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Flávio informou que não fará a anunciada prestação de contas do filme Dark Horse

Flávio Bolsonaro decidiu não apresentar diretamente a prestação de contas que havia anunciado sobre o filme “Dark Horse”, produção que retrata a trajetória de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. A mudança ocorre depois de o candidato à Presidência ter prometido que os gastos e a origem dos recursos utilizados na obra seriam esclarecidos publicamente. Agora, segundo a campanha, a responsabilidade pelo detalhamento financeiro deverá ficar com a Go Up Entertainment, empresa responsável pela produção do longa.

A justificativa apresentada pelos interlocutores de Flávio é que o senador não teria acesso a todas as informações necessárias para elaborar um levantamento completo sobre os valores movimentados na produção. A empresa pertence a Karina Ferreira da Gama, que também aparece no centro de uma investigação sobre contratos firmados por uma organização ligada a ela com a Prefeitura de São Paulo. Dessa forma, a prestação de contas passou a ser tratada pela campanha como uma atribuição da produtora, e não do candidato que havia assumido publicamente o compromisso de apresentar os dados.

A decisão ocorre em um momento de pressão sobre Flávio Bolsonaro, que disputa a Presidência pelo PL e tenta concentrar sua campanha em propostas e na disputa eleitoral contra Lula. O filme voltou ao centro das atenções depois da divulgação de um áudio no qual o senador pede recursos a Daniel Vorcaro, ex-banqueiro e controlador do Banco Master, para ajudar a concluir a produção. Paralelamente, investigações da Polícia Federal foram abertas para verificar a origem e a destinação de recursos relacionados ao longa, fazendo com que a questão financeira continue presente no cenário eleitoral.

Flávio deixa contas de Dark Horse para a produtora

A promessa de apresentar uma prestação de contas surgiu em maio, depois que foram divulgadas informações sobre os pedidos de recursos feitos por Flávio para viabilizar o filme. Na ocasião, o senador havia indicado que a produtora teria prazo para organizar e divulgar os dados sobre a utilização do dinheiro, mas a expectativa não foi cumprida dentro do período anunciado. Em julho, já havia sido registrado que nem Flávio nem a Go Up Entertainment haviam publicado o detalhamento prometido.

Agora, a campanha mudou a explicação e afirma que Flávio se precipitou ao anunciar que faria pessoalmente a prestação de contas. Segundo os interlocutores do candidato, ele não possui ingerência sobre a administração dos recursos e também não teria acesso integral aos documentos necessários para detalhar despesas, pagamentos e demais movimentações financeiras. Por isso, o levantamento deverá ser feito pela própria produtora, que já apresentou parte das informações dentro de uma investigação conduzida pela Justiça de São Paulo.

O ponto central da discussão está justamente na diferença entre ter participado da articulação para buscar recursos e possuir responsabilidade formal pela administração financeira do filme. Flávio aparece relacionado ao projeto e foi quem anunciou publicamente que apresentaria os esclarecimentos, mas a produção foi contratada e executada pela Go Up Entertainment. Assim, a campanha passou a sustentar que a eventual divulgação completa das informações depende exclusivamente da empresa responsável pelo longa, enquanto as investigações continuam avaliando as circunstâncias que envolveram o financiamento.

Dark Horse é investigado por origem dos recursos

De acordo com documento apresentado em junho e anexado a um inquérito, o filme teria custado aproximadamente R$ 75 milhões, sendo R$ 54 milhões referentes a despesas no exterior e R$ 20,9 milhões a gastos realizados no Brasil. Entretanto, o material não teria sido acompanhado de recibos ou notas fiscais capazes de detalhar individualmente todas as despesas, incluindo informações sobre pagamentos e cachês. Essa ausência de documentação detalhada mantém a discussão sobre a prestação de contas no centro das investigações e das cobranças públicas.

Outro aspecto relevante é a origem de parte dos recursos utilizados na produção. Investigações apuram valores relacionados a Daniel Vorcaro, enquanto também são analisadas emendas parlamentares destinadas a entidades que possuem vínculos com pessoas ligadas à produtora, embora parlamentares citados tenham negado que suas emendas tenham financiado o filme. A Polícia Federal, por sua vez, recebeu autorização do ministro Flávio Dino para acessar provas obtidas em uma operação da Polícia Civil de São Paulo contra a produtora, medida que poderá ampliar o cruzamento de informações sobre contratos, recursos e movimentações financeiras.

Além disso, existe uma investigação conduzida no Supremo Tribunal Federal sob relatoria do ministro André Mendonça para apurar suspeitas relacionadas aos recursos obtidos junto a Vorcaro. A apuração busca esclarecer, entre outros pontos, o caminho percorrido pelo dinheiro e possíveis relações entre os valores destinados ao filme e outras despesas, enquanto os envolvidos negam irregularidades. Portanto, embora não exista conclusão definitiva de que tenha ocorrido crime, a existência de diferentes investigações faz com que a transparência financeira de Dark Horse permaneça como uma questão relevante.

Prestação de contas de Dark Horse continua sob cobrança

A mudança de posição de Flávio Bolsonaro ocorre justamente quando sua campanha tenta encerrar politicamente o episódio, classificando o caso Dark Horse como uma questão superada. O candidato afirmou recentemente que considera o assunto uma “página virada” e declarou que a prestação de contas já teria sido feita, mas não apresentou publicamente os detalhes sobre os valores recebidos, as despesas realizadas e o destino dos recursos. Agora, ao transferir a responsabilidade para a produtora, a campanha deixa claro que não pretende assumir diretamente a divulgação de um novo relatório financeiro.

Para a eleição presidencial de 2026, o episódio representa mais um elemento de pressão sobre a campanha de Flávio Bolsonaro, principalmente porque as dúvidas sobre o financiamento do filme continuam sendo examinadas pelas autoridades. Enquanto a produtora não apresentar uma documentação completa e detalhada, questões sobre a origem dos recursos, os pagamentos realizados e a participação dos diferentes financiadores continuarão sendo levantadas no debate público. Dessa maneira, a decisão de deixar a prestação de contas de Dark Horse nas mãos da empresa responsável pela produção não encerra as investigações nem elimina a necessidade de esclarecimentos sobre o financiamento da obra.

Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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