Eduardo Bolsonaro diz que perda do mandato é “medalha de honra” e provoca nova onda de debates políticos.
A cassação do mandato do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) não apenas encerrou formalmente sua passagem pela Câmara dos Deputados, como também abriu um novo capítulo de embates políticos, narrativas simbólicas e disputas de opinião no cenário nacional. Longe de demonstrar arrependimento ou abatimento, Eduardo reagiu de forma provocativa e estratégica: classificou a perda do cargo como uma “medalha de honra”, expressão que rapidamente ganhou repercussão nas redes sociais e dividiu opiniões entre apoiadores e críticos.
A declaração foi feita em um vídeo publicado no dia 18 de outubro, diretamente dos Estados Unidos, onde o ex-parlamentar permanece desde antes da oficialização da cassação. No material, Eduardo Bolsonaro adota um tom desafiador, afirmando que as consequências sofridas são resultado direto de suas posições políticas e de sua atuação internacional, especialmente em críticas a governos e instituições que ele considera autoritárias.
Mais do que um simples desabafo, o discurso revela uma tentativa clara de ressignificar a punição institucional, transformando-a em símbolo de resistência política. Ao apresentar a cassação como um prêmio moral, Eduardo reforça uma narrativa já conhecida entre seus seguidores: a de que há perseguição política contra integrantes e aliados do bolsonarismo.
Entenda os motivos da cassação
A perda do mandato de Eduardo Bolsonaro ocorreu após o acúmulo de faltas não justificadas durante o exercício parlamentar. A legislação prevê limites claros para ausências em sessões plenárias e atividades oficiais, e o descumprimento reiterado dessas regras pode resultar em punições severas, incluindo a cassação.
No caso de Eduardo, a situação foi agravada pelo fato de ele permanecer fora do país por longos períodos, sem apresentar justificativas consideradas suficientes pela Mesa Diretora da Câmara. Embora aliados tenham argumentado que sua atuação política continuava ativa por meio de articulações internacionais, o entendimento institucional foi de que o mandato exige presença efetiva no Parlamento.
Mesmo diante desse cenário, Eduardo Bolsonaro sustenta que suas escolhas foram conscientes. Segundo ele, permanecer nos Estados Unidos fazia parte de uma estratégia política maior, alinhada com aquilo que acredita ser o desejo de seus eleitores. Em suas palavras, o mandato nunca foi um fim em si mesmo, mas uma ferramenta para defender ideias e fortalecer um projeto político coletivo.
A cassação como símbolo político
Ao chamar a perda do cargo de “medalha de honra”, Eduardo Bolsonaro não apenas reage à decisão, mas tenta inverter seu significado. Em vez de admitir falha ou erro, ele enquadra a cassação como consequência inevitável de quem enfrenta estruturas de poder.
“Valeu a pena ter levado consequências reais a esses ditadores. Para mim, o que fica é uma medalha de honra”, afirmou o ex-deputado, em um dos trechos mais repercutidos do vídeo. A fala foi amplamente compartilhada por apoiadores, que enxergam na punição uma confirmação de que Eduardo estaria pagando um preço por suas convicções.
Por outro lado, críticos avaliam a declaração como uma tentativa de minimizar a gravidade da cassação e de manter relevância política mesmo fora do cargo. Para esse grupo, o discurso ignora regras básicas do funcionamento democrático, como a obrigação de cumprir deveres parlamentares.
A relação com a base bolsonarista
Mesmo fora da Câmara, Eduardo Bolsonaro mantém forte presença digital e continua exercendo influência sobre uma parcela significativa do eleitorado conservador. Em sua despedida simbólica, ele agradeceu publicamente aos apoiadores que o acompanharam ao longo de sua trajetória política, destacando que o apoio popular, para ele, tem mais peso do que um mandato formal.
“Deixo o meu muito obrigado a todos que sempre me apoiaram aqui nas redes sociais”, declarou. Essa fala reforça uma tendência crescente na política contemporânea: a valorização da influência digital como capital político, muitas vezes independente de cargos institucionais.
Para seus seguidores, Eduardo continua sendo uma voz ativa no debate público, alguém que “joga para o grupo”, como ele próprio afirmou. Essa estratégia de se posicionar como líder de um movimento, e não apenas como ocupante de um cargo, ajuda a explicar por que a cassação não representou, ao menos simbolicamente, um afastamento definitivo da cena política.
Planos e expectativas para o futuro
Apesar da perda do mandato, Eduardo Bolsonaro afirma que sua atuação política está longe do fim. Ele destaca como uma de suas principais conquistas a formação de uma bancada numerosa e ideologicamente alinhada na Câmara dos Deputados. Segundo ele, o objetivo sempre foi fortalecer o grupo, mesmo que isso significasse abrir mão de protagonismo individual.
“Tenho certeza de que essa história ainda não acabou”, afirmou. A declaração alimenta especulações sobre uma possível candidatura futura, seja ao Legislativo, seja a outro cargo, dependendo do cenário político e jurídico dos próximos anos.
Analistas observam que, ao transformar a cassação em bandeira política, Eduardo tenta preservar capital eleitoral e manter seu nome em evidência, algo essencial em um ambiente político cada vez mais competitivo e polarizado.
Outros casos e o contexto político mais amplo
A cassação de Eduardo Bolsonaro não foi um caso isolado. No mesmo período, a Câmara também confirmou a perda do mandato de Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo Jair Bolsonaro. Ramagem enfrenta uma situação ainda mais delicada, pois é considerado foragido após condenação pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Esses episódios reforçam a percepção de que o ambiente político brasileiro vive um momento de forte tensão institucional, em que decisões judiciais e administrativas têm impacto direto sobre carreiras políticas consolidadas. Para alguns, trata-se do fortalecimento do Estado de Direito; para outros, de um cenário de excessos e perseguições.
Reflexões sobre a política contemporânea
O caso de Eduardo Bolsonaro levanta questões relevantes sobre os limites entre militância política, dever institucional e construção de narrativas públicas. Até que ponto é possível exercer influência política fora das estruturas formais do Estado? Qual o peso real de um mandato em um contexto dominado por redes sociais e engajamento digital?
Ao transformar a cassação em símbolo de honra, Eduardo Bolsonaro desafia interpretações tradicionais de derrota política e mostra como a disputa por narrativas é tão importante quanto as decisões oficiais. Seja como estratégia calculada, seja como convicção pessoal, sua reação mantém o debate aceso e indica que os desdobramentos desse episódio ainda devem reverberar por muito tempo no cenário político nacional.
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