Morador de Juiz de Fora foi levado para prestar depoimento após suspeita de ameaça contra Flávio Bolsonaro

Um morador de Juiz de Fora, na Zona da Mata de Minas Gerais, foi alvo de uma operação de busca e apreensão neste sábado, 15 de agosto, após uma publicação nas redes sociais ser interpretada como uma possível ameaça ao senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência da República. O homem também foi levado para prestar depoimento, enquanto medidas judiciais foram determinadas para impedir qualquer aproximação com o político durante a campanha eleitoral.A investigação ganhou atenção porque Flávio Bolsonaro tem uma agenda prevista para segunda-feira, 17 de agosto, em Juiz de Fora. A cidade possui um significado especial para a família Bolsonaro porque foi justamente no município que Jair Bolsonaro foi atingido por uma facada durante a campanha presidencial de 2018.
Por isso, a segurança do candidato passou a ser tratada com atenção especial antes da realização do novo ato político. Segundo as informações divulgadas, a publicação foi feita no Facebook em uma postagem relacionada à agenda de Flávio na cidade. O usuário escreveu a frase “dessa vez deixa cmg”, acompanhada por emojis de facas. A mensagem foi identificada na quinta-feira, 13 de agosto, e, posteriormente, os dados associados à conta foram obtidos pela Polícia Legislativa junto à Meta, empresa responsável pelo Facebook.
A partir da identificação do responsável pela publicação, a Polícia Legislativa, que atua na segurança de Flávio Bolsonaro, encaminhou o caso à Justiça. Na sexta-feira, 14 de agosto, foram solicitadas medidas para localizar o suspeito, obter informações de suas comunicações e estabelecer restrições de contato com o candidato presidencial.
As medidas foram autorizadas neste sábado. Assim, uma busca e apreensão foi realizada na residência do morador, que posteriormente foi conduzido para prestar depoimento. A Justiça também determinou que ele não se aproxime de Flávio Bolsonaro nem mantenha contato com o senador, inclusive por meio das redes sociais.
Justiça determina restrições ao suspeito
A decisão judicial estabeleceu restrições que vão além do contato direto com o candidato. O homem ficou proibido de se aproximar da residência e do local de trabalho de Flávio, bem como de espaços onde sejam realizados atos públicos, comícios ou outras atividades de campanha com a presença do senador.
A determinação também possui abrangência territorial ampla. Portanto, a restrição não se limita à agenda que será realizada em Juiz de Fora, sendo aplicável a outros locais onde Flávio Bolsonaro esteja participando de atividades eleitorais. O sigilo telemático do investigado também foi quebrado para auxiliar na apuração dos fatos.
Ameaça ocorre antes de motociata de Flávio Bolsonaro
O episódio aconteceu a poucos dias da visita de Flávio Bolsonaro a Juiz de Fora. O candidato deverá participar de uma motociata na segunda-feira, 17 de agosto, em uma agenda que recupera uma estratégia política bastante associada ao bolsonarismo durante as campanhas anteriores de Jair Bolsonaro.
A realização do evento na cidade também possui forte simbolismo eleitoral. Em 6 de setembro de 2018, Jair Bolsonaro foi esfaqueado durante um ato de campanha em Juiz de Fora. O ataque ocorreu quando o então candidato era carregado por apoiadores durante uma caminhada e acabou se tornando um dos acontecimentos mais marcantes daquela eleição.
O caso também ocorre em um contexto de preocupação com a segurança de Flávio Bolsonaro. Em julho, a equipe do senador informou que um levantamento de inteligência havia identificado milhares de registros relacionados a ameaças, incitação à violência e possíveis referências a ataques contra o candidato.
De acordo com dados divulgados pela equipe de campanha, foram contabilizados 2.288 registros desde junho, incluindo ameaças explícitas, manifestações de incitação à violência, referências codificadas e conteúdos relacionados ao planejamento ou oportunidade de ataques. Diante desse cenário, o esquema de proteção do senador foi reforçado durante atividades públicas.
Caso reacende lembrança do atentado de 2018
A proximidade entre a suposta ameaça atual e a história política de Juiz de Fora tornou o episódio ainda mais sensível. A cidade ficou marcada nacionalmente pelo atentado contra Jair Bolsonaro, que naquele momento disputava a Presidência e acabou hospitalizado após ser atingido por uma facada durante a campanha.
Agora, oito anos depois, a cidade volta a receber um integrante da família Bolsonaro durante uma campanha presidencial. A diferença é que, desta vez, a agenda é protagonizada por Flávio, que tenta conquistar o eleitorado para sua candidatura à Presidência. A escolha do município faz parte da estratégia de utilizar locais importantes para a trajetória política do pai como referências na campanha do filho. Outro elemento considerado pelas autoridades foi a proximidade entre a residência do investigado e o local previsto para a realização do ato. Segundo as informações divulgadas, o homem mora aproximadamente 400 metros do ponto onde deverá ocorrer a agenda de campanha.
As autoridades também informaram que o suspeito é proprietário de um estúdio de tatuagem e possui oito registros anteriores relacionados a crimes como agressão, lesão corporal e ameaça. Esses antecedentes foram considerados no contexto da análise judicial das medidas solicitadas pela Polícia Legislativa, embora a existência de registros anteriores não determine, por si só, a responsabilidade pela nova acusação.
Investigação deverá esclarecer intenção da publicação
A publicação com a frase acompanhada de emojis de facas foi considerada suficientemente preocupante para motivar a adoção das medidas cautelares. No entanto, a investigação deverá analisar o contexto completo da mensagem e demais elementos obtidos durante a busca e a quebra do sigilo telemático. A operação realizada em Juiz de Fora demonstra também como as redes sociais passaram a fazer parte do trabalho de segurança de candidatos durante campanhas eleitorais. Nesse caso, a ameaça foi identificada pela Polícia Legislativa, os dados do responsável foram solicitados à plataforma e, posteriormente, a Justiça autorizou as medidas necessárias para a investigação.
O episódio ocorre, portanto, em um momento de aumento das atividades de campanha de Flávio Bolsonaro e poucos dias depois do início oficial da corrida presidencial. Enquanto o candidato se prepara para levar sua campanha a Juiz de Fora, a segurança deverá receber atenção especial diante do histórico da cidade e das ameaças identificadas anteriormente. A investigação sobre o morador continuará para determinar as circunstâncias da publicação e eventuais responsabilidades, enquanto as restrições impostas pela Justiça permanecem em vigor.



