Flávio Bolsonaro fará ‘tesouraço’ em impostos e burocracia se for eleito, diz Daniella Marques

Uma eventual gestão de Flávio Bolsonaro (PL), entre 2027 e 2030, deverá ter como uma de suas principais bandeiras a reformulação da máquina pública, segundo propostas apresentadas pela economista Daniella Marques, representante da campanha, durante um evento promovido pelo Movimento Brasil Competitivo (MBC) e pela EXAME, em São Paulo, nesta terça-feira (25). A estratégia apresentada combina digitalização dos serviços públicos, reorganização administrativa, revisão do patrimônio imobiliário da União e mudanças na condução das empresas estatais. A intenção, de acordo com Marques, é aproximar o funcionamento do governo das necessidades cotidianas da população, reduzindo etapas presenciais e ampliando o acesso a serviços por meio de plataformas digitais. A proposta coloca a modernização do Estado no centro da agenda econômica da candidatura e sinaliza que os primeiros meses de um eventual mandato poderão concentrar medidas consideradas estruturais.
Na avaliação apresentada pela representante da campanha, o governo deveria ser organizado a partir dos serviços que o cidadão procura, e não apenas pela estrutura tradicional de ministérios e repartições. A digitalização seria uma das principais ferramentas para essa mudança, permitindo que procedimentos hoje realizados presencialmente sejam transferidos para ambientes digitais. Marques citou experiências implementadas durante o governo de Jair Bolsonaro, período em que ocupou cargos no Ministério da Economia e presidiu a Caixa Econômica Federal. Ela também mencionou a expansão do Pix como exemplo de transformação no acesso da população ao sistema financeiro e defendeu que lógica semelhante seja aplicada aos serviços públicos. A ideia é facilitar o relacionamento entre governo e cidadão, diminuindo deslocamentos, etapas burocráticas e custos operacionais. A campanha ainda pretende retomar discussões sobre mudanças administrativas e sobre a possível privatização dos Correios, temas que não avançaram integralmente durante a gestão anterior.
Outro ponto apresentado pela economista envolve o patrimônio imobiliário federal. Segundo os dados citados por Marques, a União possui aproximadamente 760 mil imóveis, avaliados contabilmente em mais de R$ 1,7 trilhão, conforme informações do Tesouro. A campanha considera que parte desse patrimônio poderia ser administrada de maneira mais eficiente, especialmente diante de despesas relacionadas a aluguel, manutenção e custeio. A proposta prevê uma revisão ampla desses ativos para identificar imóveis que possam receber novas destinações, ser concedidos ou eventualmente colocados à venda. Apesar de apontar o tema como uma das prioridades da reforma do Estado, Marques não apresentou uma relação de propriedades que seriam incluídas na medida nem explicou quais critérios seriam utilizados para definir o futuro de cada ativo. O assunto, portanto, ainda depende de um plano mais detalhado para que seja possível avaliar os efeitos financeiros e administrativos da iniciativa.
As empresas controladas pelo governo também aparecem entre os setores que poderão passar por mudanças. A campanha defende uma revisão dos marcos regulatórios e o fortalecimento da Lei das Estatais, com o objetivo de ampliar a eficiência e aperfeiçoar a governança dessas companhias. Daniella Marques afirmou ainda que eventuais receitas extraordinárias obtidas pela União poderiam ter diferentes destinações, incluindo a redução da dívida pública, investimentos em infraestrutura e iniciativas destinadas à formação de patrimônio pela população. Até o momento, porém, não foram informados quais ativos poderiam gerar esses recursos nem qual seria a divisão percentual entre as áreas mencionadas. A proposta indica, assim, uma tentativa de combinar controle das despesas, melhoria da gestão pública e direcionamento de recursos para investimentos. O detalhamento dessas medidas deverá fazer parte do programa definitivo da candidatura e, em determinados casos, dependerá de debates e aprovação no Congresso Nacional.
A campanha também pretende concentrar esforços nos primeiros 100 dias de um eventual governo para apresentar medidas consideradas prioritárias. Entre elas estão uma proposta de emenda à Constituição voltada às contas públicas, redução de impostos e da burocracia, ampliação da digitalização, investimentos em infraestrutura e revisão de regras regulatórias. Segundo Marques, o início de um mandato seria o momento adequado para utilizar a força política conquistada nas urnas e encaminhar mudanças de maior alcance. A proposta fiscal seria apresentada como um dos instrumentos para organizar as contas do governo e diminuir a pressão exercida pelos juros sobre o orçamento. Ao mesmo tempo, a campanha fala em simplificar procedimentos e criar condições para que famílias e empresas tenham maior capacidade de planejamento financeiro. A combinação dessas medidas busca apresentar uma agenda econômica que vá além do controle de despesas, incluindo também modernização administrativa e estímulo à atividade produtiva.
Embora as propostas apresentadas já indiquem os principais caminhos defendidos por Flávio Bolsonaro, ainda existem pontos que precisarão ser esclarecidos antes de qualquer implementação. Medidas envolvendo alterações constitucionais, patrimônio público, empresas estatais, impostos e estrutura administrativa podem exigir projetos específicos, estudos técnicos e aprovação legislativa. A campanha afirma que pretende colocar a reforma do Estado entre as prioridades de um eventual mandato, com foco na tecnologia, na eficiência dos serviços e na revisão de gastos. O desenho final, entretanto, dependerá do programa de governo que será apresentado e das negociações necessárias para transformar as ideias em medidas concretas. O debate promete ganhar espaço durante a corrida eleitoral, especialmente porque envolve temas que afetam diretamente a prestação de serviços públicos, o orçamento federal e a relação entre Estado, empresas e cidadãos. Para o eleitor, o principal ponto de atenção será acompanhar como essas propostas serão detalhadas e quais resultados a candidatura espera alcançar com cada uma delas.



