Flávio Bolsonaro iniciou sua campanha em Copacabana, mas não contou com a presença de todos os aliados

O lançamento da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, realizado neste domingo, 16 de agosto, na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, foi marcado pela ausência de algumas das principais figuras associadas ao bolsonarismo. Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar, não participou presencialmente do evento, enquanto Michelle Bolsonaro, Tarcísio de Freitas e o pastor Silas Malafaia também não estiveram no trio elétrico montado para o ato. A presença dessas lideranças era aguardada pelo peso político que cada uma possui dentro do grupo formado em torno do ex-presidente.
A ausência de Jair Bolsonaro era previsível diante das restrições impostas pela prisão domiciliar, mas sua participação foi registrada de outra maneira durante o evento. Um áudio do ex-presidente foi reproduzido para os apoiadores, reforçando a ligação entre Flávio e o pai e apresentando o senador como representante do projeto político construído pelo ex-presidente. Segundo informações divulgadas sobre o ato, Flávio utilizou essa conexão para reforçar sua candidatura e apresentar-se como sucessor político de Jair Bolsonaro.
Michelle Bolsonaro também não apareceu no evento, embora tenha declarado apoio à candidatura de Flávio durante a campanha. A ausência ocorreu depois de meses de atritos públicos entre a ex-primeira-dama e o senador, em meio a divergências políticas e disputas relacionadas ao espaço de cada um dentro do grupo bolsonarista. Ainda assim, Michelle continua sendo uma das principais figuras políticas do PL e uma liderança considerada relevante para a mobilização de mulheres e eleitores evangélicos.
Jair Bolsonaro e Michelle ficam fora do ato de Flávio
Jair Bolsonaro não pôde comparecer fisicamente ao lançamento da campanha por estar submetido à prisão domiciliar, mas sua participação simbólica foi incorporada ao evento. Um áudio antigo do ex-presidente foi utilizado durante o discurso de Flávio, reforçando a estratégia de associar a candidatura presidencial ao legado construído pelo pai. A iniciativa permitiu que a imagem de Jair Bolsonaro permanecesse presente em Copacabana, mesmo sem sua presença no palco.
Michelle, por sua vez, havia se aproximado novamente da candidatura de Flávio depois de um período de tensão dentro da família Bolsonaro. Em julho, Jair Bolsonaro chegou a oficializar Flávio como seu candidato e porta-voz, em uma tentativa de consolidar a união do grupo para a eleição presidencial. Apesar disso, a ausência de Michelle no lançamento realizado no Rio chamou atenção porque sua participação poderia representar uma demonstração pública de unidade entre diferentes segmentos do eleitorado bolsonarista.
Os conflitos anteriores entre Michelle e Flávio ajudam a contextualizar a ausência no primeiro grande ato da campanha. Em junho, a ex-primeira-dama havia feito críticas públicas ao senador, afirmando ter sido desrespeitada em uma discussão relacionada a decisões partidárias, episódio que provocou preocupação entre aliados. Posteriormente, os dois lados passaram a sinalizar uma reaproximação, mas a falta de Michelle em Copacabana manteve a atenção sobre a relação política dentro da família.
Tarcísio e Malafaia também não participaram do lançamento
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, foi outra ausência de peso no lançamento presidencial de Flávio Bolsonaro. O político do Republicanos havia sido apontado durante meses como uma alternativa dentro da direita para enfrentar Lula, enquanto setores do bolsonarismo chegaram a defender uma composição entre Tarcísio e Michelle Bolsonaro. Com a definição de Flávio como candidato do PL, Tarcísio permaneceu fora do palco de Copacabana e não participou do evento de estreia da campanha.
Silas Malafaia também não compareceu presencialmente ao ato, embora tenha encaminhado uma mensagem de apoio a Flávio Bolsonaro. O pastor teve papel destacado na organização de grandes manifestações bolsonaristas realizadas nos últimos anos e possui influência entre parcelas do eleitorado evangélico. Em uma mensagem exibida durante o evento, Malafaia declarou apoio irrestrito à candidatura, mas sua ausência física acabou sendo observada entre os principais nomes que não subiram ao trio elétrico.
A relação entre Malafaia e a candidatura de Flávio também passou por diferentes momentos ao longo de 2026. No início do ano, o pastor havia demonstrado preferência por uma eventual chapa formada por Tarcísio e Michelle, mas posteriormente sinalizou que apoiaria Flávio na disputa presidencial. Assim, sua mensagem de apoio durante o lançamento demonstra uma aproximação política com o candidato, embora a ausência no evento tenha criado uma diferença entre o apoio declarado e a presença física no primeiro ato.
Romário deixa o PL e apoia Eduardo Paes
Outro nome cuja ausência foi percebida no lançamento foi o senador Romário, que havia sido eleito pelo PL em 2022 e possui trajetória política consolidada no Rio de Janeiro. O ex-jogador de futebol deixou o partido na sexta-feira, 14 de agosto, para apoiar Eduardo Paes na disputa pelo governo estadual, afastando-se da estrutura partidária que sustenta a candidatura presidencial de Flávio. A decisão ocorreu justamente antes do primeiro ato de campanha do senador e evidenciou a existência de diferentes alianças políticas no cenário fluminense.
Sem a participação dessas lideranças nacionais, Flávio Bolsonaro dividiu o palco principalmente com integrantes da estrutura do PL e políticos ligados ao bolsonarismo no Rio de Janeiro. O vice da chapa, Alfredo Gaspar, o presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, e nomes como Douglas Ruas, Carlos Portinho e Carlos Jordy estiveram entre os participantes do evento. Douglas Ruas disputa o governo do Rio, enquanto Portinho e Jordy são candidatos ao Senado e integram o grupo político que busca fortalecer a campanha de Flávio no estado.
Apesar das ausências, o lançamento serviu para apresentar a estrutura inicial da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro e reforçar sua ligação com Jair Bolsonaro. O evento teve como principais temas a segurança pública, o combate às organizações criminosas, críticas ao governo Lula e a defesa do legado do ex-presidente, enquanto a candidatura busca consolidar apoio nacional. A ausência de figuras como Michelle Bolsonaro, Tarcísio de Freitas e Silas Malafaia, portanto, passou a fazer parte da repercussão do primeiro ato, ao mesmo tempo em que a campanha tenta demonstrar unidade e ampliar sua base eleitoral.



