Flávio Bolsonaro iniciou sua corrida à presidência com público reduzido no último domingo (16)

Flávio Bolsonaro escolheu a Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, para iniciar oficialmente sua campanha à Presidência da República, repetindo um cenário que se tornou simbólico para o movimento liderado por seu pai, Jair Bolsonaro. O local já havia recebido grandes manifestações bolsonaristas e, por isso, a escolha permitiu que o senador apresentasse sua candidatura diante de um público diretamente associado à trajetória política da família. No entanto, a comparação entre os eventos mostra uma diferença expressiva no tamanho das mobilizações.
Segundo estimativa do Monitor do Debate Político da USP/Cebrap e da ONG More in Common, o ato de Flávio Bolsonaro reuniu aproximadamente 8,9 mil pessoas no horário de maior concentração. Considerando a margem de erro de 12%, o público estimado ficou entre 7,8 mil e 9,9 mil participantes, o que representa uma mobilização significativamente menor do que aquela registrada em manifestações anteriores comandadas por Jair Bolsonaro. Dessa forma, o primeiro evento de campanha do senador acabou sendo acompanhado também pela comparação com a capacidade de mobilização demonstrada pelo ex-presidente em momentos importantes de sua trajetória política.
Em 7 de setembro de 2022, durante a campanha pela reeleição, Jair Bolsonaro reuniu cerca de 64 mil pessoas na Avenida Atlântica, de acordo com a mesma metodologia de estimativa utilizada pelo Monitor da USP. Já em um ato realizado na orla de Copacabana em 2025, durante uma manifestação em defesa da anistia, a estimativa foi de aproximadamente 32 mil participantes. Portanto, tomando como referência esses números, o público do evento de Flávio correspondeu a uma parcela bem menor das mobilizações que o pai conseguiu reunir no mesmo espaço.
Flávio Bolsonaro em Copacabana tenta reproduzir cenário do pai
A escolha de Copacabana teve uma dimensão política evidente porque o bairro se consolidou como um dos principais palcos das manifestações de apoio a Jair Bolsonaro. Ao iniciar sua campanha naquele endereço, Flávio procurou associar sua candidatura à imagem construída pelo pai ao longo dos últimos anos, utilizando símbolos, discursos e referências que fazem parte da identidade do bolsonarismo. O movimento também foi reforçado pela reprodução de um áudio de Jair Bolsonaro durante o evento, em uma demonstração de continuidade política.
Durante o ato, Flávio Bolsonaro concentrou seu discurso em temas como segurança pública, combate ao crime organizado, redução de impostos e críticas ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva. O candidato também apresentou propostas para classificar organizações criminosas como terroristas e adotou uma postura de oposição ao que chamou de sistema político. Assim, a campanha foi estruturada para preservar a identificação com o eleitorado do pai, ao mesmo tempo em que uma nova imagem eleitoral começa a ser construída em torno do senador.
A diferença de público, contudo, precisa ser analisada dentro do contexto de cada manifestação. O evento de 2022 ocorreu no feriado de 7 de setembro, uma data nacional com forte capacidade de mobilização, enquanto o ato de Flávio marcou o primeiro dia oficial da campanha eleitoral de 2026. Por isso, embora os números permitam uma comparação direta sobre o tamanho das concentrações, eles não representam, isoladamente, uma medição completa da força eleitoral de cada candidato.
Público de Flávio fica distante das maiores mobilizações de Jair Bolsonaro
Os números registrados em Copacabana revelam que a capacidade de mobilização presencial de Flávio ainda está distante daquela demonstrada por Jair Bolsonaro em seus maiores atos. Em 2022, os aproximadamente 64 mil participantes estimados na Avenida Atlântica representavam uma demonstração de força política em meio à disputa pela reeleição, enquanto a manifestação de 2025 também alcançou uma quantidade de participantes muito superior à registrada agora. Nesse sentido, a largada de Flávio mostrou uma mobilização relevante, mas numericamente menor do que os eventos que serviram de referência para sua estratégia.
Por outro lado, a quantidade de pessoas presentes em um ato político não deve ser confundida automaticamente com intenção de voto. Pesquisas eleitorais recentes mostram que Flávio Bolsonaro se tornou um dos principais nomes da disputa presidencial e aparece em posição competitiva em diferentes cenários, embora Lula ainda registre vantagem em diversos levantamentos. Na pesquisa Quaest divulgada em 14 de agosto, por exemplo, Lula tinha 43% contra 40% de Flávio em um cenário de segundo turno, evidenciando uma disputa mais apertada do que a diferença observada entre os públicos dos atos de Copacabana.
Pesquisas mostram cenário diferente do tamanho dos atos
A distância entre o público reunido por Flávio e os grandes atos de Jair Bolsonaro, portanto, não permite concluir sozinha qual será o desempenho eleitoral do candidato. Pesquisas realizadas antes do início oficial da campanha mostravam Lula na liderança do primeiro turno, mas também indicavam crescimento e competitividade de Flávio em diferentes cenários de segundo turno. Segundo levantamento CNT/MDA divulgado em 11 de agosto, Lula aparecia com 42,4% no primeiro turno, enquanto Flávio tinha 28,7%, e no segundo turno os percentuais eram de 48% e 39,1%, respectivamente.
Com a campanha oficialmente iniciada, Flávio Bolsonaro terá pela frente o desafio de transformar a identificação herdada do pai em votos e ampliar sua presença para além do eleitorado tradicionalmente bolsonarista. O ato de Copacabana mostrou que existe capacidade de mobilização em torno de seu nome, mas também deixou evidente a distância em relação aos maiores eventos liderados por Jair Bolsonaro. Agora, a evolução das pesquisas, a campanha eleitoral e a capacidade de conquistar novos eleitores deverão indicar se a força demonstrada nas urnas poderá se aproximar da relevância política que o sobrenome Bolsonaro alcançou nos últimos anos.



