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Quem pode tirar Netanyahu do poder? Entenda como funcionam as eleições em Israel

Quem pode tirar Netanyahu do poder? Entenda como funcionam as eleições em Israel. O cenário político israelense entra em um novo momento

As eleições parlamentares de Israel voltaram ao centro das atenções internacionais em meio a um dos períodos mais delicados da história recente do país. O próximo pleito será realizado após uma sequência de acontecimentos que alteraram profundamente o cenário político, especialmente depois dos ataques promovidos pelo Hamas em outubro de 2023 e das operações militares que se seguiram na Faixa de Gaza. Diante desse contexto, cresce o interesse em compreender como funciona o sistema eleitoral israelense e quais lideranças possuem condições de substituir o atual primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu. Embora as pesquisas indiquem mudanças no equilíbrio político, o resultado permanece cercado de incertezas, principalmente porque o modelo parlamentar adotado em Israel torna a formação do governo um processo complexo e altamente dependente de alianças entre diferentes partidos.

Veja como funcionam as eleições de Israel e por que o sistema é diferente

Ao contrário do que acontece em diversos países presidencialistas, Israel adota um regime parlamentar. Isso significa que a população elege diretamente os representantes do Parlamento, conhecido como Knesset, composto por 120 deputados. Posteriormente, o presidente do país consulta os líderes partidários e concede a um parlamentar a missão de formar uma maioria capaz de governar. Dessa maneira, o cargo de primeiro-ministro não é escolhido diretamente pelos eleitores. Além disso, as cadeiras parlamentares são distribuídas de forma proporcional aos votos recebidos por cada legenda que ultrapassa a cláusula mínima de desempenho nacional. Como consequência, praticamente nenhum partido conquista sozinho a maioria absoluta, motivo pelo qual governos de coalizão são constantemente formados. Ao mesmo tempo, pequenas legendas acabam adquirindo grande influência nas negociações políticas, já que seus votos podem ser decisivos para garantir a estabilidade de um governo.

Veja como funcionam as eleições de Israel diante do cenário político atual

Nos últimos anos, o ambiente político israelense foi marcado por sucessivas eleições antecipadas e por dificuldades para formar maiorias parlamentares estáveis. Esse cenário somente foi parcialmente interrompido quando Benjamin Netanyahu conseguiu retornar ao comando do governo apoiado por uma ampla coalizão formada por partidos de direita, nacionalistas e grupos religiosos. Entretanto, após os acontecimentos ligados aos conflitos regionais e às críticas sobre a condução da segurança nacional, sua administração passou a enfrentar maior desgaste perante parte da opinião pública. Pesquisas divulgadas recentemente apontam redução nos índices de confiança do atual primeiro-ministro, embora ele continue sendo considerado um dos políticos mais experientes e influentes da história israelense. Ainda assim, como o sistema depende das negociações entre partidos após a votação, qualquer projeção deve ser analisada com cautela, pois mudanças de alianças podem alterar completamente a composição do próximo governo.

Quem pode substituir Benjamin Netanyahu

Entre os principais nomes apontados como possíveis sucessores está Gadi Eisenkot, ex-chefe das Forças de Defesa de Israel, cuja trajetória militar lhe garantiu grande reconhecimento nacional. Sua imagem foi fortalecida pela experiência na área de segurança e também por acontecimentos pessoais relacionados ao conflito na Faixa de Gaza. Outro nome frequentemente mencionado é Naftali Bennett, que já ocupou o cargo de primeiro-ministro e liderou uma ampla coalizão política responsável por interromper um dos períodos de governo de Netanyahu. Também permanece em evidência Yair Lapid, ex-primeiro-ministro e defensor de uma agenda considerada mais moderada em diversos temas internos. Além deles, Avigdor Lieberman continua sendo visto como um possível protagonista nas negociações, especialmente por sua influência junto a determinados segmentos do eleitorado israelense. Enquanto isso, outras legendas menores poderão exercer papel decisivo na construção de uma futura maioria parlamentar.

O papel das coalizões e dos pequenos partidos

Um dos aspectos mais importantes da política israelense é justamente a necessidade permanente de acordos entre diferentes grupos partidários. Como nenhum partido costuma conquistar mais da metade das cadeiras do Parlamento, as negociações passam a ser fundamentais para definir quem governará o país. Consequentemente, partidos religiosos, conservadores, liberais, nacionalistas e representantes da minoria árabe frequentemente participam das discussões para compor alianças. Além disso, temas como segurança nacional, economia, política externa, expansão de assentamentos, serviço militar obrigatório e relações entre Estado e religião costumam influenciar diretamente essas negociações. Em diversas ocasiões, governos deixaram de existir porque partidos aliados decidiram retirar seu apoio parlamentar, provocando novas eleições antes do término do mandato previsto.

O que poderá influenciar o resultado das próximas eleições

Diversos fatores deverão exercer impacto significativo sobre o comportamento do eleitorado israelense. Em primeiro lugar, a percepção sobre a condução da segurança nacional continuará sendo um dos principais temas da campanha. Paralelamente, questões econômicas, custo de vida, estabilidade institucional e recuperação após os conflitos também deverão ocupar espaço relevante nos debates. Além disso, o relacionamento entre Israel e seus aliados internacionais poderá influenciar parte das discussões políticas durante o período eleitoral. Especialistas observam que, mesmo diante das pesquisas de opinião, o resultado final dependerá da capacidade de cada partido construir alianças após a votação. Portanto, um candidato que não seja o mais votado individualmente ainda poderá assumir o cargo de primeiro-ministro caso consiga reunir o apoio necessário dentro do Parlamento.

Eleições podem redefinir os rumos políticos de Israel

As próximas eleições representam um momento decisivo para Israel, não apenas pela possibilidade de mudança na liderança do governo, mas também pela oportunidade de redefinir prioridades em um período marcado por desafios internos e externos. Embora Benjamin Netanyahu continue sendo uma figura central da política israelense, outros líderes ganharam espaço e passaram a disputar o protagonismo nacional. Ao mesmo tempo, o sistema parlamentar continuará fazendo das negociações entre partidos um elemento indispensável para a formação do governo. Dessa forma, independentemente do partido vencedor, o futuro primeiro-ministro dependerá da construção de uma coalizão sólida para garantir governabilidade. Assim, o resultado das urnas poderá influenciar não apenas a política doméstica israelense, mas também as relações do país com o Oriente Médio e com a comunidade internacional.

Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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