram o projeto conhecido como PL da dosimetria, relacionado à definição das penas aplicáveis a condenados pelos atos de 8 de janeiro. O retorno de Romário ao Senado recolocou o parlamentar no centro das decisões de seu mandato e, agora, sua saída do PL acrescenta uma nova dimensão à trajetória política iniciada após sua carreira no futebol.
Com a desfiliação oficializada e o apoio declarado a Eduardo Paes, Romário entra em uma nova fase política justamente quando o Rio de Janeiro começa a concentrar atenções para a próxima disputa pelo governo estadual. A decisão ainda não define qual será o futuro partidário do senador, mas deixa evidente que ele pretende preservar autonomia para escolher seus próximos movimentos. Ao mesmo tempo, o apoio a Paes poderá influenciar a formação de alianças e ampliar as discussões sobre os grupos que estarão envolvidos na eleição. Romário, por sua vez, afirma que continuará concentrado no mandato e nos interesses do estado. A partir de agora, a expectativa se volta para os próximos passos do senador e para a forma como sua mudança de posição será incorporada ao cenário eleitoral fluminense.



