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Valdemar Costa Neto procurou minimizar o número reduzido de pessoas no início da campanha de Flávio Bolsonaro

O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, apontou o mau tempo como um dos principais motivos para o público reduzido no primeiro ato de campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência da República. A manifestação ocorreu no domingo, 16 de agosto, na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, local escolhido pelo candidato para marcar o início de sua caminhada eleitoral. Segundo estimativa do Monitor do Debate Político da USP e da ONG More in Common, cerca de 8,9 mil pessoas estavam presentes no momento de maior concentração.

A mobilização havia despertado expectativa dentro do grupo político de Flávio porque Copacabana é um dos principais palcos de manifestações ligadas ao bolsonarismo. O espaço foi utilizado diversas vezes por Jair Bolsonaro para grandes atos políticos, o que criou uma referência para a campanha do filho do ex-presidente. Entretanto, a quantidade de participantes ficou abaixo do esperado por aliados, especialmente diante dos números registrados em manifestações anteriores comandadas por Jair Bolsonaro.

Ao comentar o resultado, Valdemar Costa Neto minimizou a quantidade de pessoas presentes e atribuiu parte da baixa adesão às condições climáticas. Segundo o dirigente do PL, o tempo estava ruim e o próprio Flávio havia reconhecido durante seu discurso que não existe comparação possível com a capacidade de mobilização do pai. Dessa forma, a liderança partidária procurou contextualizar o número de participantes sem tratar o resultado como um indicativo definitivo sobre a força eleitoral do candidato.

Valdemar aponta o tempo como responsável pelo público reduzido

A justificativa apresentada por Valdemar ocorreu depois de um ato no qual a campanha esperava encontrar uma presença mais expressiva de apoiadores. A escolha de Copacabana foi feita justamente porque a região possui forte associação com o eleitorado bolsonarista e já recebeu manifestações de grande porte durante a trajetória política de Jair Bolsonaro. Por isso, a comparação entre os eventos acabou sendo inevitável desde o primeiro momento da campanha de Flávio.

A estimativa de 8,9 mil participantes foi registrada às 11h30, considerado o horário de pico da manifestação. Conforme a metodologia utilizada pelo Monitor do Debate Político, com margem de erro de 12%, o público poderia variar entre aproximadamente 7,8 mil e 9,9 mil pessoas. Assim, mesmo considerando a margem de erro, o ato ficou distante das maiores manifestações bolsonaristas realizadas anteriormente na mesma região.

Em 7 de setembro de 2022, durante a campanha pela reeleição, Jair Bolsonaro chegou a reunir cerca de 64,6 mil pessoas na Avenida Atlântica, segundo levantamento citado pela imprensa. Em outro ato realizado em 2024, também na orla de Copacabana, uma estimativa apontou aproximadamente 32,7 mil participantes, enquanto uma manifestação realizada em março de 2026 reuniu cerca de 4,7 mil pessoas. Portanto, os números mostram que a capacidade de mobilização do grupo varia bastante conforme o momento político, a data e o contexto de cada manifestação.

Público do ato de Flávio ficou abaixo da expectativa

A diferença entre o público esperado e o efetivamente registrado passou a ser um dos assuntos relacionados ao primeiro evento presidencial de Flávio Bolsonaro. O candidato procurou reproduzir parte da estratégia visual e política utilizada por Jair Bolsonaro, escolhendo um local tradicional do bolsonarismo e fazendo referências constantes ao pai durante o discurso. Ainda assim, a quantidade de pessoas reunidas mostrou que a transferência automática da capacidade de mobilização de Jair Bolsonaro para seu filho não pode ser considerada garantida.

Durante o ato, Flávio apresentou propostas relacionadas principalmente à segurança pública, ao combate ao crime organizado e à economia, enquanto também direcionou críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O candidato ainda buscou reforçar sua identidade política como representante do grupo criado por Jair Bolsonaro, em uma estratégia que deverá ser mantida durante a campanha. Paralelamente, o discurso reconheceu a dificuldade de substituir politicamente uma figura com a capacidade de mobilização demonstrada pelo ex-presidente em diferentes momentos.

A escolha de Copacabana, portanto, produziu um efeito duplo para a campanha. Por um lado, permitiu que Flávio começasse sua disputa presidencial em um cenário conhecido pelos apoiadores de Jair Bolsonaro e associado a grandes manifestações políticas. Por outro, o número de participantes abriu espaço para comparações com os eventos anteriores e fez com que a explicação sobre o tempo nublado ganhasse destaque nas declarações de Valdemar.

Flávio terá de transformar apoio político em mobilização eleitoral

Apesar do público reduzido em relação aos grandes atos de Jair Bolsonaro, a manifestação de Copacabana representa apenas o começo de uma campanha que deverá passar por diferentes regiões do país. A equipe de Flávio já avalia novas atividades para ampliar a presença do candidato junto à base bolsonarista, incluindo uma possível agenda em Juiz de Fora, cidade onde Jair Bolsonaro sofreu um atentado durante a campanha de 2018. Dessa maneira, novos eventos poderão ser utilizados para medir a capacidade de mobilização do candidato em diferentes locais e circunstâncias.

O episódio também mostra que a campanha de Flávio Bolsonaro deverá ser acompanhada por comparações permanentes com a trajetória de seu pai. Enquanto Valdemar Costa Neto atribuiu o público reduzido principalmente ao tempo ruim, os números registrados pela USP e pela More in Common oferecem um parâmetro objetivo sobre o tamanho da manifestação. Agora, com a campanha oficialmente iniciada, será necessário observar os próximos atos, as pesquisas eleitorais e a evolução da mobilização para avaliar se Flávio conseguirá ampliar sua presença política ao longo da disputa presidencial.

Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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