Renato Araújo é próximo do ex-presidente e queria usar o sobrenome dele na urna, mas foi barrado

O empresário Renato de Araújo Corrêa, candidato a deputado federal pelo PL no Rio de Janeiro, foi impedido pela Justiça Eleitoral de utilizar o nome de urna “Renato Araújo do Bolsonaro” nas eleições de 2026. A decisão foi tomada pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro, que determinou que o candidato apresente uma nova identificação para aparecer na urna eletrônica. O caso ganhou repercussão porque Renato é conhecido pela proximidade com o ex-presidente Jair Bolsonaro e pretendia transformar essa relação política e pessoal em uma marca de campanha.
A decisão ocorre em meio a uma eleição na qual o sobrenome Bolsonaro passou a ser utilizado por diversos candidatos que não pertencem à família do ex-presidente. Um levantamento divulgado neste mês mostrou que 29 candidatos haviam registrado nomes de urna contendo Bolsonaro, sendo que parte deles é formada por parentes, enquanto outros são aliados ou apoiadores que procuram associar suas campanhas à imagem do ex-presidente. Dessa maneira, a Justiça Eleitoral passou a analisar com maior atenção situações em que a utilização do sobrenome pode provocar confusão entre os eleitores ou sugerir uma relação familiar que não existe.
No caso de Renato Araújo, a relação com Jair Bolsonaro não é apenas uma associação feita durante a campanha, pois os dois possuem histórico de proximidade. O empresário atua no setor da construção civil em Angra dos Reis e foi responsável por acompanhar a reforma de uma casa do ex-presidente na Vila Histórica de Mambucaba, realizada em 2023. Além disso, Renato esteve ligado politicamente ao grupo bolsonarista em Angra e contou com a presença de Jair e Flávio Bolsonaro durante sua campanha municipal de 2024.
Bolsonaro na urna: por que Renato Araújo foi impedido
A decisão do TRE-RJ foi assinada pelo desembargador Paulo Cesar Salomão Filho, que entendeu haver risco de confusão para os eleitores caso Renato utilizasse “do Bolsonaro” como parte de sua identificação eleitoral. O candidato havia solicitado o registro do nome justamente em razão da proximidade mantida com o ex-presidente, mas essa relação, segundo a decisão, não seria suficiente para permitir a utilização do sobrenome como se integrasse a sua identificação civil. Por isso, foi determinado que uma alternativa seja apresentada para o registro eleitoral.
A questão se torna ainda mais relevante porque o nome apresentado na urna tem função prática na identificação do candidato pelo eleitor. Em uma eleição marcada por forte personalização da disputa política, nomes associados a lideranças nacionais podem funcionar como referências eleitorais capazes de facilitar o reconhecimento de candidatos pouco conhecidos fora de suas regiões. Por essa razão, o uso de Bolsonaro, Lula ou de outros nomes politicamente muito conhecidos pode ser submetido à análise da Justiça Eleitoral quando houver possibilidade de associação indevida ou confusão no momento do voto.
O caso de Renato também ocorre em um cenário no qual diferentes candidatos tentam utilizar a força eleitoral de Jair Bolsonaro sem possuir parentesco com o ex-presidente. Segundo levantamento publicado pela CNN Brasil, ao menos 20 candidatos sem relação familiar com Jair Bolsonaro apareciam entre os registros com o sobrenome na identificação eleitoral, enquanto outros nomes pertenciam a integrantes da própria família. Assim, a discussão sobre o uso do sobrenome passou a fazer parte da própria estratégia eleitoral de 2026 e deverá continuar sendo analisada conforme os pedidos de registro forem julgados.
Amigo de Jair Bolsonaro mantém ligação com a família
A trajetória de Renato Araújo ajuda a explicar por que a referência a Bolsonaro foi escolhida para sua identificação eleitoral. O empresário ganhou projeção política em Angra dos Reis e manteve proximidade com a família do ex-presidente, tendo inclusive sido apontado anteriormente como um nome de confiança do grupo para participar de articulações políticas no Rio de Janeiro. Em 2024, Jair Bolsonaro e Flávio Bolsonaro participaram de um ato de campanha de Renato, reforçando publicamente a relação entre o empresário e o núcleo político da família.
Entretanto, a decisão judicial sobre o nome de urna ocorre paralelamente a outros episódios envolvendo o candidato. Em 13 de agosto, uma empresa ligada a Renato Araújo foi alvo de busca e apreensão em uma operação da Polícia Civil do Rio de Janeiro que investigava suspeitas de fraudes relacionadas a obras em escolas públicas estaduais, segundo informações publicadas pela Folha. A construtora havia firmado contratos de aproximadamente R$ 16 milhões para reformas de unidades de ensino durante a gestão de Cláudio Castro, e a investigação ainda estava em andamento, sem que a existência da apuração representasse, por si só, comprovação de responsabilidade criminal do candidato.
Renato também teve envolvimento direto com a reforma de uma propriedade de Jair Bolsonaro em Angra dos Reis, o que reforçou sua imagem como integrante do círculo de pessoas próximas ao ex-presidente. Segundo informações divulgadas, ele também esteve entre os que solicitaram autorização ao ministro Alexandre de Moraes para visitar Bolsonaro durante o período em que o ex-presidente estava custodiado. Assim, embora o uso do sobrenome na urna tenha sido barrado, a relação política e pessoal entre Renato e a família Bolsonaro continua sendo um elemento conhecido de sua trajetória pública.
Nome Bolsonaro na urna vira estratégia eleitoral em 2026
A decisão envolvendo Renato Araújo acontece em uma eleição na qual o sobrenome Bolsonaro ganhou presença significativa nas urnas, mesmo com Jair Bolsonaro fora da disputa presidencial. Entre familiares, aliados e apoiadores, diferentes candidatos tentam manter a associação direta com o principal líder da direita brasileira por meio da identificação eleitoral, enquanto a Justiça precisa avaliar caso a caso se o nome escolhido atende às regras aplicáveis. Dessa forma, o episódio de Angra dos Reis expõe uma disputa que vai além da escolha de um nome de campanha e envolve a maneira como o eleitor identifica cada candidato.
Para Renato Araújo, a determinação do TRE-RJ significa que a campanha terá de encontrar uma nova forma de identificação oficial na urna, sem utilizar “Renato Araújo do Bolsonaro”. O episódio também mostra que a proximidade política com uma liderança nacional não garante automaticamente o direito de incorporar seu sobrenome ao nome eleitoral, principalmente quando a alteração pode induzir o eleitor a uma associação familiar inexistente. Enquanto isso, a presença de outros candidatos com Bolsonaro no nome deverá continuar sendo acompanhada pela Justiça Eleitoral durante o processo de registro das candidaturas de 2026.



