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Marinho, coordenador da campanha de Flávio, falou sobre os planos do candidato à Presidência

A promessa de Flávio Bolsonaro de acabar com a reeleição presidencial ganhou um novo capítulo nesta terça-feira, 25 de agosto de 2026, depois que Rogério Marinho, coordenador de sua campanha, afirmou que a medida deverá ser tratada como prioridade ainda durante a transição de governo. Segundo Marinho, caso Flávio seja eleito em outubro, a intenção será iniciar a articulação política antes mesmo da posse, colocando o fim da possibilidade de um segundo mandato presidencial entre as primeiras iniciativas do novo governo. A declaração reforça uma das principais bandeiras apresentadas pelo candidato do PL e tenta responder a uma questão que vem sendo levantada desde o início da campanha: se a promessa será efetivamente cumprida desta vez.

O tema ganhou relevância porque o fim da reeleição já havia sido defendido publicamente por Jair Bolsonaro durante sua trajetória política, mas nenhuma mudança constitucional nesse sentido foi encaminhada durante sua passagem pela Presidência da República. Agora, Flávio procura se diferenciar do pai justamente pelo fato de já ter apresentado uma Proposta de Emenda à Constituição sobre o assunto enquanto ainda exerce o mandato de senador. A PEC 4/2026 foi protocolada no início de março e tem Rogério Marinho entre os parlamentares que apoiaram formalmente sua apresentação.

A discussão, portanto, não se limita a uma promessa eleitoral, pois envolve uma alteração relevante nas regras do sistema político brasileiro e dependeria de uma ampla articulação no Congresso Nacional. Para Marinho, a mudança seria necessária para impedir que presidentes governem pensando na próxima eleição, enquanto a situação econômica e administrativa do país exigiria decisões de longo prazo. Ao mesmo tempo, a proposta deverá ser observada com atenção porque sua aprovação não depende exclusivamente do presidente da República, mas de um processo legislativo que exige apoio parlamentar expressivo.

Flávio promete acabar com reeleição e apresenta PEC como diferencial

A principal diferença apontada por Rogério Marinho em relação ao período de Jair Bolsonaro está justamente na existência de uma proposta formal já apresentada ao Congresso. Segundo o coordenador da campanha, Jair Bolsonaro não era senador quando chegou ao Palácio do Planalto, não havia apresentado uma PEC sobre o fim da reeleição e também não havia se comprometido a aprovar uma mudança desse tipo durante a transição presidencial. Dessa maneira, a campanha de Flávio tenta transformar a existência da PEC 4/2026 em uma espécie de garantia política de que a promessa não seria abandonada depois da eleição.

A proposta, contudo, ainda precisa percorrer todas as etapas previstas para uma mudança constitucional, o que significa que uma eventual vitória de Flávio não produziria automaticamente o fim da reeleição. O texto terá de ser analisado, debatido e votado pelos parlamentares, sendo necessária uma maioria qualificada nas duas Casas do Congresso para que uma emenda constitucional seja aprovada. Por isso, a articulação durante a transição, caso seja realmente iniciada, poderá ser decisiva para medir a capacidade do futuro governo de construir uma maioria em torno da medida.

Nesse cenário, a escolha do período de transição como momento para iniciar a discussão também possui peso político, pois permitiria que o assunto fosse tratado antes de o novo presidente assumir formalmente o cargo. A estratégia poderá ser utilizada para demonstrar aos eleitores que a promessa não estaria condicionada à conveniência de uma futura candidatura. Por outro lado, justamente por envolver interesses de diferentes partidos e parlamentares, a aprovação da mudança poderá enfrentar resistências e exigir negociações que ainda não estão definidas.

Fim da reeleição entra no centro do discurso de Flávio Bolsonaro

A defesa de um único mandato presidencial passou a ocupar espaço importante no discurso de Flávio durante a campanha de 2026, inclusive em agendas realizadas em São Paulo. Em encontro com empresários na Mooca, o senador afirmou que desejava entrar para a história mesmo que fosse como um presidente de transição, enquanto a proposta de extinguir a reeleição era apresentada como parte de uma visão mais ampla sobre o funcionamento do Estado. Na ocasião, a presença do governador Tarcísio de Freitas também deu visibilidade ao tema, e o governador afirmou que acreditava que Flávio cumpriria a promessa caso fosse eleito.

A ideia defendida pelo grupo político de Flávio é que a ausência da possibilidade de um segundo mandato poderia alterar os incentivos de quem ocupa a Presidência. Na avaliação de Marinho, um governante que não precisa buscar votos para permanecer no cargo teria maior liberdade para adotar medidas consideradas necessárias, mesmo quando elas forem impopulares no curto prazo. A lógica apresentada pela campanha, portanto, é de que o fim da reeleição poderia favorecer decisões voltadas para resultados de médio e longo prazo, embora os efeitos concretos dessa mudança dependam de outros fatores institucionais.

A proposta também coloca Flávio diante de uma cobrança inevitável, já que a comparação com Jair Bolsonaro deverá continuar durante toda a campanha. Historicamente, a discussão sobre reeleição desperta dúvidas justamente porque candidatos podem defender mudanças nas regras antes de chegar ao poder e, depois, reconsiderar suas posições diante das vantagens oferecidas pelo sistema vigente. Por isso, a apresentação de uma PEC é um elemento concreto que diferencia a atual promessa, mas não elimina a necessidade de acompanhar sua tramitação e verificar se haverá mobilização política suficiente para aprová-la.

O que muda se a reeleição presidencial for extinta

Caso a proposta venha a ser aprovada, o sistema eleitoral brasileiro passará por uma mudança importante, pois o presidente eleito não poderá disputar imediatamente um segundo mandato consecutivo. A alteração também poderá modificar a dinâmica das eleições nacionais, já que partidos precisarão preparar novos nomes para a sucessão presidencial enquanto o chefe do Executivo estiver no exercício do cargo. Dessa forma, o fim da reeleição teria consequências que ultrapassariam a candidatura de Flávio Bolsonaro e poderiam afetar sucessivos governos e estratégias partidárias.

Por enquanto, porém, o fim da reeleição continua sendo uma promessa política acompanhada de uma proposta constitucional em tramitação, e não uma mudança já aprovada. O compromisso anunciado por Rogério Marinho de iniciar a articulação ainda durante a transição será, portanto, um dos pontos que deverão ser observados caso Flávio vença a eleição, especialmente porque a medida exigirá negociação com o Congresso e enfrentará interesses distintos entre partidos e grupos políticos.

Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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