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Lula critica voto de pobres em ricos: “Eles só enriqueceram porque roubaram”

Lula critica voto de pobres em ricos: “Eles só enriqueceram porque roubaram”

Welesson Oliveira 6 meses ago 0 15

Na última sexta-feira (25), durante uma visita ao Jardim Rochdale, periferia de Osasco (SP), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez um dos discursos mais contundentes de seu mandato em 2025. Diante de uma plateia formada em sua maioria por moradores de comunidades carentes, o presidente não poupou críticas a uma lógica recorrente nas eleições: a preferência de eleitores pobres por candidatos ricos.

“O pobre fala assim: ‘Vou votar no prefeito que é rico porque ele não precisa roubar’. Ora, ele só é rico porque já roubou, porra!”, afirmou Lula, em tom inflamado e sem meias palavras.

A fala repercutiu fortemente nas redes sociais e na imprensa nacional, reacendendo um velho debate: por que eleitores das classes mais baixas continuam apostando em figuras distantes de sua realidade social?

“Não é nós contra eles. É eles contra nós!”

Lula usou a retórica da luta de classes para reforçar sua mensagem. Segundo ele, não se trata de dividir o país, como dizem seus críticos, mas sim de denunciar um sistema que favorece uma elite econômica que, historicamente, explora a base trabalhadora.

“Não é nós contra eles, é eles contra nós! Quem aqui mora na favela sabe do que estou falando”, disse, sendo aplaudido calorosamente.

Lula sugeriu que há uma inversão de valores na periferia , onde o trabalhador começa a desconfiar do semelhante e idolatrar o opressor, comprando o discurso de que o rico é automaticamente honesto.

Consciência de classe e autoestima política

Mais do que uma crítica aos ricos, Lula mirou o preconceito internalizado pelo próprio eleitorado de baixa renda. Para ele, falta autoestima coletiva e consciência política, o que acaba facilitando a eleição de figuras que, segundo suas palavras, “nunca pisaram num beco, mas se dizem defensores do povo”.

“O pobre fica com preconceito contra o pobre. Falta amor próprio, falta consciência de classe. A gente tem que votar em gente como a gente, que entende o que é acordar cedo, pegar ônibus lotado e ver o dinheiro não dar até o fim do mês.”

Pacote bilionário para comunidades

O discurso ocorreu durante o lançamento de uma nova etapa do programa Periferia Viva, do governo federal. A iniciativa vai liberar R$ 4,67 bilhões para urbanização de favelas em 49 áreas carentes de 12 estados. Em Osasco, comunidades como Jardim Rochdale, Favela da 13 e Limite estão entre as contempladas.

A cerimônia reuniu líderes como o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), os ministros Márcio França (Empreendedorismo), Rui Costa (Casa Civil) e parlamentares aliados como Guilherme Boulos (PSOL). O objetivo do evento foi, além de anunciar os investimentos, reconectar Lula com a base popular que sempre sustentou seu projeto político.

Metáforas e provocações: “A raposa no galinheiro”

Lula também utilizou uma metáfora que rapidamente viralizou nas redes sociais:

“Quando a gente vota num cara rico, é como colocar a raposa pra tomar conta do galinheiro. Vocês acham que a raposa vai proteger as galinhas?”, perguntou, provocando risos e aplausos.

A frase resume bem a mensagem que Lula quis passar: quem está no topo da pirâmide social tende a proteger seus próprios interesses, e não os da população pobre.

Reforma tributária: quem paga a conta?

O discurso também tocou em uma das pautas mais sensíveis do momento: a reforma tributária. O governo quer aprovar uma proposta que isenta quem ganha até R$ 5 mil de pagar Imposto de Renda, compensando com a elevação da tributação sobre quem ganha acima de R$ 50 mil.

Naturalmente, os mais ricos reagiram com resistência, acusando o governo de promover uma “caça às bruxas” contra o empresariado. Lula, por sua vez, rebate com seu já tradicional tom de confronto:

“Se o pobre paga imposto até no feijão e no arroz, por que quem ganha R$ 100 mil por mês não pode contribuir um pouco mais com o Brasil?”

Críticas e apoio nas redes

Como era de se esperar, a fala de Lula foi alvo de elogios e críticas. Apoiadores do presidente destacaram a coragem em expor verdades incômodas, enquanto opositores o acusaram de alimentar a divisão social.

A oposição, especialmente representantes do agronegócio e do setor financeiro, alegam que o presidente continua a usar uma retórica populista, incompatível com a estabilidade institucional. Por outro lado, setores da esquerda e de movimentos sociais elogiaram a postura franca e direta do presidente, que não tem medo de tocar em temas evitados pela maioria dos políticos.

Considerações finais: discurso ou realidade?

O discurso de Lula reacende um debate essencial para a democracia: quem de fato representa o povo? Ser rico é sinônimo de competência e honestidade? Ou é preciso, antes de tudo, que os líderes conheçam as dores da maioria?

Lula aposta no segundo caminho. E faz isso com paixão, linguagem acessível e apelo direto ao coração das comunidades que sempre lhe deram sustentação.

Se esse discurso terá efeito nas urnas ou se será apenas mais uma fala polêmica em meio ao cenário político cada vez mais polarizado, só o tempo dirá.

Escrito Por

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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