Manoel Dias, ex-ministro de Dilma Rousseff, faleceu aos 88 anos em Florianópolis

Manoel Dias, um dos fundadores do Partido Democrático Trabalhista e ex-ministro do Trabalho e Emprego no governo de Dilma Rousseff, morreu aos 88 anos neste sábado, 22 de agosto de 2026. O político estava internado em Florianópolis, em Santa Catarina, após enfrentar complicações de saúde relacionadas a um acidente vascular cerebral sofrido em 2025. A morte foi confirmada pelo presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, e a causa específica não havia sido divulgada até a publicação das informações.
Conhecido entre companheiros de partido pelo apelido de Maneca, Manoel Dias construiu uma trajetória de mais de seis décadas na política brasileira. Sua atuação começou ainda nos anos 1960, quando foi eleito vereador de Içara pelo antigo Partido Trabalhista Brasileiro, antes de ocupar posteriormente uma cadeira na Assembleia Legislativa de Santa Catarina. Ao longo desse período, sua carreira foi marcada pela atuação no trabalhismo, pela resistência durante a ditadura militar e pela participação na construção do PDT ao lado de Leonel Brizola.
A trajetória de Manoel Dias também alcançou o governo federal, quando ele assumiu o Ministério do Trabalho e Emprego em março de 2013, durante a administração de Dilma Rousseff. Ele permaneceu no cargo durante parte do segundo mandato da presidente e participou de discussões relacionadas ao mercado de trabalho, emprego e políticas voltadas aos trabalhadores. Dessa maneira, sua carreira reuniu atuação partidária, mandatos eletivos e participação direta na administração federal, tornando seu nome uma referência histórica do PDT.
Manoel Dias e a fundação do PDT
A participação de Manoel Dias na criação do PDT ocorreu no início dos anos 1980, em um período de reorganização partidária provocado pela abertura política brasileira. Depois de ter participado anteriormente do PTB e do MDB, ele integrou o grupo que ajudou a estruturar o novo partido trabalhista liderado por Leonel Brizola. Assim, sua presença esteve ligada desde o início à formação de uma legenda que passou a ocupar espaço relevante na política nacional e especialmente no campo trabalhista.
Antes da fundação do PDT, Manoel Dias havia enfrentado diretamente as consequências da ditadura militar. Seu mandato de vereador foi cassado após o golpe de 1964, ele permaneceu preso por cerca de 11 meses e, posteriormente, teve novamente seus direitos políticos suspensos durante o período do Ato Institucional nº 5. Além disso, sua atuação política foi interrompida em diferentes momentos, mas ele retomou a militância após a anistia e participou da reorganização do trabalhismo brasileiro.
A relação com Leonel Brizola permaneceu como uma das marcas de sua trajetória política. Manoel Dias participou da estruturação do PDT e também esteve ligado a administrações conduzidas pelo líder trabalhista, incluindo uma atuação no governo do Rio de Janeiro durante a década de 1990. Posteriormente, sua experiência partidária foi consolidada em funções de direção nacional e estadual, mantendo sua participação na organização do PDT durante décadas.
Manoel Dias no Ministério do Trabalho de Dilma
A chegada de Manoel Dias ao Ministério do Trabalho e Emprego ocorreu em 15 de março de 2013, durante o primeiro mandato de Dilma Rousseff. A escolha estava relacionada à presença do PDT na base política do governo federal e levou ao Executivo um dirigente histórico da legenda. No ministério, Dias passou a acompanhar diretamente temas ligados ao emprego, às relações trabalhistas e às políticas públicas voltadas ao mercado de trabalho.
Durante sua passagem pelo governo federal, o ministro precisou lidar com um cenário econômico que posteriormente se deteriorou e passou a afetar o mercado de trabalho brasileiro. No segundo mandato de Dilma, sua permanência no Ministério do Trabalho foi mantida inicialmente, enquanto medidas e perspectivas relacionadas à geração de empregos eram discutidas diante da crise econômica. Sua atuação federal terminou em outubro de 2015, quando ocorreu uma mudança na composição ministerial do governo.
Mesmo depois de deixar o ministério, Manoel Dias continuou ligado ao PDT e à preservação da memória do trabalhismo brasileiro. Sua trajetória partidária permaneceu associada à defesa das ideias que marcaram a formação da legenda e à atuação política construída desde os anos anteriores à redemocratização. Por isso, seu falecimento representa a saída de uma das últimas figuras diretamente envolvidas na formação histórica do PDT e na construção da legenda ao lado de Brizola.
Morte de Manoel Dias encerra trajetória de décadas na política
A morte de Manoel Dias ocorreu em Florianópolis, onde ele estava internado após o agravamento de seu estado de saúde. Segundo as informações divulgadas, o político havia sofrido um AVC em 2025 e enfrentava complicações desde então, permanecendo sob cuidados médicos antes de morrer aos 88 anos. Ele deixa esposa, dois filhos, noras e netos, enquanto informações detalhadas sobre o velório foram divulgadas posteriormente pelas autoridades e familiares.
O legado político de Manoel Dias está ligado principalmente à história do trabalhismo brasileiro, à fundação do PDT e à resistência enfrentada durante o regime militar. Sua passagem pelo Ministério do Trabalho durante o governo Dilma acrescentou uma etapa nacional a uma carreira iniciada em Santa Catarina e construída em diferentes momentos da política brasileira. Com sua morte, ocorrida em 22 de agosto de 2026, o PDT perde uma de suas figuras históricas, cuja trajetória atravessou períodos de autoritarismo, redemocratização e diferentes ciclos da política nacional.



