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Haddad diz que Flávio é “risco para o país” e admite favoritismo de Tarcísio em São Paulo

O candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, afirmou nesta quarta-feira (19) que o senador Flávio Bolsonaro (PL), que disputa a Presidência da República, representa um “risco para o país”. A declaração foi feita durante uma sabatina promovida por CBN, O Globo e Valor Econômico, em meio à movimentação dos partidos para as eleições de 2026. Ao abordar o cenário nacional, Haddad afirmou que considera a possibilidade de Flávio chegar ao Palácio do Planalto um “grave risco institucional” e disse enxergar impactos potenciais nas áreas econômica, social e internacional. “Eu não posso conceber a hipótese de ele assumir a Presidência da República”, declarou o petista durante o evento.

Na disputa pelo governo paulista, Haddad adotou um tom diferente ao comentar o desempenho de seu principal adversário. O ex-ministro reconheceu que o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que busca a reeleição, parte como favorito na corrida eleitoral. Para ilustrar o tamanho do desafio, o candidato petista comparou o confronto a uma disputa entre “Davi e Golias” e afirmou não ter dificuldade em admitir a vantagem do atual governador. “Eu reconheço que o Tarcísio é favorito. Não tenho nenhum problema em reconhecer isso”, disse. A declaração ocorre em um momento no qual as pesquisas eleitorais apontam diferença relevante entre os dois nomes, ampliando a atenção sobre os próximos movimentos das campanhas.

Uma sondagem divulgada nesta quarta-feira pelo Paraná Pesquisas mostra Tarcísio com 50% das intenções de voto no cenário estimulado, enquanto Haddad aparece com 33,8%. Na simulação de segundo turno apresentada pelo instituto, o governador registra 53%, contra 36,9% do candidato do PT. O levantamento ouviu 1.680 eleitores entre os dias 16 e 18 de agosto de 2026. A pesquisa foi contratada pelo próprio instituto, tem nível de confiança de 95% e margem de erro de 2,4 pontos percentuais. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número SP-08913/2026. Os números refletem o momento em que a pesquisa foi realizada e podem mudar ao longo da campanha.

Apesar da distância indicada pelo levantamento, Haddad afirmou que sua candidatura em São Paulo não representa um obstáculo para os planos nacionais do PT. Segundo o candidato, a campanha estadual pode, ao contrário, contribuir para a estratégia eleitoral da legenda. Durante a sabatina, ele também rejeitou a ideia de transformar a atual disputa paulista em uma espécie de antecipação da eleição presidencial de 2030. Na avaliação apresentada pelo petista, o cenário político brasileiro ainda passa por mudanças suficientes para tornar arriscadas as previsões sobre uma eleição que ocorrerá somente daqui a alguns anos. Com isso, Haddad procurou concentrar sua fala nos desafios atuais da política paulista e nacional.

Entre os temas estaduais abordados, Haddad criticou medidas adotadas durante a gestão de Tarcísio, incluindo a privatização da Sabesp. O candidato também defendeu a revisão de contratos firmados pelo governo paulista, indicando que pretende reavaliar decisões tomadas pela atual administração caso seja eleito. Na área de segurança pública, apresentou propostas voltadas ao uso de tecnologia e inteligência artificial. Entre as ideias citadas está a possibilidade de permitir o registro de boletins de ocorrência pelo WhatsApp, medida que, segundo a proposta apresentada, poderia facilitar o acesso da população aos serviços públicos e agilizar determinadas etapas do atendimento.

As declarações de Haddad colocam em evidência dois campos distintos da campanha: a disputa pelo comando do estado de São Paulo e o debate sobre a sucessão presidencial. Enquanto o candidato petista reconhece a vantagem atual de Tarcísio nas pesquisas, também busca apresentar sua candidatura como parte relevante do projeto eleitoral do PT. No cenário nacional, suas críticas a Flávio Bolsonaro mostram que a eleição presidencial também ocupa espaço central no discurso político. Com a campanha ainda em desenvolvimento, pesquisas, propostas e alianças deverão continuar influenciando o ambiente eleitoral nos próximos meses, enquanto os candidatos ampliam a exposição pública e apresentam suas estratégias ao eleitorado.

Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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