O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) apresentou por escrito sua manifestação à Polícia Federal (PF) no inquérito que investiga uma suposta prática de calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Com a entrega do documento, o depoimento presencial que havia sido marcado para esta terça-feira (28) acabou sendo cancelado. A defesa do parlamentar sustentou que não houve prática de crime e afirmou que as declarações investigadas fazem parte do debate político.
O caso é acompanhado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e integra uma investigação aberta para apurar uma publicação feita por Flávio Bolsonaro nas redes sociais. A Procuradoria-Geral da República (PGR) havia solicitado que o senador fosse ouvido antes de decidir se apresentaria denúncia ou pediria o arquivamento do inquérito. No entanto, em vez de comparecer pessoalmente à Polícia Federal, os advogados optaram por protocolar esclarecimentos por escrito.
Flávio Bolsonaro apresenta defesa por escrito à Polícia Federal
Segundo a CNN Brasil, a defesa protocolou um documento no Inquérito nº 5.045/DF argumentando que a publicação investigada não configura crime. Os advogados afirmaram que o conteúdo compartilhava duas notícias consideradas verdadeiras, acompanhadas por comentários independentes entre si. De acordo com a defesa, um dos comentários representava apenas uma previsão sobre acontecimentos futuros e não atribuía ao presidente Lula a prática de qualquer fato criminoso específico.
Os advogados também sustentaram que as manifestações devem ser analisadas dentro do contexto do debate político. Na avaliação da defesa, as declarações estão protegidas pela liberdade de expressão e não ultrapassam os limites permitidos pela legislação. Esse entendimento foi apresentado à Polícia Federal como fundamento para afastar a hipótese de configuração do crime de calúnia investigado no inquérito.
Defesa afirma que presidente não pediu abertura da investigação
Outro argumento apresentado pelos representantes de Flávio Bolsonaro diz respeito à origem da investigação. Conforme o documento entregue à Polícia Federal, Lula não solicitou pessoalmente a abertura do inquérito. Para a defesa, esse fato demonstraria que o próprio presidente não teria considerado a publicação ofensiva a ponto de justificar uma iniciativa direta para apuração criminal.
No texto encaminhado às autoridades, os advogados afirmam que, caso a postagem realmente tivesse caráter calunioso, seria esperado que o presidente tomasse providências para requerer a investigação. A defesa utiliza esse raciocínio para reforçar a tese de inexistência de crime e pedir que o procedimento seja analisado sob essa perspectiva pelas autoridades competentes.
Entenda como surgiu o inquérito contra o senador
A investigação teve origem em uma publicação feita por Flávio Bolsonaro nas redes sociais sobre a prisão do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. Na ocasião, o senador afirmou que Lula poderia futuramente ser delatado por suposto envolvimento com organizações criminosas internacionais, declaração que motivou a instauração do inquérito por suposta calúnia. A Polícia Federal analisou o conteúdo da publicação e encaminhou suas conclusões à Procuradoria-Geral da República.
Posteriormente, a PGR solicitou que Flávio Bolsonaro fosse ouvido antes da definição sobre os próximos passos da investigação. O pedido foi acolhido pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no Supremo Tribunal Federal, que determinou a realização da oitiva pela Polícia Federal. Entretanto, a defesa apresentou inicialmente pedidos relacionados ao prazo para o depoimento e, nesta terça-feira, optou por entregar os esclarecimentos de forma escrita.
Depoimento presencial foi cancelado após entrega da manifestação
Com o protocolo da defesa escrita, o comparecimento presencial do senador deixou de ser necessário e a audiência marcada para esta terça-feira foi cancelada. A Polícia Federal receberá agora o documento apresentado pelos advogados como parte dos elementos que compõem a investigação em andamento.
Esse procedimento é permitido em determinadas situações envolvendo pessoas investigadas, especialmente quando a autoridade responsável entende que os esclarecimentos apresentados atendem ao objetivo da diligência. Ainda assim, a Polícia Federal poderá avaliar se serão necessárias novas providências antes da conclusão do relatório final do inquérito.
O que acontece após a entrega da defesa
Após receber a manifestação escrita, a Polícia Federal dará continuidade à análise do material reunido durante a investigação. O relatório final será encaminhado ao Supremo Tribunal Federal e à Procuradoria-Geral da República, órgãos responsáveis por avaliar os próximos passos do procedimento.
Com base nas provas produzidas, a PGR poderá pedir o arquivamento do inquérito, solicitar novas diligências ou apresentar eventual denúncia ao STF, caso entenda que existem elementos suficientes para o prosseguimento da ação. A decisão será tomada somente após a análise de todo o conjunto de informações reunidas durante a investigação.
Caso segue sob análise das autoridades
O envio do depoimento por escrito representa uma nova etapa do inquérito envolvendo Flávio Bolsonaro e não encerra a investigação. A manifestação da defesa passa a integrar oficialmente os autos e será considerada pelas autoridades responsáveis durante a avaliação do caso.
Enquanto isso, o procedimento continua sob a supervisão do Supremo Tribunal Federal e da Procuradoria-Geral da República. Somente após a conclusão da análise jurídica será definida a continuidade ou o encerramento da investigação sobre a suposta prática de calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.










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