Desmatamento: alertas caem 9% na Amazônia e no Cerrado. O desmatamento: alertas caem 9% na Amazônia e no Cerrado tornou-se um dos principais temas do debate ambiental no Brasil em 2025. Isso porque, embora os dados mais recentes indiquem uma redução significativa nos alertas de devastação florestal, o cenário ainda inspira cautela. Afinal, mesmo com a queda percentual registrada, extensas áreas continuam sob ameaça constante, sobretudo em regiões pressionadas pela expansão agropecuária e por atividades ilegais.
De acordo com informações divulgadas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), os alertas de desmatamento nos dois principais biomas brasileiros — Amazônia e Cerrado — recuaram aproximadamente 9% em comparação com 2024. No entanto, apesar desse avanço estatístico, especialistas alertam que os números absolutos seguem elevados e exigem vigilância permanente do poder público e da sociedade civil.
Queda nos alertas, mas com desafios persistentes
Em primeiro lugar, é importante compreender o que representam os chamados alertas de desmatamento. Esses alertas, monitorados por sistemas de sensoriamento remoto do Inpe, indicam áreas onde houve supressão ou degradação da vegetação nativa. Assim, mesmo antes da confirmação definitiva do desmate, os dados funcionam como um termômetro essencial para orientar ações de fiscalização e combate a crimes ambientais.
Nesse contexto, a redução de aproximadamente 9% nos alertas em 2025 pode ser interpretada como um sinal positivo. Entretanto, ao mesmo tempo, ela não significa que o problema esteja resolvido. Pelo contrário: os dados revelam que o desmatamento segue concentrado em determinados estados e regiões estratégicas, o que reforça a necessidade de políticas públicas direcionadas.
Amazônia: terceiro ano seguido de recuo
Quando se observa especificamente a Amazônia Legal, os números mostram uma tendência consistente de queda pelo terceiro ano consecutivo. Em 2025, a área sob alerta de desmatamento somou 3.817 km², contra 4.183 km² em 2024, o que representa uma redução de aproximadamente 8,7%.
Além disso, para efeito de comparação histórica, vale lembrar que, em 2023, o total de alertas havia alcançado 5.156 km², um patamar consideravelmente mais elevado. Dessa forma, os dados reforçam a percepção de que as ações de controle ambiental, ainda que insuficientes, têm produzido resultados graduais.
Por outro lado, apesar dessa trajetória descendente, o volume de áreas ameaçadas continua expressivo. Isso porque milhares de quilômetros quadrados de floresta seguem sob pressão, principalmente em estados com forte presença do agronegócio e histórico de conflitos fundiários.

Mato Grosso lidera ranking e acende alerta
Embora o cenário geral da Amazônia aponte para uma redução, o desmatamento segue altamente concentrado. O estado de Mato Grosso, por exemplo, liderou o ranking em 2025, com 1.497 km² de áreas sob alerta, o que corresponde a quase metade de todo o desmatamento detectado no bioma.
Além disso, esse número chama atenção por dois motivos principais. Primeiro, trata-se do terceiro maior valor da série histórica, iniciada em 2015. Segundo, representa um aumento de quase 60% em relação ao registrado no estado em 2024, o que indica uma tendência contrária à média nacional.
Consequentemente, especialistas apontam que a combinação entre expansão agrícola, fragilidade na fiscalização local e pressão econômica contribui para esse avanço preocupante. Portanto, mesmo com a queda geral nos alertas, Mato Grosso permanece como um dos maiores desafios ambientais do país.
Pará e Amazonas apresentam melhora
Em contrapartida, outros estados amazônicos apresentaram desempenho mais positivo. O Pará, segundo maior estado em área sob alerta, registrou 979 km² em 2025, o que representa uma queda expressiva de 36% em relação ao ano anterior.
Da mesma forma, o Amazonas também apresentou redução, com 721 km² sob alerta, uma diminuição de aproximadamente 9%. Esses resultados indicam que, embora os desafios sejam comuns ao bioma, as dinâmicas regionais são distintas e refletem políticas locais, níveis de fiscalização e contexto socioeconômico.
Assim, os dados reforçam que o combate ao desmatamento precisa ser adaptado às realidades específicas de cada estado, evitando soluções genéricas que nem sempre produzem os resultados esperados.
Cerrado: segundo ano consecutivo de queda
Além da Amazônia, o Cerrado também apresentou uma redução significativa nos alertas de desmatamento em 2025. No total, foram registrados 5.357 km², contra 5.901 km² em 2024, o que corresponde a uma queda de aproximadamente 9,2%.
Esse é o segundo ano consecutivo de recuo, após um período recente marcado por forte avanço da devastação no bioma. Ainda assim, especialistas alertam que o Cerrado continua sendo um dos ecossistemas mais ameaçados do Brasil, sobretudo por sua importância estratégica para a produção agrícola e para a segurança hídrica do país.
Matopiba concentra maior parte do desmate
Assim como ocorre na Amazônia, o desmatamento no Cerrado também é altamente concentrado. A região conhecida como Matopiba — que abrange partes do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia — segue como o principal foco de alerta.
Em 2025, os estados com maior volume de áreas sob risco foram:
- Maranhão, com 1.190 km²;
- Tocantins, com 1.133 km²;
- Piauí, com 1.005 km².
Juntos, esses estados respondem por uma parcela significativa do desmatamento no Cerrado, refletindo a expansão acelerada da fronteira agrícola, especialmente voltada para a produção de soja, milho e algodão.
Consequentemente, ambientalistas alertam que, sem políticas mais rigorosas de ordenamento territorial, o bioma pode sofrer danos irreversíveis, comprometendo a biodiversidade e os recursos naturais.
Fiscalização reforçada após queimadas recordes
Segundo o Ministério do Meio Ambiente, a redução dos alertas está diretamente ligada ao reforço das ações de fiscalização e controle em áreas consideradas prioritárias. Após as queimadas recordes registradas em 2024, o governo federal ampliou a presença de órgãos ambientais, como Ibama e ICMBio, nesses territórios.
Além disso, houve aumento no uso de tecnologia, integração entre bases de dados e operações conjuntas com forças de segurança. Como resultado, áreas antes dominadas por atividades ilegais passaram a sofrer maior pressão do Estado.
Ainda assim, o próprio governo reconhece que os níveis de desmatamento permanecem elevados e que os avanços atuais precisam ser consolidados para evitar retrocessos nos próximos anos.
Redução não significa vitória definitiva
Por fim, embora o dado de que desmatamento: alertas caem 9% na Amazônia e no Cerrado represente uma notícia positiva, ele não pode ser interpretado como uma vitória definitiva. Afinal, os números absolutos continuam altos, e o risco de retrocesso permanece constante diante de mudanças políticas, econômicas e climáticas.
Portanto, especialistas defendem que a manutenção da queda depende de fiscalização contínua, fortalecimento institucional, incentivo à produção sustentável e maior engajamento da sociedade. Somente assim será possível transformar a redução dos alertas em uma tendência duradoura de preservação ambiental.
Acesse nosso canal do Youtube e Volte à Página Inicial do nosso Site para mais Notícias











Peixes mortos são recolhidas em Campina Grande (PB) “Mais de 10 toneladas”
Lula diz que vai ligar para Trump para convidar republicano para a COP30
Esgoto no Rio Pinheiros: vazamento deixa mancha escura e mau cheiro em SP
EUA fora da COP30: vazio diplomático que desafia o multilateralismo