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Lula e Trump têm novo encontro previsto para setembro na ONU

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, têm previsão de se reencontrar em setembro, durante a abertura da Assembleia-Geral das Nações Unidas, em Nova York. A agenda, marcada para o dia 22, deverá colocar novamente os dois líderes no mesmo ambiente, um ano depois de uma breve conversa ocorrida nos bastidores do evento. A expectativa em torno do encontro ganhou força após uma recente conversa telefônica entre os presidentes, considerada pelo Palácio do Planalto um passo importante para a retomada do diálogo entre Brasília e Washington. Ainda não há, porém, confirmação de uma reunião bilateral formal entre os dois governos.

Pela tradição da Assembleia-Geral da ONU, o Brasil abre a sequência de discursos dos chefes de Estado, enquanto os Estados Unidos fazem a fala seguinte. Essa proximidade na programação cria uma oportunidade para que Lula e Trump voltem a compartilhar os espaços destinados às delegações. No ano passado, os dois tiveram um contato rápido, de aproximadamente 39 segundos, na área reservada nos bastidores do plenário. Na ocasião, Trump afirmou que havia uma “excelente química” entre eles e mencionou o abraço que os dois trocaram. Agora, a expectativa é de que um eventual novo contato ocorra em um cenário político e comercial diferente daquele registrado anteriormente.

A possível aproximação ocorre poucos dias depois de uma conversa telefônica entre Lula e Trump, realizada na sexta-feira (21). Segundo o Palácio do Planalto, o diálogo durou cerca de uma hora e 20 minutos e foi marcado por um tom amistoso e cordial. A Casa Branca não apresentou uma avaliação pública sobre a ligação. Durante a conversa, Trump também teria questionado Lula sobre o processo eleitoral brasileiro, de acordo com informações divulgadas pelo G1. O presidente brasileiro, segundo o relato, afirmou que a campanha seguia normalmente. O tema ganha importância porque o possível encontro na ONU está previsto para ocorrer apenas 12 dias antes do primeiro turno das eleições brasileiras, marcado para 4 de outubro.

A relação entre os dois governos, entretanto, passou por diferentes momentos nos últimos meses. Depois da aproximação observada em 2025, Lula esteve na Casa Branca em maio deste ano, a convite de Trump. Posteriormente, as negociações entre Brasília e Washington voltaram a enfrentar dificuldades, especialmente na área comercial. Trump recebeu o senador Flávio Bolsonaro no Salão Oval e anunciou novas tarifas sobre produtos brasileiros, justificando a medida com críticas às políticas comerciais adotadas pelo Brasil. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, também fez declarações críticas ao governo brasileiro durante uma audiência no Senado dos Estados Unidos, colocando o país ao lado de outras nações latino-americanas que enfrentam divergências com Washington.

Outro ponto de atenção surgiu quando foi informado que representantes do Departamento de Estado americano viajariam ao Brasil para discutir diferentes assuntos, entre eles questões relacionadas ao sistema eleitoral. O governo brasileiro, posteriormente, negou os vistos aos funcionários americanos. Com isso, o relacionamento entre os dois países passou a ser acompanhado de perto, especialmente diante da proximidade das eleições brasileiras e da presença de Lula e Flávio Bolsonaro entre os principais nomes da disputa. Paralelamente, Brasília e Washington começaram a dar novos sinais de negociação. O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, deverá participar de uma videoconferência com Jamieson Greer, chefe do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, indicando que os canais diplomáticos e comerciais continuam em funcionamento.

Apesar da expectativa em torno de um novo contato entre Lula e Trump, ainda não existe confirmação de uma reunião bilateral oficial durante a Assembleia-Geral. Os dois presidentes podem simplesmente se encontrar nos bastidores, repetindo o formato observado no ano anterior, ou optar por não realizar uma conversa presencial. O principal elemento novo é a abertura criada pela ligação telefônica recente, que pode facilitar novas negociações antes da reunião anual da ONU. Caso o encontro aconteça, a atenção estará voltada principalmente para temas como comércio, relações diplomáticas e questões eleitorais. Para Brasil e Estados Unidos, a Assembleia-Geral poderá representar uma nova oportunidade de diálogo em um momento no qual os dois governos buscam encontrar caminhos para reduzir divergências e preservar os interesses de seus países.

Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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