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Amiga de Lulinha encaminhou minuta de contrato a ex chefe de gabinete de Lula

Uma minuta de contrato para a venda de medicamentos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde entrou no radar das investigações da Polícia Federal. O documento teria sido enviado ao ex-chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, pela lobista Roberta Luchsinger. Segundo informações obtidas pela PF, a proposta previa a dispensa de licitação. Marcola confirmou ter recebido o modelo, mas afirmou que não encaminhou o material a integrantes do governo. As mensagens foram reveladas pelo jornal O Globo e confirmadas pela Folha de S.Paulo.

As investigações indicam que a proposta não avançou dentro do Ministério da Saúde. Roberta Luchsinger chegou a ser recebida na pasta, onde apresentou suas demandas. O então secretário-executivo do ministério, Swedenberger Barbosa, conhecido como Berger, afirmou a interlocutores que uma de suas atribuições era receber pessoas e encaminhar solicitações para análise técnica e posterior decisão. Segundo as apurações, não houve continuidade da proposta apresentada pela empresária. O caso chama atenção porque os contatos envolvendo Roberta também incluem pessoas próximas ao núcleo político do governo e passaram a ser analisados no contexto das investigações relacionadas a supostas irregularidades no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Roberta é apontada nas investigações como amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente, e também aparece relacionada ao lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. Os investigadores analisam encontros e conversas que envolveram Roberta, Lulinha, Marcola e Berger. Em mensagens obtidas pela Polícia Federal, também aparecem tratativas sobre atividades profissionais e pagamentos. Em uma delas, Roberta comenta com Lulinha que “nosso futuro é Suíça”, em referência ao trabalho dos dois. A conversa havia sido divulgada inicialmente pelo site Metrópoles e passou a integrar o conjunto de informações analisadas pelas autoridades.

Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores envolve a compra de duas joias de diamantes, supostamente adquiridas por Roberta a pedido de Marcola para serem entregues como presente no Dia das Mães de 2024. Segundo os diálogos analisados, Marcola teria participado da escolha das peças por meio de imagens enviadas durante as conversas. O valor estimado da aquisição ficou em aproximadamente R$ 9 mil. A defesa do ex-chefe de gabinete afirma que a quantia desembolsada pela empresária fazia parte do valor total de um empréstimo concedido a ele, posteriormente quitado. No início de agosto, Marcola declarou ter recebido um empréstimo que, com a correção, chegou a R$ 249 mil e que a dívida já havia sido paga.

As mensagens envolvendo Lulinha também estão sob análise. De acordo com os investigadores, existem conversas nas quais Roberta recebe orientações para emitir notas destinadas à cobrança de valores de um empresário que também é alvo de apurações. O material foi incorporado às investigações que buscam esclarecer possíveis relações entre empresários, intermediários e pessoas com acesso a integrantes do poder público. Até o momento, porém, a própria apuração indica que a proposta de fornecimento de medicamentos ao Ministério da Saúde não teve prosseguimento. As circunstâncias das reuniões, das mensagens e das transações financeiras continuam sendo examinadas pelas autoridades responsáveis pelo caso.

As informações fazem parte de um conjunto mais amplo de diligências derivadas das investigações sobre possíveis irregularidades envolvendo o INSS. Marcola reconhece o recebimento da minuta do contrato, mas nega ter encaminhado o documento ao governo. A defesa dele sustenta que o valor relacionado às joias estava inserido no empréstimo já quitado. Swedenberger, por sua vez, explica que o recebimento de pessoas fazia parte de suas funções no ministério e ressalta que as demandas deveriam passar por análise técnica. A defesa de Roberta não se manifestou, alegando respeitar o sigilo determinado nos autos. O caso segue em apuração, e eventuais responsabilidades ainda dependem da conclusão das investigações e das decisões das autoridades competentes.

Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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