Apesar de continuar na liderança, vantagem de Lula sobre Flávio tem diminuído

O Datafolha mostra Lula com 39% das intenções de voto no primeiro turno da eleição presidencial de 2026, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 33%, indicando uma disputa mais apertada entre os dois principais candidatos. A diferença de seis pontos percentuais representa uma redução de quatro pontos em relação ao levantamento anterior realizado em junho, quando a vantagem do presidente era maior. Dessa forma, a nova pesquisa reforça a percepção de que a corrida eleitoral entrou em uma fase mais competitiva justamente após o início oficial da campanha.
O levantamento foi realizado nos dias 18 e 19 de agosto, com 2.058 eleitores distribuídos por 128 municípios brasileiros, e apresenta margem de erro de dois pontos percentuais. Portanto, embora Lula permaneça numericamente à frente, a distância entre os dois candidatos exige cautela na interpretação dos números, principalmente porque a campanha ainda está no começo. A pesquisa também mostra que outros nomes aparecem bem atrás, com Ronaldo Caiado registrando 5%, Renan Santos 4% e Romeu Zema 3%.
O cenário ganha ainda mais importância quando são observados os índices de rejeição dos dois favoritos. Segundo o Datafolha, 46% dos entrevistados afirmam que não votariam em Flávio Bolsonaro de jeito nenhum, enquanto 45% dizem o mesmo em relação a Lula, revelando um eleitorado bastante dividido e resistente aos principais concorrentes. Assim, a disputa presidencial poderá ser definida não apenas pela capacidade de conquistar votos, mas também pela estratégia utilizada para reduzir a rejeição e convencer eleitores que ainda não estão totalmente decididos.
Datafolha mostra Lula na liderança, mas Flávio reduz distância
A evolução registrada desde junho é um dos principais pontos da pesquisa, porque demonstra crescimento relativo da candidatura de Flávio Bolsonaro diante do atual presidente. Lula continua liderando o primeiro turno, porém a vantagem que antes era de oito pontos caiu para seis, indicando uma aproximação gradual entre os dois nomes mais competitivos. Esse movimento deverá ser explorado pela campanha do senador do PL como evidência de que existe espaço para uma disputa mais equilibrada durante os próximos meses.
Na pesquisa espontânea, quando os nomes dos candidatos não são apresentados aos entrevistados, Lula aparece com 32% das citações, enquanto Flávio Bolsonaro registra 19%. O resultado indica que o presidente possui uma lembrança eleitoral mais consolidada, algo relevante para uma campanha que ainda está em sua fase inicial. Entretanto, a diferença também mostra que existe uma parcela expressiva do eleitorado que poderá ser disputada à medida que os candidatos ampliarem a exposição de suas propostas e intensificarem as atividades eleitorais.
A distribuição dos votos também revela diferenças importantes entre os grupos sociais e regionais. Lula apresenta desempenho mais forte entre mulheres, eleitores de menor renda, nordestinos e católicos, enquanto Flávio Bolsonaro obtém resultados melhores entre eleitores com ensino médio ou superior, moradores do Sul e evangélicos. Portanto, as campanhas deverão concentrar esforços justamente nos segmentos em que cada candidato possui maior potencial de crescimento, buscando transformar vantagens demográficas em votos efetivos no primeiro turno.
Lula e Flávio Bolsonaro chegam ao segundo turno em cenário apertado
Quando o Datafolha testa um eventual segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, a vantagem do presidente também existe, mas é significativamente menor do que poderia sugerir a liderança no primeiro turno. Lula aparece com 47%, enquanto Flávio registra 43%, configurando uma diferença de quatro pontos percentuais, dentro de um cenário considerado competitivo. A margem de erro de dois pontos também precisa ser levada em consideração, pois pequenas oscilações podem modificar a distância observada entre os candidatos.
O resultado mostra que Flávio conseguiu se aproximar do presidente em uma simulação decisiva para a campanha, ainda que Lula continue numericamente à frente. Em julho, o petista tinha 48% contra 43% do senador em um eventual segundo turno, de modo que a nova rodada apresenta uma redução de um ponto na vantagem de Lula. Apesar disso, a diferença permanece dentro da margem de erro e não permite afirmar, isoladamente, que houve uma mudança consolidada na liderança.
Outro fator que poderá influenciar essa disputa é a avaliação do governo Lula, que apresentou piora na pesquisa mais recente do Datafolha. A avaliação negativa do presidente passou de 38% para 41%, enquanto a avaliação positiva oscilou de 32% para 33%, e a aprovação do desempenho presidencial também sofreu alteração, com 50% declarando desaprovação e 48% aprovação. Nesse contexto, a campanha petista deverá buscar transformar resultados positivos da administração em argumentos eleitorais, enquanto a oposição tende a explorar os indicadores desfavoráveis para ampliar a resistência ao governo.
Datafolha aponta uma eleição ainda aberta
A pesquisa Datafolha, portanto, apresenta uma fotografia de uma eleição que ainda está longe de ter seu resultado definido. Lula mantém a liderança no primeiro turno e também aparece à frente em um eventual confronto direto, mas a redução da vantagem desde junho mostra que Flávio Bolsonaro conseguiu diminuir parte da distância. Além disso, os altos índices de rejeição dos dois candidatos indicam que uma parcela significativa do eleitorado poderá ser decisiva para definir quem avançará ao segundo turno e quem terá condições de vencer a eleição.
A partir de agora, os programas eleitorais, os debates, os atos de campanha e os novos acontecimentos políticos deverão ter papel importante na movimentação das intenções de voto. O cenário poderá ser alterado tanto pela apresentação de propostas quanto por crises envolvendo os candidatos, seus partidos e seus grupos políticos, especialmente porque a disputa ocorre em ambiente de forte polarização. Por isso, os números de 39% para Lula e 33% para Flávio Bolsonaro devem ser entendidos como um retrato do momento, e não como uma previsão definitiva do resultado das urnas.



