Candidato à reeleição ao Governo de SP, Tarcísio mostrou que tem participação direta no túnel Santos-Guarujá

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, afirmou que teve participação decisiva para convencer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a autorizar o modelo de Parceria Público-Privada (PPP) para a construção do túnel Santos-Guarujá, uma das principais obras de infraestrutura atualmente previstas para o litoral paulista. A declaração foi feita durante a 27ª Conferência Anual do Santander, em meio à campanha de Tarcísio pela reeleição ao governo paulista. Segundo o governador, a alternativa apresentada a Lula permitiria acelerar o processo e evitar etapas que poderiam atrasar o início do empreendimento.
Tarcísio relatou que procurou diretamente Lula para discutir a condução do projeto e apresentou argumentos relacionados às condições jurídicas e administrativas existentes em São Paulo. Na avaliação do governador, o Estado já possuía autorização da Assembleia Legislativa para estruturar a concessão, enquanto a realização do projeto pela União exigiria procedimentos adicionais no Congresso Nacional. Dessa maneira, conforme o relato apresentado por Tarcísio, a transferência da responsabilidade pela concessão para São Paulo permitiria que o projeto avançasse de forma mais rápida.
A construção do túnel Santos-Guarujá está inserida em um projeto de infraestrutura que envolve os governos federal e estadual e representa uma antiga demanda da Baixada Santista. O empreendimento foi incluído no Novo PAC e, em abril deste ano, uma operação de crédito de R$ 2,57 bilhões foi firmada entre os governos Lula e Tarcísio para viabilizar a participação financeira de São Paulo na PPP. O investimento total estimado chegou a R$ 6,8 bilhões, colocando o túnel entre os maiores projetos individuais de infraestrutura associados ao programa federal.
Tarcísio e Lula atuam juntos no túnel Santos-Guarujá
Segundo Tarcísio, três argumentos principais foram apresentados ao presidente Lula para defender que o governo paulista assumisse a condução da PPP. O governador afirmou que São Paulo já contava com uma empresa garantidora, possuía autorização legislativa aprovada pela Assembleia e poderia submeter a análise ao Tribunal de Contas do Estado posteriormente, enquanto uma operação federal dependeria de procedimentos prévios no Tribunal de Contas da União. Com isso, a mudança no modelo de execução teria sido apresentada como uma maneira de reduzir o tempo necessário para colocar o projeto em andamento.
A declaração ganhou relevância porque Tarcísio e Lula estão em campos políticos diferentes durante as eleições de 2026, mas mantiveram uma cooperação institucional em torno do empreendimento. O governador é candidato à reeleição pelo Republicanos, enquanto Lula disputa novamente a Presidência pelo PT, e a infraestrutura passou a ser um dos temas utilizados pelos dois grupos para apresentar resultados administrativos. Apesar da disputa eleitoral, o acordo envolvendo o túnel foi mantido como exemplo de articulação entre governos de diferentes correntes políticas.
Em tom irônico, Tarcísio afirmou que não teria problema caso Lula quisesse associar sua imagem à obra, dizendo que o presidente poderia até colocar símbolos do PT no túnel. A declaração foi feita para reforçar que, segundo o governador, o mais importante seria garantir a execução do empreendimento, independentemente de quem recebesse o reconhecimento político pela realização. A mesma postura foi posteriormente destacada em outras declarações públicas, nas quais Tarcísio afirmou que voltaria a procurar Lula para defender projetos considerados importantes para São Paulo.
Como será o túnel que ligará Santos e Guarujá
O túnel Santos-Guarujá foi planejado para estabelecer uma ligação direta entre os dois municípios, reduzindo a dependência da atual travessia por balsas. O projeto prevê aproximadamente 1,5 quilômetro de extensão, com cerca de 870 metros de trecho submerso, além de faixas para veículos, espaço destinado a pedestres e ciclistas e estrutura que poderá atender futuramente ao transporte sobre trilhos. A tecnologia escolhida considera as características geológicas da região e também as limitações impostas pelo intenso movimento de navios no canal do Porto de Santos.
A obra também deverá produzir efeitos sobre a mobilidade da Baixada Santista e sobre a circulação de pessoas e mercadorias na região portuária. Atualmente, a ligação direta entre Santos e Guarujá depende principalmente do sistema de balsas, enquanto a alternativa terrestre exige um percurso significativamente maior. Por isso, a construção do túnel é tratada pelos governos envolvidos como um projeto estratégico para transporte, logística, atividade econômica e integração regional.
Projeto envolve bilhões e participação dos governos
O financiamento do túnel foi estruturado por meio de uma combinação de recursos públicos e participação privada, seguindo o modelo de PPP. Em abril, o Banco do Brasil estruturou um empréstimo de R$ 2,57 bilhões para a contrapartida paulista, com garantia da União, enquanto a União também participa do esforço financeiro necessário para viabilizar o empreendimento. O acordo foi apresentado pelo governo federal como resultado de uma parceria institucional com São Paulo, e o vice-presidente Geraldo Alckmin destacou na ocasião a cooperação entre as administrações.
O projeto também está relacionado a uma longa discussão sobre a melhor forma de conectar Santos e Guarujá, cidades separadas pelo canal de acesso ao Porto de Santos. A construção de uma ponte foi considerada menos adequada diante das condições locais, especialmente por causa do tráfego intenso de embarcações e de restrições relacionadas à infraestrutura aeroportuária. Assim, a alternativa do túnel imerso passou a ser tratada como solução capaz de preservar a navegação e, simultaneamente, criar uma ligação permanente entre os dois lados.
A disputa política em torno da obra, portanto, passou a dividir espaço com a necessidade de garantir sua execução dentro dos prazos e dos custos previstos. Tarcísio atribui a si parte importante da articulação que permitiu a adoção da PPP pelo Estado, enquanto integrantes do governo federal destacam a participação de Brasília por meio do PAC, do financiamento e de instituições como o BNDES e o Banco do Brasil. Dessa forma, o túnel Santos-Guarujá tornou-se um exemplo de como interesses administrativos podem produzir acordos entre grupos que permanecem adversários no cenário eleitoral.
Infraestrutura ganha peso na eleição de São Paulo
A declaração de Tarcísio sobre Lula ocorre justamente no início oficial da campanha eleitoral de 2026 e coloca uma obra bilionária no centro do debate político paulista. O governador tenta apresentar resultados de sua administração e, ao mesmo tempo, mostrar que mantém capacidade de diálogo com o governo federal quando considera que uma negociação pode acelerar investimentos no Estado. Enquanto isso, seus adversários também passaram a destacar a participação federal no projeto para reforçar o papel de Brasília na viabilização do empreendimento.
O túnel Santos-Guarujá, portanto, passou a representar não apenas uma intervenção de mobilidade urbana, mas também um projeto de forte importância econômica e política para São Paulo. Embora Tarcísio e Lula estejam em lados opostos na disputa eleitoral, a obra foi viabilizada por uma combinação de decisões estaduais, recursos federais e participação privada. O resultado dessa articulação deverá ser acompanhado durante os próximos anos, principalmente pela população da Baixada Santista, que aguarda uma solução definitiva para a ligação entre Santos e Guarujá.



