Valdemar Costa Neto disse que Flávio Bolsonaro tem muito carisma, mas ainda falta algo

O presidente nacional do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto, afirmou nesta quinta-feira, 20 de agosto de 2026, que Flávio Bolsonaro precisa deixar mais evidente aos eleitores bolsonaristas que mantém fidelidade política ao pai, Jair Bolsonaro. A declaração foi dada em entrevista à CNN Brasil e revela uma preocupação estratégica da direção do PL com a identidade da candidatura presidencial do senador. Para Valdemar, a ligação familiar, por si só, não seria suficiente para garantir que o eleitor mais fiel ao ex-presidente reconheça em Flávio a continuidade do projeto político construído pelo pai.
A avaliação ocorre justamente quando a campanha de Flávio começa a ganhar maior exposição nacional e precisa equilibrar dois movimentos diferentes. De um lado, o candidato busca apresentar propostas próprias e demonstrar capacidade para disputar a Presidência da República, enquanto, de outro, precisa preservar a conexão com uma base eleitoral que tem Jair Bolsonaro como principal referência política. Nesse contexto, a cobrança feita por Valdemar pode ser interpretada como um alerta para que a campanha não permita que a tentativa de construir uma identidade própria seja percebida como afastamento do bolsonarismo.
A declaração também ganha relevância porque Flávio foi escolhido pelo próprio Jair Bolsonaro para representar o grupo político nas eleições de 2026. O PL oficializou a candidatura do senador ao Palácio do Planalto em julho, consolidando uma decisão que colocou o sobrenome Bolsonaro novamente no centro da disputa presidencial. Assim, a campanha passou a enfrentar um desafio particular: transformar a força eleitoral do sobrenome em uma candidatura competitiva, sem perder os eleitores que esperam de Flávio uma continuidade clara das posições defendidas pelo ex-presidente.
Flávio Bolsonaro e a cobrança para seguir o projeto de Jair Bolsonaro
Segundo Valdemar, Flávio precisa mostrar ao chamado “bolsonarista raiz” que continua identificado com o pai e com o projeto político associado a Jair Bolsonaro. O dirigente partidário reconheceu que o senador sabe que é filho do ex-presidente, mas indicou que essa relação precisa ser traduzida politicamente de maneira mais evidente durante a campanha. A estratégia, portanto, não depende apenas de utilizar o sobrenome Bolsonaro, mas de reforçar propostas, discursos e posicionamentos capazes de transmitir ao eleitor uma sensação de continuidade.
Essa preocupação pode ser explicada pelo próprio perfil da eleição de 2026, na qual a ausência de Jair Bolsonaro como candidato altera significativamente a dinâmica do eleitorado conservador. Flávio foi colocado como representante do grupo, mas possui trajetória própria no Senado e precisa construir uma imagem presidencial diante de um eleitor acostumado a associar determinadas pautas diretamente ao ex-presidente. Por isso, a orientação de Valdemar funciona também como uma tentativa de preservar a identidade política do PL durante a disputa.
Ao mesmo tempo, a campanha de Flávio vem adotando uma postura bastante combativa em temas que tradicionalmente mobilizam o eleitorado bolsonarista. O candidato tem feito críticas ao governo Lula, ao Supremo Tribunal Federal e defendido mudanças institucionais, incluindo o fim da reeleição presidencial, proposta que apresentou por meio de uma PEC. Em uma agenda realizada nesta quinta-feira em São Paulo, Flávio chegou a afirmar que gostaria de entrar para a história mesmo que fosse como um “presidente de transição”, reforçando a ideia de um governo voltado para mudanças estruturais.
Valdemar tenta fortalecer a identidade da campanha de Flávio
A posição de Valdemar Costa Neto também precisa ser analisada dentro da estratégia eleitoral do próprio PL. Como presidente nacional da legenda, ele tem interesse direto em consolidar Flávio como principal representante da direita ligada a Jair Bolsonaro e, consequentemente, evitar dispersão de votos entre candidatos que disputam o mesmo espaço político. O fortalecimento dessa identificação pode ser importante especialmente em uma eleição na qual nomes de diferentes grupos conservadores tentam conquistar uma parcela semelhante do eleitorado.
Outro elemento relevante é a presença de outras figuras do campo bolsonarista na eleição. Michelle Bolsonaro, por exemplo, foi oficializada pelo PL como candidata ao Senado pelo Distrito Federal e declarou apoio à caminhada política de Flávio, sinalizando uma tentativa de manter diferentes integrantes do grupo alinhados durante o período eleitoral. Dessa forma, a declaração de Valdemar pode ser compreendida como parte de um esforço maior para apresentar unidade política e reduzir dúvidas sobre quem representa o projeto de Jair Bolsonaro na disputa presidencial.
A necessidade de reafirmação também aparece em um momento de intensa movimentação da campanha. Flávio participou nesta quinta-feira de diferentes compromissos em São Paulo, incluindo encontros com empresários e agendas políticas, enquanto o PL amplia a exposição do candidato. Ao mesmo tempo, Valdemar defendeu que Flávio compareça a debates presidenciais quando Lula também estiver presente, indicando uma estratégia de confronto direto entre os principais nomes da disputa.
Flávio Bolsonaro terá de equilibrar identidade própria e herança política
O desafio colocado para Flávio, portanto, é mais complexo do que simplesmente repetir os discursos de Jair Bolsonaro. Um candidato presidencial precisa apresentar propostas para economia, segurança pública, saúde, educação e funcionamento do Estado, mas também precisa deixar claro ao eleitor qual será sua orientação política quando chegar ao Palácio do Planalto. Nesse cenário, a campanha terá de encontrar um equilíbrio entre a continuidade do legado do pai e a construção de uma imagem própria, capaz de convencer eleitores que desejam saber o que Flávio faria de diferente.
A declaração de Valdemar revela, sobretudo, que a identidade bolsonarista continuará sendo um dos principais elementos da eleição de 2026. Resta saber como Flávio responderá a essa cobrança e de que maneira pretende transformar a herança política de Jair Bolsonaro em uma candidatura presidencial com personalidade própria, propostas concretas e capacidade de ampliar seu eleitorado. O resultado desse equilíbrio poderá ser decisivo para determinar se o sobrenome Bolsonaro será suficiente para impulsionar Flávio ou se a campanha precisará construir uma identificação política ainda mais forte com a base que sustentou o pai.



