Quem era Carlos Cesare? Ator que viveu Pablo no “Qual é a Música?” morre aos 60 anos

O ator Carlos Cesare, conhecido como Pablo, personagem da primeira versão do quadro “Qual é a Música?”, morreu no domingo, 16 de agosto de 2026, aos 60 anos. A informação foi confirmada por seus familiares, que posteriormente divulgaram que o artista sofreu congestão e edema pulmonares, seguidos de falência cardíaca. A morte provavelmente ocorreu enquanto ele dormia. Embora tenha ficado conhecido nacionalmente por sua participação no programa comandado por Silvio Santos no SBT, Cesare desenvolveu uma trajetória ligada principalmente ao teatro, ao circo e à criação de personagens populares. A despedida aconteceu na tarde de segunda-feira (17), em São José dos Campos, no interior de São Paulo, cidade onde ele também realizou projetos culturais. A notícia provocou manifestações de pesar entre familiares, amigos e pessoas que acompanharam seu trabalho.
Carlos Cesare ficou conhecido como Pablo no SBT
Para uma parcela significativa do público, Carlos Cesare será sempre lembrado como Pablo, personagem que participou da fase original de “Qual é a Música?” durante a década de 1980. O quadro, apresentado por Silvio Santos, colocava artistas e convidados em uma disputa musical, na qual precisavam reconhecer canções a partir de pistas, trechos instrumentais ou interpretações realizadas no palco. A atração se transformou em um dos formatos mais conhecidos da televisão brasileira e foi retomada em diferentes momentos da programação do SBT. Nesse cenário marcado por música, humor e interação com os participantes, Pablo conquistou visibilidade. Apesar de sua presença no programa ter se tornado a principal referência usada pelo público para identificá-lo, o ator construiu uma carreira mais ampla e permaneceu envolvido com projetos artísticos depois de sua passagem pela televisão.
Carreira artística começou no teatro em 1986
Carlos Cesare iniciou sua trajetória profissional na atuação em 1986, justamente no período em que o entretenimento televisivo e os espetáculos populares ocupavam grande espaço na cultura brasileira. No teatro, ele interpretava o Palhaço Cotonete, personagem que ajudou a revelar sua habilidade para a comédia e para a comunicação direta com diferentes públicos. O trabalho como palhaço exige mais do que produzir situações engraçadas: envolve expressão corporal, improvisação, domínio do ritmo cênico e sensibilidade para perceber as reações da plateia. Essas características acompanharam o artista durante sua carreira e também contribuíram para sua desenvoltura diante das câmeras. Dessa maneira, sua participação no SBT não representou uma experiência isolada, mas uma extensão de uma formação construída nos palcos, em contato próximo com espectadores e com a linguagem tradicional dos artistas circenses.
“Armazém do Eugênio” marcou trajetória do artista
Outro projeto importante criado por Carlos Cesare foi o espetáculo “Armazém do Eugênio”, iniciado em 2003. A produção ampliou sua ligação com o universo do circo e apresentou ao público o Palhaço Eugênio Garnizé, uma de suas criações mais importantes. Depois de um longo intervalo, o show foi retomado em 2023, em parceria com Gustavo Delfino, na cidade de São José dos Campos. O retorno demonstrou que Cesare continuava interessado em preservar seus personagens e manter vivo o contato com o palco. Em vez de permanecer associado somente à lembrança do programa televisivo, ele seguiu desenvolvendo trabalhos autorais e investindo em uma linguagem que combinava interpretação, humor e elementos circenses. O projeto também se tornou uma maneira de aproximar diferentes gerações, pois permitiu que pessoas que conheceram o ator na televisão reencontrassem seu trabalho, enquanto novos espectadores eram apresentados à sua produção artística.
Amizade com Domingos Montagner nasceu por meio do circo
Foi interpretando o Palhaço Eugênio Garnizé que Carlos Cesare, conhecido como Pablo, tornou-se amigo do ator Domingos Montagner, morto em 2016. Antes de conquistar projeção nacional em novelas e séries, Montagner possuía uma relação profunda com o circo, tendo sido um dos fundadores do grupo La Mínima. A amizade entre os dois artistas revela um ponto de encontro construído por meio da arte circense, do teatro e da criação de personagens. Esse vínculo também ajuda a dimensionar a inserção de Cesare em um ambiente cultural que vai muito além da televisão. O circo brasileiro reúne profissionais que trabalham simultaneamente como atores, palhaços, produtores, autores e educadores, muitas vezes desenvolvendo espetáculos independentes e circulando por diferentes cidades. Carlos fez parte desse universo e encontrou nele um espaço para manter sua criatividade ativa durante décadas.
Família revelou a causa da morte do ator
De acordo com as informações divulgadas pelos familiares, Carlos Cesare morreu em consequência de congestão e edema pulmonares, que foram seguidos por falência cardíaca. A suspeita é de que a morte tenha ocorrido durante o sono. A congestão pulmonar acontece quando existe acúmulo de sangue nos vasos dos pulmões, enquanto o edema pulmonar envolve o acúmulo de líquido no interior do órgão, situação que compromete a respiração e reduz a oxigenação do organismo. Em quadros graves, essas alterações podem sobrecarregar o coração e contribuir para uma falência cardíaca. Não foram informados detalhes sobre eventuais doenças anteriores ou tratamentos médicos realizados pelo ator. Por isso, qualquer conclusão adicional sobre seu estado de saúde seria precipitada. A família limitou-se a comunicar as causas identificadas e a organizar a cerimônia de despedida, realizada no dia seguinte ao falecimento.
Carlos Cesare deixa filho e legado no entretenimento
Carlos Cesare era pai de Gregório Musatti, fruto de seu relacionamento com a artista Paola Musatti. Aos 60 anos, ele deixa uma trajetória iniciada quatro décadas antes, marcada por personagens que transitaram entre a televisão, o teatro e o universo circense. Sua imagem como Pablo permanece ligada a uma fase histórica do “Qual é a Música?” e à memória afetiva dos telespectadores que acompanhavam o programa de Silvio Santos. Entretanto, seu legado também está presente no Palhaço Cotonete, no Palhaço Eugênio Garnizé e no espetáculo “Armazém do Eugênio”, retomado poucos anos antes de sua morte. Essas criações mostram um profissional comprometido com a continuidade de sua arte e com o encontro direto com o público. Assim, a despedida de Carlos Cesare representa não apenas a perda de um rosto conhecido do SBT, mas também de um artista que dedicou grande parte da vida à interpretação, ao humor e à tradição do palhaço brasileiro.



