TSE determina qual será o tempo de TV dos candidatos no horário eleitoral gratuito

O Tribunal Superior Eleitoral definiu a divisão do tempo de propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão para os candidatos à Presidência da República nas eleições de 2026, estabelecendo uma diferença significativa entre as campanhas. A maior fatia ficou com Luiz Inácio Lula da Silva, cuja coligação terá 5 minutos e 31 segundos em cada bloco, enquanto Flávio Bolsonaro aparecerá logo atrás, com 4 minutos e 20 segundos. A distribuição mostra que a televisão continuará sendo uma ferramenta estratégica para os presidenciáveis, principalmente em uma disputa marcada pela forte polarização política.
A propaganda eleitoral gratuita do primeiro turno será exibida entre 28 de agosto e 1º de outubro, período no qual os candidatos poderão apresentar propostas, construir sua imagem e tentar conquistar os eleitores indecisos. O cálculo do tempo não é feito com base nas pesquisas eleitorais nem na popularidade dos candidatos, mas principalmente conforme a representação dos partidos e das coligações na Câmara dos Deputados. Por isso, candidatos que aparecem nas pesquisas terão espaços muito diferentes na televisão, enquanto alguns nomes não terão participação nos programas em bloco.
A diferença de exposição poderá ter impacto importante na campanha presidencial, sobretudo porque Lula e Flávio Bolsonaro concentram juntos 9 minutos e 51 segundos dos 12 minutos e 30 segundos destinados a cada bloco. Enquanto isso, Ronaldo Caiado terá 2 minutos e 2 segundos, e Augusto Cury contará com apenas 35 segundos. Já nomes como Romeu Zema e Renan Santos ficarão sem tempo nos blocos de propaganda, embora possam utilizar outras modalidades de divulgação eleitoral permitidas pela legislação.
TSE define tempo de TV e Lula larga na frente
O presidente Lula terá o maior tempo de televisão entre todos os candidatos à Presidência, com 5 minutos e 31 segundos por bloco. A vantagem está diretamente relacionada à composição da coligação Brasil Pronto para Mais, que reúne PT, PSB, PDT, PCdoB, PV, PSOL e Rede e possui uma representação parlamentar considerada no cálculo do horário eleitoral. Dessa maneira, a estrutura partidária construída pela campanha petista se transforma em uma vantagem concreta de exposição diante do eleitorado nacional.
Flávio Bolsonaro, candidato do PL, terá o segundo maior espaço, com 4 minutos e 20 segundos em cada bloco de propaganda. A diferença para Lula será de 1 minuto e 11 segundos por programa, uma distância que poderá ser considerada relevante ao longo de mais de um mês de campanha. Mesmo sem formar uma coligação presidencial com outras legendas, o PL conseguiu assegurar uma posição de destaque graças à sua representação na Câmara dos Deputados.
Na sequência aparece Ronaldo Caiado, candidato do PSD, com 2 minutos e 2 segundos por bloco. O governador de Goiás terá, portanto, um espaço significativamente menor que Lula e Flávio, mas ainda contará com uma presença televisiva muito superior à dos candidatos cujos partidos não atingiram os requisitos legais para participação nos blocos. Augusto Cury, do Avante, terá 35 segundos, formando o quarto e último grupo com tempo fixo na propaganda presidencial.
Veja o tempo de TV de cada candidato
A divisão oficial ficou concentrada em quatro candidaturas, com Lula recebendo 5 minutos e 31 segundos, Flávio Bolsonaro 4 minutos e 20 segundos, Ronaldo Caiado 2 minutos e 2 segundos e Augusto Cury 35 segundos. Somados, esses tempos correspondem aos 12 minutos e 30 segundos de cada bloco destinado à propaganda presidencial. A diferença entre os candidatos deverá ser percebida especialmente na capacidade de apresentar propostas, responder a adversários e construir mensagens repetidas ao longo da campanha.
Além do tempo em bloco, também foram definidas as inserções que serão distribuídas durante a programação normal das emissoras. A campanha de Lula terá 433 inserções, enquanto Flávio Bolsonaro terá 339, Ronaldo Caiado contará com 159 e Augusto Cury terá 47 inserções. Portanto, a vantagem dos candidatos com maior tempo não ficará limitada aos programas eleitorais tradicionais, pois também haverá uma diferença considerável na frequência com que cada campanha aparecerá durante a programação das emissoras.
Os demais candidatos não terão tempo nos blocos de propaganda eleitoral presidencial porque seus partidos não atingiram os critérios previstos na chamada cláusula de desempenho. Entre os nomes nessa situação estão Romeu Zema, do Novo, e Renan Santos, do Missão, que terão de buscar outras formas de comunicação com os eleitores dentro das regras eleitorais. Assim, a ausência de televisão em bloco cria um desafio adicional para candidaturas que dependem de redes sociais, eventos, debates, entrevistas e mobilização direta para ampliar sua visibilidade.
Tempo de TV pode influenciar a disputa presidencial
A televisão continua tendo peso estratégico porque permite que uma candidatura alcance milhões de eleitores de maneira simultânea e com uma mensagem controlada pela própria campanha. Embora as redes sociais tenham transformado a comunicação política, o horário eleitoral ainda oferece uma oportunidade de exposição institucional que dificilmente pode ser reproduzida apenas por publicações digitais. Por isso, o tempo concedido pelo TSE deverá ser utilizado para reforçar propostas, explorar pontos positivos dos candidatos e, principalmente, disputar a narrativa sobre os principais problemas do país.
A ordem de estreia também foi definida por sorteio e terá Augusto Cury como primeiro candidato a aparecer no horário eleitoral, seguido por Ronaldo Caiado, Flávio Bolsonaro e Lula. Nos dias seguintes, a ordem será modificada por meio de um sistema de rodízio, evitando que uma mesma candidatura fique permanentemente em uma posição considerada mais favorável ou desfavorável. A propaganda começará em 28 de agosto e será exibida às terças, quintas e sábados, com dois blocos diários na televisão.
Lula e Flávio terão maior exposição
O cenário definido pelo TSE coloca Lula e Flávio Bolsonaro em uma posição privilegiada em termos de exposição televisiva, enquanto Caiado e Cury terão espaços menores e os demais candidatos precisarão compensar a ausência nos blocos por outros canais de comunicação. Para Lula, os 5 minutos e 31 segundos representam uma oportunidade de apresentar uma campanha mais detalhada, enquanto Flávio terá 4 minutos e 20 segundos para construir sua estratégia e confrontar o adversário.
A distribuição do tempo, porém, não determina o resultado da eleição e tampouco garante que uma campanha com mais minutos converterá automaticamente exposição em votos. O desempenho dependerá da qualidade da comunicação, da avaliação dos candidatos, das pesquisas, dos debates e dos acontecimentos que surgirem durante a corrida eleitoral. Ainda assim, com a televisão voltando ao centro da disputa a partir de 28 de agosto, a diferença estabelecida pelo TSE será um dos elementos mais importantes da estratégia dos presidenciáveis até o primeiro turno.



