Tarcísio pode virar peça-chave de Flávio no 2º turno; entenda a estratégia em São Paulo

Flávio conta com Tarcísio para manter força em SP em eventual 2º turno
Flávio conta com Tarcísio para preservar e ampliar sua competitividade em São Paulo caso a eleição presidencial de 2026 avance para o segundo turno. A estratégia da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) parte da expectativa de que Tarcísio de Freitas (Republicanos), atual governador paulista e candidato à reeleição, possa encerrar sua própria disputa já no primeiro turno e, consequentemente, ficar mais disponível para participar de comícios, viagens e outras atividades ao lado do presidenciável. Segundo integrantes das duas campanhas ouvidos pela CNN Brasil, Tarcísio é considerado um dos principais ativos políticos de Flávio no maior colégio eleitoral do país e vem acompanhando o senador em diversas agendas realizadas no estado. Entretanto, essa estratégia depende de resultados que ainda serão definidos pelos eleitores. Pesquisas recentes colocam Tarcísio em posição confortável na corrida estadual, enquanto Flávio disputa uma eleição nacional bastante apertada contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Flávio conta com Tarcísio para ampliar campanha em São Paulo
Nos cálculos feitos por aliados, uma eventual reeleição de Tarcísio no primeiro turno permitiria que o governador participasse mais intensamente da campanha presidencial durante as três semanas seguintes. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro e, caso nenhum candidato ao Planalto obtenha a maioria absoluta dos votos válidos, uma segunda votação será realizada em 25 de outubro. Nesse intervalo, Tarcísio poderia ampliar sua presença ao lado de Flávio, principalmente em São Paulo. A estratégia não surge do zero: os dois já foram vistos juntos em diferentes compromissos eleitorais, incluindo um ato na Avenida Paulista e uma visita à Igreja Mundial do Poder de Deus, na capital paulista, no feriado de 7 de Setembro. Além disso, Tarcísio participou de atividades de campanha no interior. Portanto, a expectativa do PL é de continuidade, e não necessariamente de uma mudança completa de comportamento. Ainda assim, a intensidade desse apoio poderá ser ajustada conforme o resultado das urnas e as necessidades políticas do governador.
Pesquisas colocam Tarcísio em posição favorável contra Haddad
O otimismo da campanha de Flávio é explicado, sobretudo, pelos números recentes da eleição paulista. Levantamento Datafolha divulgado em 11 de setembro apontou Tarcísio com 49% das intenções de voto, contra 29% de Fernando Haddad (PT). Considerados apenas os votos válidos, o governador apareceu com 56%, percentual que, se fosse reproduzido nas urnas, seria suficiente para uma vitória no primeiro turno. O levantamento ouviu 1.610 eleitores entre 8 e 10 de setembro e informou margem de erro de dois pontos percentuais. Além disso, pesquisas realizadas por outros institutos também registraram vantagem de Tarcísio. O RealTime Big Data apontou 53% para o governador e 36% para Haddad, enquanto o Paraná Pesquisas registrou 49,7% contra 34,5%. Contudo, pesquisas eleitorais são fotografias estatísticas do período em que foram realizadas e não antecipam necessariamente o resultado. Assim, embora exista uma possibilidade concreta de reeleição na primeira etapa, ela somente será confirmada pela votação.
Tarcísio tenta conciliar apoio a Flávio com projeto político próprio
Ao mesmo tempo, a proximidade entre os dois candidatos é acompanhada por cálculos políticos de médio e longo prazo. Dirigentes de centro e centro-direita ouvidos pela CNN avaliam que Tarcísio procura preservar sua relação com o campo político liderado por Jair Bolsonaro sem transformar completamente sua campanha estadual em uma extensão da candidatura presidencial de Flávio. Essa leitura é importante porque o governador paulista possui capital político próprio e é frequentemente mencionado como possível presidenciável em 2030. Portanto, uma exposição nacional intensa pode fortalecer sua relação com o eleitorado bolsonarista, mas também poderá associar diretamente seu futuro político ao desempenho de Flávio em 2026. A campanha presidencial, por sua vez, considera Tarcísio fundamental nos dois turnos e espera que essa parceria seja mantida. Dessa maneira, existe uma convergência imediata de interesses, embora as trajetórias futuras não sejam necessariamente idênticas. O governador precisa buscar sua reeleição, preservar alianças estaduais e, simultaneamente, administrar sua posição dentro de um campo conservador que reúne diferentes lideranças.
São Paulo pode ser decisivo na disputa entre Flávio e Lula
A atenção dedicada ao estado possui uma explicação eleitoral objetiva: São Paulo reúne o maior número de eleitores do Brasil e, consequentemente, diferenças expressivas obtidas no território paulista podem influenciar significativamente o resultado nacional. Além disso, pesquisas recentes mostram que Lula enfrenta dificuldades no estado. Segundo o Datafolha, apenas 25% dos paulistas classificavam o governo federal como ótimo ou bom, enquanto 48% faziam avaliação negativa. Nacionalmente, contudo, a eleição permanece muito equilibrada. O mesmo instituto registrou Lula com 39% e Flávio com 35% no primeiro turno; em uma simulação de segundo turno, os dois ficaram tecnicamente empatados, com 46% para o presidente e 44% para o senador. Outro levantamento divulgado nesta segunda-feira também mostrou uma disputa apertada. Portanto, conquistar uma vantagem ampla em São Paulo pode compensar desempenhos mais fracos do candidato do PL em outras regiões. Ainda assim, nenhum estado decide isoladamente uma eleição presidencial, razão pela qual Minas Gerais, Rio de Janeiro e outras unidades também são consideradas estratégicas.
Ricardo Nunes também participa da articulação de Flávio em São Paulo
Além de Tarcísio, outro personagem importante para a estratégia paulista é o prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB). Embora não esteja disputando cargo nas eleições deste ano, Nunes tem participado da articulação política em favor de Flávio e ajudado na organização de agendas e alianças na cidade de São Paulo. Segundo integrantes da campanha presidencial, o prefeito também tem procurado estimular aliados a incluir a imagem do candidato do PL em materiais eleitorais. Essa participação pode ser relevante porque a capital concentra milhões de eleitores e possui enorme peso dentro do próprio resultado estadual. Entretanto, o desafio da campanha não consiste apenas em reunir lideranças conhecidas no mesmo palanque. Será necessário transformar esses apoios em transferência efetiva de votos, fenômeno que nunca ocorre de maneira automática. Um eleitor que aprova Tarcísio ou Ricardo Nunes não necessariamente votará em Flávio para presidente. Por isso, além das alianças, serão determinantes fatores como rejeição, economia, propostas, acontecimentos da reta final e desempenho dos candidatos durante as últimas semanas de campanha.
Flávio conta com Tarcísio para uma possível batalha decisiva no segundo turno
Por fim, Flávio conta com Tarcísio para transformar São Paulo em uma de suas principais bases caso seja confirmada uma disputa de segundo turno contra Lula. O cenário considerado ideal por seus estrategistas combina duas condições: a vitória antecipada de Tarcísio na eleição estadual e a classificação de Flávio para a etapa final da corrida presidencial. Nesse caso, o governador estaria politicamente mais disponível para percorrer o estado, participar de atos e reforçar a candidatura do PL. Entretanto, nenhuma dessas condições está assegurada. Embora pesquisas indiquem vantagem expressiva de Tarcísio, os números ainda podem mudar até 4 de outubro. Da mesma forma, a eleição presidencial permanece competitiva, com Lula e Flávio próximos em diferentes levantamentos. Assim, a parceria entre governador e presidenciável representa uma peça importante, mas não suficiente para determinar o resultado. Nas próximas semanas, será possível observar se Tarcísio manterá uma participação calculada ou se, diante de uma eventual vitória estadual no primeiro turno, passará a ocupar posição ainda mais central na campanha nacional de Flávio Bolsonaro.



