Dilcon Afonso, candidato do PL, foi intimado pelo TRE e precisou mudar de foto

Um candidato a primeiro suplente de senador pelo Piauí teve de alterar a fotografia apresentada à Justiça Eleitoral depois de aparecer caracterizado como Jesus Cristo no registro de candidatura. Dilcon Afonso Santos Carvalho, de 58 anos, havia enviado uma imagem em que estava vestido como o personagem que interpreta há décadas em apresentações religiosas no estado, inclusive com uma coroa de espinhos. A fotografia, que seria utilizada para identificação na urna eletrônica, foi questionada pelo Tribunal Regional Eleitoral do Piauí e acabou sendo substituída após a intimação.
Dilcon é candidato a primeiro suplente na chapa de Dionísio Carvalho, que disputa uma vaga ao Senado pelo Democracia Cristã (DC) no Piauí. Com formação superior em administração, ele também atua como professor de ensino religioso em uma escola particular e possui trajetória ligada às encenações da Paixão de Cristo. Segundo o candidato titular da chapa, Dilcon interpreta Jesus há aproximadamente 35 anos e sua caracterização faz parte de sua atividade artística e de sua relação com o público de Teresina.
A intimação foi expedida pelo TRE-PI no dia 16 de agosto e determinou que uma fotografia recente fosse apresentada dentro do prazo estabelecido pela Justiça Eleitoral. Embora a determinação não tenha citado especificamente a coroa de espinhos ou as roupas utilizadas na imagem, as regras eleitorais estabelecem critérios para as fotografias que aparecem nos registros de candidatura. Como o não cumprimento poderia levar ao indeferimento do registro, a campanha decidiu providenciar uma nova fotografia.
Candidato no PI precisa substituir foto usada na urna
A legislação eleitoral determina que a fotografia apresentada pelo candidato tenha características específicas para facilitar sua identificação pelo eleitor. Conforme a Resolução TSE nº 23.609/2019, a imagem deve ser recente, colorida, possuir fundo uniforme e mostrar o candidato de forma frontal, em plano de busto, com trajes adequados para uma fotografia oficial. Também são permitidas determinadas indumentárias ou pinturas corporais de caráter étnico ou religioso, mas elementos cênicos e adornos que possam dificultar o reconhecimento ou apresentar conotação de propaganda eleitoral são vedados.
No caso de Dilcon, a fotografia original apresentava uma caracterização completa de Jesus Cristo, incluindo a coroa de espinhos. Embora o personagem seja interpretado pelo candidato em atividades culturais e religiosas há décadas, a Justiça Eleitoral considerou necessário que uma nova imagem fosse apresentada dentro dos padrões exigidos para o registro. Dessa forma, a campanha informou que faria a substituição para evitar que a chapa enfrentasse risco de indeferimento.
A mudança, portanto, não significa que a atuação artística ou religiosa de Dilcon tenha sido proibida durante a campanha eleitoral. O que foi determinado foi o ajuste da fotografia oficial utilizada para identificá-lo como candidato na urna eletrônica, seguindo as regras estabelecidas para esse tipo de registro. Segundo informações divulgadas pela campanha, a nova imagem seria apresentada ainda na noite de 18 de agosto, dentro do prazo de três dias concedido após a intimação.
Foto de Jesus Cristo provoca reação de candidato ao Senado
A decisão do TRE-PI também provocou uma manifestação pública de Dionísio Carvalho, candidato titular da chapa. Ele afirmou que pretende recorrer da determinação e questionou a diferença de tratamento em relação a outras fotografias utilizadas por candidatos, citando especificamente a imagem de Luiz Inácio Lula da Silva, que aparece usando um chapéu em sua fotografia eleitoral. A comparação passou a fazer parte da discussão pública sobre quais acessórios podem ou não ser utilizados nas imagens destinadas à urna.
Dionísio argumentou que a caracterização de Dilcon não teria como objetivo produzir uma mensagem eleitoral e que o candidato poderia ser facilmente reconhecido na fotografia. Segundo ele, a imagem foi escolhida porque Dilcon é conhecido por interpretar Jesus na tradicional Paixão de Cristo de Teresina, atividade que integra sua trajetória há cerca de 35 anos. O candidato titular afirmou ainda que a coroa seria retirada para evitar problemas no registro, mas que a intenção de questionar a decisão da Justiça Eleitoral seria mantida.
Entenda as regras para fotos dos candidatos
A discussão envolvendo o candidato no Piauí está relacionada à necessidade de diferenciar uma fotografia oficial de uma imagem utilizada para divulgação ou representação artística. A Justiça Eleitoral estabelece padrões justamente porque a fotografia exibida na urna eletrônica funciona como um dos principais elementos de identificação do candidato durante a votação. Por isso, mesmo quando determinado acessório possui significado cultural, profissional ou religioso, sua utilização precisa estar de acordo com as regras eleitorais aplicáveis.
O caso também mostra como situações particulares podem chegar à análise da Justiça Eleitoral durante o processo de registro das candidaturas. No episódio envolvendo Dilcon Afonso, a campanha optou pela troca da imagem para cumprir a determinação dentro do prazo, enquanto a defesa política da chapa anunciou a intenção de contestar a decisão. Assim, a fotografia que originalmente mostrava o candidato caracterizado como Jesus Cristo deverá dar lugar a uma imagem oficial adequada às exigências estabelecidas para as eleições de 2026.



