Caiado diz que Lula comanda “governo de ladrões” e critica fim da taxa das blusinhas em ano eleitoral

O candidato à Presidência da República pelo PSD, Ronaldo Caiado, elevou o tom das críticas ao governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante um evento realizado em Brasília, na terça-feira (18). Ao comentar a decisão de reduzir a zero o imposto de importação sobre compras internacionais de até US$ 50, o governador de Goiás afirmou que a medida teria caráter eleitoral e acusou a atual administração federal de tentar melhorar sua imagem junto à população às vésperas do pleito. Em sua avaliação, a alteração na cobrança não deveria ser tratada como uma decisão isolada, mas analisada dentro de um cenário mais amplo de política econômica e disputa eleitoral. Caiado chegou a classificar o governo como uma “cleptocracia” e utilizou a expressão “governo de ladrões”, em uma declaração que rapidamente ganhou destaque no debate político nacional. A fala ocorreu após o candidato ser questionado sobre qual seria sua posição em relação à chamada “taxa das blusinhas”, tema que envolve milhões de consumidores brasileiros e também tem impacto nas contas públicas.
Ao explicar sua visão, Caiado afirmou que considera inadequado alterar regras tributárias em um período próximo às eleições com o objetivo, segundo ele, de conquistar a aprovação dos eleitores. O candidato acusou a gestão petista de agir de “má-fé” e disse que a mudança poderia representar uma tentativa de “comprar a boa-fé das pessoas”. Ele também classificou a iniciativa como uma “prática criminosa” e afirmou que a população merece maior previsibilidade nas decisões econômicas. Apesar das críticas, Caiado evitou anunciar de forma definitiva qual seria sua política para as compras internacionais caso chegasse à Presidência. Em vez de confirmar a manutenção da alíquota zero ou a retomada da cobrança anterior, afirmou que pretende ouvir representantes de diferentes setores antes de tomar uma decisão. Segundo o candidato, eventuais mudanças deverão ser avaliadas com equilíbrio, levando em consideração consumidores, empresas, arrecadação e o ambiente de negócios.
A chamada “taxa das blusinhas” passou a fazer parte do cotidiano de consumidores que realizam compras em plataformas internacionais. A cobrança federal de 20% alcançava encomendas de até US$ 50 realizadas por empresas participantes do programa Remessa Conforme, incluindo grandes plataformas de comércio eletrônico. A criação da alíquota ocorreu em 2024, durante o próprio governo Lula, em meio às discussões sobre a necessidade de estabelecer regras para o comércio internacional e ampliar a arrecadação. Em maio deste ano, porém, o governo zerou temporariamente a alíquota por meio de uma portaria do Ministério da Fazenda, editada após uma medida provisória permitir a alteração da cobrança. A mudança abriu uma nova frente de debate no Congresso e entre setores ligados ao varejo, que acompanham os efeitos da decisão sobre a concorrência entre produtos nacionais e importados.
Para Caiado, a definição da política tributária precisa estar associada a regras fiscais claras e maior segurança jurídica. O candidato afirmou que, caso seja eleito, pretende criar um ambiente mais previsível para empresas e investidores, buscando ampliar a confiança na economia brasileira. A discussão, entretanto, ainda não está encerrada. A medida que estabeleceu a alíquota zero depende da análise do Congresso Nacional, onde uma comissão mista iniciou os trabalhos em 12 de agosto. Uma nova reunião está prevista para 1º de setembro, etapa que poderá influenciar os próximos passos da proposta. Caso a medida provisória não seja aprovada dentro do prazo previsto, a cobrança de 20% poderá voltar a valer a partir de 8 de setembro. Com isso, consumidores e empresas permanecem atentos às decisões dos parlamentares e aos possíveis impactos no preço final das compras realizadas em sites estrangeiros.
Os números ajudam a dimensionar a importância econômica do tema. De acordo com dados da Receita Federal, a arrecadação relacionada à tributação de encomendas internacionais alcançou R$ 5 bilhões em 2025, enquanto o valor registrado em 2024 foi de R$ 2,88 bilhões. O crescimento demonstra por que a definição sobre a cobrança ultrapassa a discussão sobre compras individuais e passou a ocupar espaço relevante na agenda econômica. Para o governo, a tributação também está relacionada ao equilíbrio das contas públicas e à organização do comércio eletrônico. Para consumidores e empresas brasileiras, por outro lado, o debate envolve preços, concorrência e condições de acesso aos produtos importados. A decisão final poderá, portanto, produzir efeitos tanto no orçamento de quem compra pela internet quanto na estratégia de empresas que disputam espaço no mercado nacional.
A declaração de Ronaldo Caiado acrescenta um novo capítulo à disputa política em torno da economia e das regras tributárias para as compras internacionais. Ao mesmo tempo em que critica a decisão do governo Lula, o candidato evita antecipar uma posição definitiva sobre a alíquota e defende que qualquer mudança seja construída após diálogo com os setores envolvidos. O tema deverá continuar em evidência nas próximas semanas, especialmente diante do calendário de análise da medida provisória no Congresso. Enquanto parlamentares discutem o futuro da cobrança, consumidores aguardam para saber se a alíquota zero será mantida ou se o imposto de 20% retornará. A definição também poderá ganhar peso no debate eleitoral, já que decisões sobre impostos, preços e arrecadação costumam ter impacto direto no cotidiano dos brasileiros e na avaliação das propostas apresentadas pelos candidatos à Presidência.



