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María Elvira Salazar disse que Lula precisa ser derrotado nas eleições deste ano

A deputada americana María Elvira Salazar afirmou que a derrota de Lula nas eleições presidenciais de outubro seria necessária para aumentar a segurança da América Latina e fortalecer o combate ao narcotráfico. A declaração foi publicada pela republicana da Flórida em seu perfil no X e representa mais uma manifestação de uma parlamentar norte-americana que vem criticando publicamente o presidente brasileiro e defendendo uma agenda política alinhada à direita latino-americana. Em meio à campanha eleitoral de 2026, a fala acrescenta uma dimensão internacional à disputa brasileira e coloca novamente a relação entre Washington e Brasília no centro do debate.

Salazar afirmou que é necessário unir a América Latina em torno de líderes que, segundo sua avaliação, priorizem prosperidade, segurança e democracia, em oposição ao socialismo e à tolerância com o crime. Na avaliação da congressista, o Brasil poderia exercer papel de liderança nesse movimento regional caso adote uma orientação política diferente da atual administração. A manifestação, portanto, não se limita a uma crítica ao governo Lula, mas apresenta a eleição brasileira como parte de uma disputa ideológica mais ampla no continente.

A posição da deputada não surgiu de maneira isolada, pois ela vem mantendo há anos uma postura crítica em relação a Lula e ao Supremo Tribunal Federal. Em agosto de 2026, por exemplo, Salazar também ganhou destaque por defender uma aproximação maior dos Estados Unidos com governos latino-americanos que considera aliados na luta contra o crime organizado, como o Equador, para o qual ela e outros republicanos pediram uma ampliação da cooperação estratégica com Washington. Nesse contexto, a nova declaração sobre o Brasil deve ser entendida dentro de uma atuação política mais ampla voltada à segurança regional, ao combate ao narcotráfico e ao enfrentamento de governos identificados por ela com a esquerda.

Deputada americana diz que derrota de Lula é prioridade regional

María Elvira Salazar ocupa uma cadeira na Câmara dos Representantes dos Estados Unidos pelo estado da Flórida e possui uma trajetória política fortemente influenciada pela experiência de sua família cubana. Nascida em Miami, filha de exilados que deixaram Cuba após a chegada de Fidel Castro ao poder, ela construiu sua atuação pública com forte oposição ao socialismo e defesa de políticas de segurança e liberdade econômica. A própria biografia política da congressista destaca a influência da experiência dos pais e a oposição ao regime cubano em sua formação.

A atuação de Salazar também tem sido direcionada para outros países da América Latina, especialmente aqueles que enfrentam problemas relacionados ao narcotráfico e à criminalidade organizada. Em agosto, ela liderou uma iniciativa no Congresso americano para que o Equador fosse considerado um importante aliado de Washington fora da Organização do Tratado do Atlântico Norte, medida que poderia ampliar a cooperação militar e de segurança entre os dois países. A proposta foi apresentada como parte de uma estratégia para fortalecer a capacidade equatoriana de combater organizações criminosas e o tráfico internacional de drogas.

A crítica a Lula, portanto, está inserida em uma visão política que Salazar vem defendendo para o continente. Ao dizer que a derrota do presidente brasileiro seria necessária para a segurança do hemisfério, a deputada estabelece uma relação direta entre o resultado da eleição brasileira e sua agenda de combate ao narcotráfico. Essa avaliação, contudo, representa a posição política da congressista e não uma determinação oficial do governo dos Estados Unidos sobre quem deve vencer a eleição brasileira.

Salazar mantém histórico de críticas a Lula e Moraes

A relação de Salazar com a política brasileira ganhou maior visibilidade nos últimos anos por causa das críticas dirigidas ao governo Lula e ao Supremo Tribunal Federal. A congressista já afirmou publicamente que brasileiros estariam insatisfeitos com o presidente e também fez manifestações contra decisões relacionadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Dessa forma, sua atuação passou a ser acompanhada com atenção por setores da direita brasileira, especialmente aqueles que defendem maior pressão internacional sobre autoridades do Judiciário.

A deputada também já havia defendido medidas contra Alexandre de Moraes antes de Donald Trump retornar à Casa Branca. Em 2024, quando Joe Biden era presidente dos Estados Unidos, Salazar concedeu entrevista defendendo a possibilidade de aplicação de sanções contra o ministro, incluindo restrições relacionadas a visto, enquanto posteriormente a administração Trump efetivamente adotou medidas contra Moraes. O episódio demonstra que a posição da congressista sobre o Brasil antecede a atual disputa eleitoral e não começou apenas com a campanha presidencial de 2026.

Mais recentemente, Salazar ampliou sua atuação regional ao apoiar publicamente lideranças latino-americanas alinhadas com sua visão política. Em junho, ela se reuniu com o presidente do Equador, Daniel Noboa, e destacou a necessidade de cooperação para enfrentar o crime organizado transnacional e o narcotráfico. Além disso, após a eleição de Abelardo de la Espriella na Colômbia, a congressista celebrou o resultado e defendeu uma aproximação maior entre o novo governo colombiano e os Estados Unidos.

Crítica de deputada americana ocorre durante campanha de 2026

A declaração sobre Lula ganha peso político porque foi divulgada justamente durante a campanha presidencial brasileira, quando a disputa entre o atual presidente e Flávio Bolsonaro concentra grande parte da atenção nacional. O Datafolha divulgado em agosto apontou Lula com 39% das intenções de voto no primeiro turno, contra 33% de Flávio Bolsonaro, mostrando uma corrida mais apertada entre os dois principais nomes. Nesse cenário, uma manifestação de uma congressista norte-americana com forte atuação sobre temas brasileiros pode ser utilizada pelas campanhas tanto para reforçar alianças políticas quanto para denunciar suposta interferência estrangeira no processo eleitoral.

O tema também se conecta à crescente discussão sobre segurança regional e narcotráfico no continente americano. Salazar tem defendido que os Estados Unidos ampliem parcerias com governos dispostos a combater organizações criminosas, enquanto sua crítica a Lula parte de uma visão ideológica segundo a qual governos de esquerda seriam menos eficientes nesse enfrentamento. No entanto, a avaliação sobre a segurança brasileira envolve fatores internos complexos, como atuação das forças policiais, combate às organizações criminosas, controle das fronteiras e políticas públicas, não podendo ser reduzida apenas à orientação ideológica de um governo.

A fala da deputada americana, por fim, mostra que a eleição brasileira de 2026 ultrapassou novamente as fronteiras nacionais e passou a ser observada por grupos políticos estrangeiros. Ao defender explicitamente a derrota de Lula, María Elvira Salazar assume uma posição clara em favor de uma mudança política no Brasil e aproxima sua mensagem da agenda defendida por setores da direita brasileira. Ao mesmo tempo, a manifestação deve ser interpretada como uma opinião de uma parlamentar republicana dos Estados Unidos, e não como uma determinação oficial de Washington sobre o resultado que os eleitores brasileiros devem produzir nas urnas.

Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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