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Criação de Ministério da Segurança ainda em 2026 divide governo Lula

Criação de Ministério da Segurança ainda em 2026 divide governo Lula

Welesson Oliveira 2 semanas ago 0 20

Criação de Ministério da Segurança ainda em 2026 tornou-se um dos temas mais sensíveis e controversos dentro do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Embora a discussão sobre a necessidade de uma estrutura exclusiva para tratar da segurança pública não seja nova, o momento escolhido para colocar a proposta em prática tem provocado divergências internas, resistências políticas e avaliações estratégicas distintas entre ministros, aliados e lideranças do Congresso Nacional.

Atualmente, a possibilidade de aproveitar a saída do ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, para desmembrar a pasta e criar um Ministério da Segurança Pública específico gera debates intensos nos bastidores do Palácio do Planalto. Enquanto parte do governo vê a iniciativa como uma resposta concreta à maior preocupação da população brasileira, outro grupo avalia que a criação da nova pasta às vésperas das eleições de 2026 pode produzir mais riscos do que benefícios.

Segurança pública no centro do debate político

Antes de tudo, é importante destacar que a segurança pública se consolidou como o principal ponto frágil do terceiro mandato de Lula. Pesquisas de opinião, levantamentos qualitativos e avaliações internas do próprio governo indicam que a sensação de insegurança, o avanço do crime organizado e a violência urbana afetam diretamente a popularidade do presidente.

Por esse motivo, ainda que tardiamente, a Criação de Ministério da Segurança ainda neste mandato passou a ser vista por setores governistas como uma possível resposta política a um problema estrutural. Contudo, apesar do consenso quanto à gravidade do tema, o governo segue dividido sobre a conveniência do momento.

Criação de Ministério da Segurança ainda em 2026 divide governo Lula
Criação de Ministério da Segurança ainda em 2026 divide governo Lula

Divisão interna no Palácio do Planalto

De um lado, defensores da criação imediata do ministério argumentam que o governo não pode esperar uma eventual reeleição para agir. Segundo essa ala, adiar a decisão transmitiria à sociedade a percepção de inércia diante de um problema urgente. Além disso, avaliam que um ministério exclusivo poderia sinalizar prioridade política e fortalecer a coordenação nacional das ações de combate ao crime.

Por outro lado, críticos da medida alertam que o tempo é curto. Restariam poucos meses até o início oficial do calendário eleitoral, o que dificultaria a implementação de políticas estruturantes, a definição de orçamento próprio e a entrega de resultados concretos. Assim, na avaliação desse grupo, criar uma nova pasta sem capacidade real de execução poderia gerar frustração e desgaste político adicional.

Limitações orçamentárias e operacionais

Além das divergências políticas, há um fator técnico que pesa fortemente contra a criação imediata da nova pasta: o orçamento. A limitação de recursos públicos foi, inclusive, mencionada por Ricardo Lewandowski em sua carta de despedida ao deixar o Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Interlocutores do governo ressaltam que um novo ministério demandaria estrutura administrativa, cargos, equipes técnicas e orçamento próprio. Entretanto, em um cenário de ajuste fiscal, controle de gastos e rigidez orçamentária, seria extremamente difícil viabilizar essas mudanças em tão pouco tempo.

Consequentemente, cresce dentro do governo o entendimento de que um novo ministro teria dificuldades reais para apresentar entregas consistentes antes das eleições, o que poderia comprometer o discurso de eficiência e responsabilidade administrativa.

Promessa de campanha que ficou pelo caminho

Vale lembrar que a criação do Ministério da Segurança Pública foi uma promessa de campanha de Lula em 2022. Na época, o então candidato defendia a separação da área de segurança da Justiça, alegando que o tema exigia foco exclusivo, coordenação nacional e articulação federativa mais robusta.

Entretanto, durante a transição de governo, Lula optou por manter a segurança pública sob a guarda do Ministério da Justiça, ao nomear Flávio Dino para o comando da pasta. A decisão foi interpretada como um gesto político, buscando fortalecer a área jurídica e institucional em um momento de reconstrução democrática após os atos antidemocráticos.

Posteriormente, com a ida de Flávio Dino para o Supremo Tribunal Federal, em fevereiro de 2024, Ricardo Lewandowski assumiu o ministério. Ainda assim, a promessa da separação nunca foi retomada de forma efetiva até agora.

Avaliação estratégica: agora ou depois?

Diante desse cenário, defensores do adiamento avaliam que a criação do ministério ficaria mais adequada em um eventual segundo mandato de Lula. Isso permitiria não apenas mais tempo para planejamento, mas também a possibilidade de um redesenho mais amplo da Esplanada dos Ministérios.

Nesse contexto, aliados do presidente sugerem que o Ministério da Justiça poderia passar por uma reformulação profunda, abrigando secretarias temáticas hoje organizadas como ministérios independentes, como Direitos Humanos, Povos Indígenas e Igualdade Racial. Essa reestruturação poderia racionalizar a máquina pública e reduzir resistências políticas no Congresso.

Dificuldades legislativas e projetos travados

Enquanto o debate institucional avança lentamente, o governo enfrenta dificuldades concretas no Congresso Nacional para aprovar suas principais propostas na área de segurança. A PEC da Segurança Pública, considerada a principal aposta da gestão Lewandowski, segue parada na Câmara dos Deputados.

O relator da proposta, deputado Mendonça Filho (União-PE), promoveu alterações significativas no texto original do Executivo, o que gerou impasse entre governo e oposição. Como resultado, a votação foi adiada para depois do recesso parlamentar, ampliando a incerteza sobre o futuro da proposta.

Além disso, o PL Antifacção, apresentado após a megaoperação no Rio de Janeiro que resultou em 117 mortes, também enfrentou forte resistência. O texto aprovado na Câmara foi modificado pelo relator Guilherme Derrite (PP-SP), alinhado ao governo paulista, o que descaracterizou pontos centrais defendidos pelo Planalto.

Senado como freio e ajuste

No Senado, o governo conseguiu amenizar alguns trechos mais polêmicos do PL Antifacção, sob relatoria do senador Alessandro Vieira (MDB-SE). Ainda assim, o texto aprovado foi classificado por governistas como “o possível”, e não o ideal.

Com as alterações, o projeto retorna à Câmara, o que prolonga ainda mais o processo legislativo e reforça a percepção de dificuldades políticas para avançar com a agenda de segurança pública em ano pré-eleitoral.

Mudança de perfil no comando da Justiça

Outro fator frequentemente citado nos bastidores é a mudança de perfil no comando do Ministério da Justiça. Com a saída de Flávio Dino, considerado um ministro mais combativo e político, e a entrada de Lewandowski, de perfil institucional e técnico, o governo perdeu capacidade de enfrentamento direto com o Congresso e setores da oposição.

Embora Lewandowski tenha buscado diálogo e institucionalidade, interlocutores afirmam que o Ministério da Justiça acabou se transformando em uma espécie de “grande delegacia de polícia”, consumido por crises, operações e disputas políticas constantes.

Nesse contexto, a decisão de Lewandowski de deixar o cargo, alegando razões pessoais e familiares, foi interpretada internamente como o encerramento de um ciclo desgastante.

Impacto eleitoral e riscos políticos

Por fim, a Criação de Ministério da Segurança ainda em 2026 também é analisada sob a ótica eleitoral. Integrantes do núcleo político do governo temem que a medida seja interpretada como uma ação desesperada ou oportunista, voltada mais à narrativa de campanha do que à entrega de resultados reais.

Ao mesmo tempo, há o receio de que a oposição capitalize qualquer fracasso ou lentidão do novo ministério, reforçando o discurso de ineficiência administrativa.

Assim, o dilema permanece: agir agora e assumir riscos ou adiar a decisão para um momento politicamente mais favorável.

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Escrito Por

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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