Em ato no Maracanãzinho, Flávio deixou o lado moderado e se mostrou mais radical

Flávio Bolsonaro mudou o tom de sua campanha presidencial durante o ato realizado neste sábado, 22 de agosto de 2026, no Maracanãzinho, no Rio de Janeiro. Em um discurso marcado por críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao prefeito Eduardo Paes, o senador abandonou a imagem de um candidato associado a um chamado bolsonarismo moderado e adotou uma postura muito mais dura na área da segurança pública. A principal declaração ocorreu quando Flávio afirmou que o bandido será tirado de circulação “de pé ou deitado”, frase que passou a simbolizar a mudança de tom apresentada no evento.
A fala foi apresentada em meio a uma série de propostas voltadas ao combate ao crime organizado, incluindo aumento de penas, classificação de facções como organizações terroristas e castração química para condenados por estupro. Flávio também defendeu uma pena mínima de oito anos para o roubo de celulares e prometeu uma política de enfrentamento direto contra grupos criminosos. Dessa forma, a segurança pública foi transformada em uma das principais bandeiras de sua candidatura, especialmente em um estado onde tráfico, milícias e disputas territoriais fazem parte da realidade cotidiana de muitas comunidades.
O discurso ganhou peso porque Flávio realizou o ato praticamente no mesmo momento em que Lula fazia campanha em Bangu, também no Rio de Janeiro. Enquanto o candidato do PL adotou uma linguagem de confronto e prometeu endurecer o tratamento dispensado aos criminosos, Lula falou em recuperar territórios dominados pelo crime sem recorrer ao que chamou de pirotecnia. Assim, o Rio de Janeiro se transformou em um dos principais palcos da disputa presidencial e colocou duas visões distintas sobre segurança pública diante do eleitorado.
Flávio deixa de lado a imagem de Bolsonaro moderado
A mudança de discurso é relevante porque Flávio vinha tentando construir uma imagem eleitoral própria, com maior capacidade de diálogo com setores que poderiam apresentar resistência ao bolsonarismo tradicional. No entanto, durante o ato no Maracanãzinho, essa preocupação com uma postura mais moderada deu lugar a uma retórica muito mais próxima do discurso de confronto que marcou a trajetória política de seu pai, Jair Bolsonaro. A declaração sobre retirar criminosos de circulação “de pé ou deitado” representa, portanto, uma tentativa de demonstrar firmeza diante de um eleitor preocupado com violência e criminalidade.
A estratégia também pode ser interpretada como uma resposta ao ambiente eleitoral encontrado pelo candidato neste início de campanha. Segundo o Datafolha divulgado em 21 de agosto, Lula aparece com 39% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Flávio registra 33%, diferença de seis pontos percentuais. No segundo turno, o petista tem 47% contra 43% do senador, indicando uma disputa competitiva, mas também mostrando que Flávio precisa ampliar sua capacidade de conquistar votos fora de sua base mais fiel.
Nesse cenário, a segurança pública oferece ao candidato uma oportunidade de reforçar uma identidade política facilmente compreendida pelo eleitor. O discurso é direto, baseado em punições mais severas e em uma promessa de enfrentamento às organizações criminosas, enquanto propostas como o aumento da pena para roubo de celular procuram atingir problemas presentes no cotidiano das grandes cidades. A eficácia eleitoral dessa estratégia, entretanto, dependerá de como o público avaliará a combinação entre endurecimento das leis, atuação policial e respeito aos limites institucionais.
Flávio aposta em discurso duro contra criminosos
Entre as propostas apresentadas por Flávio está a classificação de facções como o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho como organizações terroristas. O candidato também defende medidas mais rigorosas para criminosos condenados, incluindo a castração química para estupradores e mudanças nas penas aplicadas a determinados delitos. Essas propostas deverão provocar debates jurídicos e políticos, pois sua implementação dependeria de mudanças legislativas e da definição de mecanismos compatíveis com o ordenamento brasileiro.
O senador também vem utilizando exemplos relacionados à modernização das atividades criminosas para justificar sua estratégia. Durante o mesmo evento, afirmou que crianças estariam sendo utilizadas pelo tráfico para operar drones capazes de lançar bombas, apresentando o episódio como demonstração de que as organizações criminosas passaram a utilizar recursos tecnológicos. A declaração reforçou a ideia defendida por Flávio de que o Estado precisa acompanhar a evolução dos métodos empregados pelas facções e ampliar sua capacidade de investigação e repressão.
A escolha do Rio para esse discurso possui um significado eleitoral evidente. O estado concentra problemas relacionados ao controle territorial por facções e milícias e, por isso, oferece um cenário no qual uma mensagem centrada no combate ao crime pode encontrar forte receptividade entre parte do eleitorado. Ao mesmo tempo, a campanha de Lula procura apresentar uma resposta diferente, baseada na recuperação dos territórios e na presença permanente do Estado, criando um contraste que tende a ganhar espaço durante a eleição.
Segurança pública vira principal aposta eleitoral de Flávio
A radicalização do discurso também ocorre em um momento no qual Flávio enfrenta o desafio de consolidar apoio entre diferentes setores da direita. Levantamento recente mostra que ele não consegue absorver integralmente os votos de adversários de direita em uma eventual segunda rodada, o que significa que sua campanha precisará ampliar alianças e conquistar eleitores que ainda não estão identificados com sua candidatura. Nesse contexto, uma mensagem mais firme sobre segurança pode servir para fortalecer sua base, mas também pode aumentar a resistência de setores que esperavam uma candidatura mais moderada.
O episódio no Maracanãzinho mostra, portanto, que Flávio decidiu colocar a segurança pública no centro de sua identidade eleitoral. Ao abandonar naquele palanque uma postura mais moderada e adotar a promessa de tirar criminosos de circulação “de pé ou deitado”, o candidato procura transmitir a imagem de alguém disposto a enfrentar diretamente as organizações criminosas. Resta saber se essa estratégia será suficiente para ampliar sua votação, conquistar eleitores indecisos e reduzir a vantagem atualmente apresentada por Lula nas pesquisas, mas o discurso deste sábado deixou claro que o combate ao crime será uma das principais armas políticas de Flávio na eleição de 2026.



