EUA mudam chefe de escritório responsável por Brasil e América Latin

Uma nova mudança na estrutura diplomática dos Estados Unidos chama a atenção para o relacionamento do país com o Brasil e outras nações da América Latina. O governo do presidente Donald Trump anunciou nesta terça-feira (18) que Juan Pablo Segura assumiu oficialmente a função de Secretário de Estado Adjunto para Assuntos do Hemisfério Ocidental, área responsável por acompanhar temas estratégicos envolvendo os países da região. Segura tomou posse na última sexta-feira (14), mas a confirmação pública ocorreu somente agora. A escolha acontece em um período de crescente atenção sobre os vínculos entre Washington e Brasília, especialmente diante de divergências recentes envolvendo questões diplomáticas, imigração, liberdade de expressão e decisões tomadas pelas autoridades brasileiras. A chegada do novo secretário, portanto, passa a ser observada como mais um elemento importante na política externa norte-americana para o continente.
Em uma publicação na rede social X, Segura afirmou que considera uma honra servir ao presidente Trump, ao secretário de Estado Marco Rubio e ao povo dos Estados Unidos. A mensagem foi divulgada em inglês e espanhol, reforçando a intenção de manter comunicação direta com diferentes públicos da região. Ao apresentar suas prioridades, o novo secretário destacou a busca por uma América Latina mais segura, com combate à atuação de cartéis e grupos classificados pelo governo norte-americano como narcoterroristas, além de maior prosperidade econômica para os Estados Unidos e seus parceiros. Segura também mencionou a proteção das fronteiras como uma das prioridades de sua atuação. Antes de assumir o posto, ele fez questão de reconhecer o trabalho do embaixador Michael Kozak, que ocupou interinamente a posição por mais de 18 meses. Segundo Segura, Kozak contribuiu para os objetivos do Departamento de Estado no continente durante esse período.
A indicação de Juan Pablo Segura começou a avançar meses antes da posse. A Casa Branca apresentou seu nome em abril, e posteriormente ele participou de uma audiência no Comitê de Relações Exteriores do Senado dos Estados Unidos, realizada em junho. A confirmação pelo Senado ocorreu no mês passado, abrindo caminho para sua chegada ao cargo. A mudança ocorre paralelamente a uma fase de maior atenção diplomática entre Washington e Brasília. No início de agosto, o governo norte-americano anunciou a revogação do visto da embaixadora brasileira nos Estados Unidos, Maria Luiza Ribeiro Viotti. A medida foi apresentada como uma resposta à decisão brasileira de não conceder aprovação diplomática formal ao nome indicado por Trump para ocupar a embaixada norte-americana em Brasília, Daniel Perez. O governo brasileiro informou que a análise da indicação não deverá ocorrer antes das eleições previstas para outubro, acrescentando mais um ponto de interesse nas relações entre os dois países.
Segura também já havia demonstrado interesse por assuntos relacionados ao Brasil antes de assumir a nova função. Em abril, ele compartilhou uma publicação do escritório do Hemisfério Ocidental sobre a decisão dos Estados Unidos de solicitar a saída de um funcionário brasileiro relacionado a uma investigação envolvendo a prisão do ex-deputado federal Alexandre Ramagem pela polícia migratória norte-americana. Na ocasião, Segura defendeu a posição de Washington e afirmou que estrangeiros não deveriam utilizar o sistema migratório dos Estados Unidos para evitar pedidos oficiais de extradição ou prolongar disputas políticas em território norte-americano. A manifestação ganhou destaque por envolver diretamente uma questão relacionada ao Brasil. O episódio mostrou que o novo secretário já acompanhava de perto determinados temas envolvendo autoridades brasileiras e indicou que assuntos ligados à imigração, cooperação internacional e relações institucionais podem permanecer entre os pontos de atenção durante sua gestão.
Outro episódio que colocou Segura em evidência ocorreu em fevereiro de 2025, quando ele comentou uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, envolvendo a rede social X. Na ocasião, o novo secretário afirmou que o respeito à soberania deveria funcionar nos dois sentidos entre os Estados Unidos e seus parceiros, incluindo o Brasil. Ele também criticou medidas que, em sua avaliação, poderiam afetar o acesso à informação e a atuação de empresas norte-americanas. A publicação recebeu apoio de Elon Musk, proprietário da plataforma. As manifestações anteriores ajudam a explicar por que a nomeação de Segura desperta atenção no Brasil: além de ocupar agora uma posição de destaque na política externa dos Estados Unidos, ele chega ao cargo com declarações públicas sobre assuntos que envolvem diretamente instituições e decisões brasileiras. A expectativa é de que sua atuação seja acompanhada de perto por diplomatas, autoridades e setores econômicos dos dois países.
Antes de ingressar no Departamento de Estado, Juan Pablo Segura construiu uma trajetória ligada ao setor empresarial e à administração pública. Ele ocupou o cargo de secretário de Comércio e Negócios da Comunidade da Virgínia durante a gestão do republicano Glenn Youngkin, período em que, segundo informações do Departamento de Estado, participou de iniciativas voltadas ao crescimento econômico do estado. Sua experiência no setor privado também chama atenção: em 2014, fundou a Babyscripts, empresa voltada ao uso de tecnologia em cuidados pré-natais e pós-parto. Segura é contador público e formado pela Universidade de Notre Dame, em Indiana. Agora, sua chegada ao comando da área do Departamento de Estado dedicada ao Hemisfério Ocidental ocorre em um cenário de importantes debates entre Estados Unidos e América Latina. Para o Brasil, a mudança representa mais um capítulo nas relações com Washington e coloca o novo secretário no centro de decisões que poderão influenciar o diálogo diplomático entre os dois países nos próximos meses.



