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Lula pode alcançar 39 pastas com Ministério da Segurança

Lula pode alcançar recorde de 39 pastas com Ministério da Segurança Pública

Welesson Oliveira 2 semanas ago 0 14

O debate sobre a reorganização da Esplanada dos Ministérios voltou com força ao centro da cena política nacional. Isso porque Lula pode alcançar recorde de 39 pastas com Ministério da Segurança Pública, caso o Palácio do Planalto confirme a criação de uma estrutura exclusiva para tratar do tema que, hoje, figura entre as maiores preocupações da população brasileira.

Se a nova pasta for oficialmente criada, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) igualará o maior número de ministérios já registrado na história recente do país, repetindo o patamar alcançado durante o segundo mandato da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Na prática, isso representaria não apenas um marco administrativo, mas também um movimento político de grandes proporções.

Comparação com governos anteriores

Para efeito de comparação, o eventual total de 39 ministérios representaria um crescimento de quase 70% em relação ao governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que operou com 23 pastas ao longo de seu mandato. Já durante a gestão de Michel Temer (MDB), o número chegou a 29 ministérios, em um modelo considerado intermediário entre enxugamento e ampliação da máquina pública.

Assim, o possível novo desenho ministerial reforça a marca histórica dos governos petistas, tradicionalmente associados a uma estrutura mais ampla, com foco em representação política, setorial e regional.

Lula pode alcançar 39 pastas com Ministério da Segurança
Lula pode alcançar 39 pastas com Ministério da Segurança

Saída de Lewandowski reacende debate

A discussão sobre o desmembramento do atual Ministério da Justiça e Segurança Pública ganhou novo fôlego após a saída de Ricardo Lewandowski do comando da pasta. A partir desse episódio, integrantes do governo, parlamentares e representantes dos estados voltaram a defender publicamente a separação das áreas.

Atualmente, Justiça e Segurança Pública estão concentradas em um único ministério, o que, segundo críticos, dificulta a formulação de políticas mais específicas e eficazes no combate à criminalidade e à violência urbana.

Pressão dos estados fortalece proposta

Além disso, a ideia passou a ganhar força também entre os entes federativos. O Consesp, colegiado que reúne secretários de segurança pública de todos os estados brasileiros, declarou recentemente que o momento é “oportuno e estratégico” para a criação de um Ministério da Segurança Pública independente.

Para os secretários estaduais, uma pasta exclusiva permitiria maior coordenação nacional, ampliação de investimentos, integração entre forças policiais e definição clara de prioridades, algo que hoje se perde em meio às múltiplas atribuições do Ministério da Justiça.

Promessa de campanha adiada

Vale lembrar que a criação do Ministério da Segurança Pública foi uma promessa de campanha de Lula nas eleições de 2022. No entanto, durante o período de transição, o presidente decidiu recuar da proposta e manter a estrutura unificada, ao entregar o comando da pasta ao então ministro Flávio Dino.

Naquele momento, a avaliação interna era de que a fusão garantiria maior estabilidade institucional e reduziria disputas políticas por cargos estratégicos. Contudo, com o passar do tempo, essa escolha passou a ser questionada dentro e fora do governo.

Segurança pública vira ponto frágil do governo

Com o avanço do mandato, Lula viu a segurança pública se transformar em um dos principais pontos de desgaste de sua gestão. Pesquisas de opinião indicam que a violência, o crime organizado e a sensação de insegurança figuram entre as maiores preocupações dos brasileiros, superando inclusive temas econômicos em determinados levantamentos.

Apesar de esforços para emplacar pautas positivas na área, o governo federal não conseguiu, até agora, reverter essa percepção negativa de forma significativa.

PEC da Segurança Pública empacada

Um exemplo claro dessa dificuldade é a PEC da Segurança Pública, considerada a principal aposta da gestão Lewandowski. A proposta, que busca reorganizar competências e fortalecer a atuação federal no setor, segue parada na Câmara dos Deputados, sem avanços concretos.

Enquanto isso, a oposição explora o tema com discursos duros, associando o governo a uma suposta leniência com o crime e cobrando respostas mais firmes e visíveis.

Divisão entre aliados

Apesar do consenso sobre a importância do tema, a criação de um novo ministério ainda divide aliados do presidente. Conforme revelou a CNN, a discussão interna já não gira em torno da necessidade de uma pasta exclusiva, mas sim da conveniência política de criá-la nos últimos meses do mandato.

Por um lado, defensores da medida avaliam que a iniciativa pode sinalizar compromisso do governo com uma agenda sensível à população. Por outro, críticos alertam para riscos políticos e administrativos.

Risco de leitura eleitoral

Entre os principais receios está a possibilidade de a criação do Ministério da Segurança Pública ser interpretada como uma ação meramente eleitoral, voltada a melhorar a imagem do governo às vésperas do pleito de 2026.

Além disso, há o argumento de que um novo ministro teria pouco tempo para estruturar a pasta, implementar políticas e apresentar resultados concretos antes das eleições, o que poderia gerar frustração e novas críticas.

Limitações orçamentárias pesam na decisão

Outro fator que pesa contra a criação imediata da nova pasta é a limitação orçamentária. Com as contas públicas pressionadas e o arcabouço fiscal impondo restrições, a abertura de um novo ministério exigiria rearranjos financeiros complexos.

Sem recursos suficientes, há o temor de que a nova estrutura se torne apenas simbólica, sem capacidade real de impactar os índices de criminalidade.

Reorganização mais ampla à vista

Independentemente da decisão sobre o Ministério da Segurança Pública, 2026 promete provocar uma ampla reorganização na Esplanada dos Ministérios. Isso porque, em abril do próximo ano, ministros que pretendem concorrer às eleições precisarão deixar seus cargos, conforme determina a legislação eleitoral.

Esse movimento abrirá espaço para trocas, fusões e possíveis extinções de pastas, alterando significativamente o desenho do governo federal.

Lista de ministros cotados para sair

Entre os nomes que avaliam disputar eleições e, portanto, podem deixar o governo, estão Anielle Franco (Igualdade Racial), Fernando Haddad (Economia), Camilo Santana (Educação), Wellington Dias (Desenvolvimento Social), Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) e Rui Costa (Casa Civil).

Essas saídas podem gerar uma reconfiguração política profunda, com impactos diretos na governabilidade e nas alianças partidárias.

O desafio de Lula

Diante desse cenário, Lula enfrenta um dilema estratégico: ampliar a estrutura do governo para tentar responder a uma demanda social urgente ou evitar novos desgastes políticos e administrativos em um momento pré-eleitoral delicado.

Assim, Lula pode alcançar recorde de 39 pastas com Ministério da Segurança Pública, mas a decisão final dependerá de cálculos que envolvem política, orçamento, percepção pública e o futuro do próprio governo.

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Escrito Por

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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