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Gilberto Kassab não tem dúvida de que Flávio Bolsonaro não conseguirá chegar à Presidência

A avaliação de Gilberto Kassab de que Flávio Bolsonaro vai desabar na corrida presidencial ganhou força no debate eleitoral às vésperas do início oficial da campanha de 2026. Presidente nacional do PSD e candidato a vice-presidente na chapa de Ronaldo Caiado, Kassab afirmou que o senador do PL ainda estaria sendo pouco exposto e que sua situação poderia mudar quando a propaganda eleitoral e os ataques dos adversários aumentassem. Para ele, a atual posição de Flávio nas pesquisas não refletiria necessariamente o resultado que será observado depois que a disputa ficar mais intensa.

Kassab fez a declaração durante um encontro com empresários e formadores de opinião em São Paulo. Na ocasião, afirmou que considera praticamente inexistentes as chances de Flávio vencer a eleição e apresentou uma explicação para essa avaliação: o candidato do PL ainda não teria sido submetido ao nível de exposição negativa que normalmente acompanha uma campanha presidencial. Segundo a leitura do dirigente, quando os adversários começarem a apresentar aos eleitores informações sobre Flávio, seu grupo político e suas alianças, a candidatura poderá perder força.

A declaração ocorreu em um momento no qual as pesquisas mostram uma disputa competitiva entre Lula e Flávio, embora o presidente ainda apareça na frente. No levantamento Genial Quaest mais recente, Lula registrou 38% das intenções de voto no primeiro turno, contra 31% de Flávio. Já em um eventual segundo turno, o presidente aparece com 43%, enquanto o senador alcança 40%, resultado que demonstra uma distância menor entre os dois candidatos.

Por que Kassab acredita que Flávio Bolsonaro vai desabar

A principal aposta de Kassab está no efeito que a propaganda eleitoral poderá produzir sobre a imagem de Flávio Bolsonaro. Até agora, a campanha ainda não entrou na fase de exposição máxima, e os candidatos não utilizaram plenamente o espaço destinado à propaganda eleitoral para apresentar críticas aos adversários. Na visão do presidente do PSD, essa situação favorece momentaneamente o candidato do PL, que ainda não teria sido confrontado de maneira ampla com os ataques que deverão marcar a disputa.

Kassab também considera que a rejeição de Flávio será um obstáculo importante. Segundo informações divulgadas sobre a pesquisa Quaest, o senador apresenta índice elevado de eleitores que afirmam não votar nele de maneira alguma. Para o grupo de Ronaldo Caiado, esse dado representa uma oportunidade para tentar conquistar eleitores de direita que rejeitam Lula, mas que também não pretendem apoiar o candidato escolhido por Jair Bolsonaro.

Propaganda eleitoral será decisiva para a estratégia

A propaganda eleitoral deverá mudar o ambiente da disputa porque os candidatos passarão a ter maior capacidade de apresentar suas versões sobre os principais assuntos da campanha. Assim, temas relacionados ao histórico político de Flávio, ao governo de Jair Bolsonaro e às posições defendidas pelo PL poderão ser levados diretamente ao eleitorado.

Kassab aposta justamente nesse processo para tentar reduzir o crescimento de Flávio. A avaliação do dirigente é de que o senador teria sido preservado até agora porque Lula estaria concentrando parte importante da disputa política e porque outros candidatos ainda não conseguiram ocupar espaço suficiente entre os eleitores de oposição. Quando a campanha avançar, entretanto, esse cenário poderá ser alterado.

Centrão é parte importante da estratégia de Kassab

Outro ponto utilizado por Kassab para sustentar sua avaliação é a dificuldade de Flávio Bolsonaro para construir uma ampla aliança com partidos do chamado Centrão. Segundo o presidente do PSD, legendas que poderiam apoiar o candidato do PL não estariam fechadas com sua candidatura presidencial. Ao mesmo tempo, lideranças de partidos do centro mantêm conversas com diferentes grupos e, em alguns casos, demonstram maior disposição para apoiar Lula.

Esse movimento é importante porque alianças partidárias podem garantir maior estrutura política, tempo de propaganda e presença nos estados. Enquanto Flávio conta com a força do PL e com a identificação de uma parcela expressiva do eleitorado com o bolsonarismo, Caiado tenta se apresentar como uma alternativa para o eleitor de direita que não deseja votar em Lula, mas também não pretende escolher o candidato apoiado por Jair Bolsonaro.

Caiado tenta ocupar espaço entre Lula e Flávio

A estratégia de Kassab está diretamente ligada à candidatura de Ronaldo Caiado. Como candidato a vice na chapa do governador de Goiás, o presidente do PSD precisa demonstrar que existe espaço eleitoral para uma candidatura diferente da polarização entre Lula e Flávio. Por isso, a previsão de enfraquecimento do senador do PL também funciona como uma forma de apresentar Caiado como alternativa para os eleitores de oposição.

A avaliação, entretanto, é contestada pelo grupo de Flávio. O senador afirmou que Kassab teria revelado sua posição política ao declarar que o Centrão está próximo de Lula. Já o senador Rogério Marinho, coordenador da campanha de Flávio, acusou o PSD de funcionar como uma espécie de linha auxiliar do governo petista e questionou a candidatura de Caiado.

Pesquisa mostra que disputa ainda está aberta

Apesar da previsão de Kassab, os números disponíveis não permitem afirmar que Flávio Bolsonaro esteja em processo inevitável de queda. Pelo contrário, o senador aparece competitivo em cenários de segundo turno e conseguiu reduzir a distância para Lula em pesquisas recentes. Dessa forma, a afirmação de que sua candidatura vai desabar representa uma avaliação política do presidente do PSD, e não uma conclusão determinada pelos levantamentos eleitorais.

O cenário também poderá sofrer alterações com o início da campanha oficial, marcado para este domingo, 16 de agosto. A partir desse momento, debates, entrevistas, propaganda eleitoral, redes sociais e eventos públicos deverão aumentar significativamente a exposição dos candidatos. Consequentemente, tanto Lula quanto Flávio estarão sujeitos a maior pressão e precisarão disputar os eleitores que ainda não definiram seu voto.

O que pode acontecer com Flávio Bolsonaro na campanha

A tese de Kassab será colocada à prova nas próximas semanas. Caso Flávio consiga manter ou ampliar seus índices mesmo depois do aumento da exposição, a previsão de que ele perderá força ficará enfraquecida. Por outro lado, se sua rejeição aumentar e sua intenção de voto cair com a intensificação dos ataques, o diagnóstico apresentado pelo presidente do PSD poderá ganhar força dentro do debate eleitoral.

Por enquanto, portanto, a disputa permanece aberta. Kassab aposta que a exposição negativa provocará um forte desgaste em Flávio Bolsonaro, enquanto o candidato do PL e seus aliados sustentam que a força eleitoral do bolsonarismo será suficiente para levá-lo ao segundo turno e à vitória. Com a campanha começando oficialmente, os próximos levantamentos serão fundamentais para mostrar qual das duas estratégias está mais próxima da realidade.

Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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